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Entrevista com NILZA AMARAL

Foto de NILZA AMARAL

Nilza Amaral, Professora de Literaturas Brasileira e Portuguesa e Língua Inglesa, Autora premiada no Brasil e exterior, além de Incentivadora de atividades literárias, através da coordenação e promoção de oficinas e palestras.

A autora de “O dia das lobas” e “O Florista”, dentre outros grandes sucessos, dedicou uma parte de seu concorrido tempo para falar a Silvino Bastos, Administrador do portal  Autores & Leitores, sobre sua vida e seu trabalho. A autora também nos confirma sua futura participação em um importante projeto, ora em desenvolvimento no nosso portal.

Autores & Leitores: Seu currículo dispensa apresentações: educadora, escritora reconhecida no meio literário, muitos prêmios conquistados, diversos livros publicados, além de uma intensa participação em atividades culturais. Como é a pessoa que está por trás deste currículo fantástico?

Nilza Amaral: “A pessoa que se esconde atrás desse curriculo é um "ser-aí", como diria Heidegger, o  filósofo alemão.
Estou aqui, sou um ser do mundo, vivo o momento, não faço planos, tenho um objetivo: escrever, escrever, escrever. No mais, sou muito comum, uma mulher afetuosa, com filhos e netos. Dizem que a minha literatura é um soco no estômago, outros, adeptos da literatura gótica, dizem que sou a dama sangrenta da literatura, devido a esse meu lado "dark" e a mania de falar de vampiros, lobas e bruxas. Esse lado rendeu até uma tese de mestrado da UCLA de Caroly Kendrick, a ser publicada.
Mas não é nada disso, sou uma criatura angelical, que passa a vida escrevendo histórias.

A&L : É consenso geral de que "o brasileiro lê muito pouco". Como a educadora Nilza Amaral vê essa afirmação?

Nilza Amaral: “O brasileiro lê pouco sim, talvez porque o livro seja caro, talvez por falta de incentivo, ou motivação, ou porque ache mais fácil ler na internet, porque não usa a imaginação, não consegue se encontrar dentro do universo do livro como uma personagem, enfim, os motivos são muitos. E a maioria não lê por uma questão dolorosa: o anafalbetismo.

A&L : Na sua opinião, o que deve ser feito para mudar esse cenário?

Nilza Amaral: “Essa é uma pergunta filosófica. O Brasil não é um país cultural, os brasileiros não possuem memória histórica. A resposta envolve educação, metas educacionais, melhores escolas, escolas para todos. E, principalmente, hábito de leitura no lar.

A&L : Você iniciou sua carreira de escritora através de um concurso literário. Como você vê os concursos literários? Você os considera como uma opção válida para quem está iniciando? Que conselho você daria a quem pensa nesta opção?

Nilza Amaral: “Nós da União Brasileira de Escritores, hoje sou 2a.vice-presidente, achamos os concursos viáveis por proporcionar ao escritor novo a chance de ser publicado. Também porque a competição saudável movimenta o metabolismo e quem participa de concursos, sejam quais forem eles, quer ganhar, então já vale pela adrenalina da expectiva. Entretanto, somos contra, e eu concordo, concursos com taxas de inscrição, ou concursos sem expressão, isto é, sem ter o apoio de uma instituição séria quanto ao objetivo cultural.

A&L : “O dia das lobas” já esgotou sua 3a. edição, além de já ter um roteiro pronto para cinema e “O Florista” está em negociação para ser publicado em alemão. Quais são suas expectativas em relação a esse sucesso?

Nilza Amaral: “Complementando, “O Florista”, que recebeu o Prêmio Maestrale, na Itália, em 2003 e que será lançado, em espanhol, em Cuba, em fevereiro de 2008, está na Alemanha através de um agente literário, mas ainda sem previsão de data.
 Quanto a expectativas, eu não viso o sucesso, pois não saberia o que fazer com ele. Escrevo por compulsão, é um caso de vida ou morte. Na verdade, a literatura é o elixir de minha vida. Ser editada em outra língua me traz prazer, pessoal, de saber que culturas diferentes terão acesso ao meu livro, isto já é satisfatório.

