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Entrevista com ANTÔNIO CEDRAZ

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Antônio Luiz Ramos Cedraz, mais conhecido por Cedraz, é o criador e autor da Turma do Xaxado. Para quem ainda não conhece, é através do trabalho deste desenhista, que a cultura brasileira, particularmente a do nordeste brasileiro chega, diariamente, às mãos de milhares de leitores em todo o país, através de tirinhas em jornais e revistas, além do nosso portal. Com seus desenhos e histórias, ganhou prêmios e menções honrosas em concursos e exposições no Brasil e exterior, entre eles, o troféu como destaque no 2º Encontro Nacional de Histórias em Quadrinhos, realizado em Araxá - MG, em 1989; cinco troféus HQ MIX (1999, 2001, 2002, 2003 e 2005), além do Prêmio Ângelo Agostini de “Mestre do Quadrinho Nacional”. Artista plástico, formado pela UFBA, é contemporâneo de Ygaiara, Isomar, Maurício, Ziraldo, Nico Rosso, Sérgio Lima, Gedeone, Orlando Pizzi, Edmundo Rodrigues, Jayme Cortez, Flávio Colin, Shimamoto e vários outros.

Generoso, Cedraz concedeu entrevista exclusiva a Alexandre (Xande) Rego de Autores & Leitores, nestes dias que antecedem o carnaval de 2007:

A&L: Fale um pouco sobre o baiano de Miguel Calmon, quando nasceu, de sua família e de sua vida quando criança.

Cedraz: “Nasci em 04 de maio de 1945 na fazenda Pau Ferro, município de Miguel Calmon. Quando criancinha, meus pais foram morar numa vila chamada Itapeipú. Lembro-me bem de minha gostosa infância. Acordava, ia ajudar meu pai na labuta com o gado, voltava, ia para a escola e, após as aulas, ia me divertir naquelas brincadeiras que não existem mais. Andava a cavalo, tomava banho nas lagoas e depois apartava o gado para meu pai tirar leite na manhã seguinte. Estudava e trabalhava, não tinha esse negócio de que criança não podia trabalhar. Eu tinha minhas obrigações e responsabilidades e me divertia muito.”

A&L: Quando se deu o "encontro" com os quadrinhos e quais eram seus preferidos àquela época?

Cedraz: “Com 10 anos minha família mudou-se para Jacobina. Em Jacobina eu encontrei três coisas que me fascinaram: Cinema, revistas de histórias em quadrinhos e os livros. Eu lia tudo que chegava as minhas mãos. Como não tinha mesada, eu ganhava um dinheirinho fazendo pequenos serviços como engraxar sapatos e outros.”

A&L: Quem "nasceu" primeiro, o professor ou o desenhista? Como e quando se deu isto?

Cedraz: “O desenhista. Com 16 anos (mais ou menos) vi um rapaz desenhando e peguei papel e lápis e também fiz um desenho. Mostrei o meu desenho ao rapaz (Uilson Morais) e ele começou a me incentivar e não parei mais. O professor foi apenas porque em Jacobina, naquela época, era o curso mais avançado que existia. Depois, fui ser bancário e me mudei para Salvador, pois queria continuar os estudos e fazer curso superior. Como já era casado e trabalhava no banco o dia inteiro, não pude concluir os estudos e só cursei por dois anos o curso de Artes Plásticas na UFBA.

A&L: Seus quadrinhos têm uma clara ligação com o nordeste, principalmente seu interior. Os personagens criados são inspirados em pessoas ou a imaginação e a criatividade imperam, como por exemplo, a época do cangaço?

Cedraz: “Dizem que o Xaxado é um pouco parecido comigo. A referência ao cangaço foi a imaginação que imperou, pois o cangaço está forte na memória do brasileiro. Como fiz um personagem com o chapéu de cangaceiro, tive que inventar uma historinha de que ele era neto ou bisneto de um cangaceiro que viveu com o lendário Lampião.

A&L: Quando você se refere à "Turma do Xaxado", você sempre usa o termo "nós". O que ou quem é (são) a "Turma do Xaxado"?

Cedraz: “No início era só eu quem fazia tudo, mas depois fui formando uma equipe e criando novos personagens. Na criação desses outros personagens tive participação dos colaboradores. Hoje no estúdio somos seis (Sidney Falcão, Vitor Souza, Tom Figueiredo, Mariel Viana e minha filha Claudia). Como eles todos não podem assinar os desenhos, eu acho melhor usar o termo “nós” para dizer que a Turma do Xaxado não é uma criação só minha.”

A&L: Há mercado para as tirinhas e os quadrinhos no Brasil? Quem lê quadrinhos são apenas as crianças?

Cedraz: “O mercado de tiras no Brasil está cada vez mais restrito. Ainda é dominado pelas tiras estrangeiras, principalmente americanas. Os diretores dos jornais acham que o Brasil continua uma província dominada e que se é bom para o estrangeiro é bom para o Brasil. Essas personagens tacanhas continuam impedindo que as idéias genuinamente brasileiras prosperem e assim ficam restritos a poucos leitores. Nas tiras do Xaxado, como são feitas para jornais, procuro retratar situações que agradam mais aos adultos. As histórias das revistas são dirigidas mais para as crianças. Segundo a escritora e contadora de histórias Mabel Veloso (irmã de Caetano Veloso), a Turma do Xaxado não é só para criança inteligente, é principalmente para os adultos que estão deixando de pensar corretamente.”

A&L: Você disse que ainda não alcançou o sucesso, em recente entrevista, mas é considerado o "Maurício de Sousa" do Nordeste. Como é ser comparado ao grande e mais conhecido desenhista brasileiro?

Cedraz: “O sucesso que me refiro é ganhar dinheiro para viver e manter a equipe, com um salário razoável. O estúdio se paga, mas, sempre estamos passando por sustos. Quanto a ser o “Maurício de Souza” do nordeste, não gosto desse título, pois faz parecer que o Xaxado é um grande sucesso, o que não é verdade.”

A&L: O que você diria a quem está interessado em começar a fazer quadrinhos no país e quais são seus projetos para curto, médio e longo prazo com suas tirinhas e desenhos?

Cedraz: “Para quem está começando, o segredo é gostar de ler para ter boas idéias, estudar vários tipos de desenhos e trabalhar muito. Muito mesmo! Meus projetos para esse ano são o de publicar outros livros e atingir um público maior. Estou investindo em projetos nas escolas, acredito que as escolas são um grande aliado na divulgação desse trabalho. Pretendo arranjar uma pessoa que cuide do marketing dos personagens, pois acho que a nossa penetração é muito pequena e precisamos crescer. Tenho também proposta para levar os personagens para a TV e o teatro.”

A&L: Quando veremos a "Turma do Xaxado" no cinema, sua outra grande paixão? Há mercado para desenhos no cinema nacional?

Cedraz: “Vai demorar muito. É o sonho de todo autor ver seus personagens na telona e até na telinha.”

A&L: Qual sua perspectiva em expor seus trabalhos no portal Autores & Leitores e como se deu seu ingresso no portal?

Cedraz: “O portal Autores & Leitores me acolheu com muito carinho e foi uma forma de trocarmos experiências e podermos conseguir difundir mais os nossos trabalhos. O Xaxado ajuda o portal a ter mais opções e portal ajuda o Xaxado a ficar mais conhecido. Agradeço muito por essa troca que é muito positiva para todos. Muito obrigado.”



LEIA as tirinhas da Turma do Xaxado.



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