A&L : Atualmente, você busca patrocínio para seu novo romance “Demônios e Garoa”. Fale-nos sobre esse projeto.

Nilza Amaral: “É um belo projeto! Através da ficção, enfocamos, eu na parte de texto, um fotógrafo na parte da memória de Sampa, e um cineasta, todos os momentos desde 1920 até hoje. Evocamos a música das diversas épocas, a moda, as efemérides, a filatelia. Na verdade, é um documento de memória de um passado do qual já não existem vestígios. Tudo mudou, até os cemitérios, famosos pelas esculturas que abrigavam.

A&L : A Lei Rouanet se propõe a ajudar autores a conseguir patrocinadores. Você já fez uso dela? Se negativo, porque?

Nilza Amaral: “Não tenho paciência para esse tipo de coisa. Prefiro os mecenas mais diretos e mais rápidos. Meu livvro “O Florista” foi patrocinado por uma indústria.

A&L : É possível um(a) escritor(a) viver no Brasil exclusivamente de sua arte? Porque?

Nilza Amaral: “Poucas pessoas conseguem viver finaceiramente da literatura. Não sou uma delas.
Não é possível, a não ser que vc seja considerado uma celebridade, palavra que em nosso país tem definição duvidosa.

A&L : Você participa de algum espaço literário virtual? Caso afirmativo, qual(is)?

Nilza Amaral: “Meus textos são exibidos em páginas de cultura. É fácil de me achar pelo buscador do Google. Posso citar www.gargantadaserpente.com.br e www.germinaliteratura.com.br

A&L : Fale-nos sobre seus planos para o futuro?

Nilza Amaral: “Já não tenho mais futuro, meus planos são para amanhã.

A&L : O portal  Autores & Leitores busca dar espaço para novos autores e autoras, possibilitando conquistar o público leitor. Qual(is) conselho(s) você daria aos nossos associados que estão iniciando este caminho?

Nilza Amaral: “Para se conseguir a atenção do leitor, em primeiro lugar, é preciso saber escrever. O que é isso? Se for no caso do conto, ele precisa ser instigante com desfecho surpreendente, para que o leitor não pare na metade da leitura, que deve ser simples, o saber dominá-la: escolher a palavra adequada, o tema interessante. É fácil, vale o bom senso.
Se for no caso da poesia, o poema deve ser imagético, isto é, o leitor deve ter a facilidade de transformar as palavras em imagens. Em linhas gerais, é isso, há outras regrinhas valiosas, porém o leitor exigente saberá distinguir o joio do trigo.

A&L : O portal  Autores & Leitores abrirá, em breve, um espaço onde autores e autoras conhecidos do público possam se comunicar, periodicamente, com seu público leitor, através de colunas. Você aceitaria nosso convite para participar deste espaço?

Nilza Amaral: “Lógico! O escritor é um ser da comunicação, embora sinta-se melhor escrevendo, escondido atrás de seu PC.

A&L : Agradecemos sua atenção por esta entrevista e lhe pedimos que deixe uma mensagem aos nossos usuários.

Nilza Amaral: “Existem livros que ensinam a curar, outros que defendem a instrução, ou livros de denúncias. Porém, somente os livros ficionais criam universos.
Ao se abrir um desses universos, o leitor estará no papel do personagem, viverá a sua emoção, passeará pelas alamedas da história, mudará seu comportamento, sentirá prazer, dor, amor ou ódio.
Enquanto durar a leitura, durará o prazer. E sentirá tristeza ao deixar  esse  universo. Pensem nisso, essa é a finalidade da leitura, fazer o leitor viajar no espaço e no tempo.

Com o abraço de Nilza Amaral, ficcionista brasileira.





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