![]() Nilza Amaral, Professora de Literaturas Brasileira e Portuguesa e Língua Inglesa, Autora premiada no Brasil e exterior, além de Incentivadora de atividades literárias, através da coordenação e promoção de oficinas e palestras. A autora de “O dia das lobas” e “O Florista”, dentre outros grandes sucessos, dedicou uma parte de seu concorrido tempo para falar a Silvino Bastos, Administrador do portal Autores & Leitores, sobre sua vida e seu trabalho. A autora também nos confirma sua futura participação em um importante projeto, ora em desenvolvimento no nosso portal. Autores & Leitores: Seu currículo dispensa apresentações: educadora, escritora reconhecida no meio literário, muitos prêmios conquistados, diversos livros publicados, além de uma intensa participação em atividades culturais. Como é a pessoa que está por trás deste currículo fantástico? Nilza Amaral: “A pessoa que se esconde atrás desse curriculo é um "ser-aí", como diria Heidegger, o filósofo alemão. A&L : É consenso geral de que "o brasileiro lê muito pouco". Como a educadora Nilza Amaral vê essa afirmação? Nilza Amaral: “O brasileiro lê pouco sim, talvez porque o livro seja caro, talvez por falta de incentivo, ou motivação, ou porque ache mais fácil ler na internet, porque não usa a imaginação, não consegue se encontrar dentro do universo do livro como uma personagem, enfim, os motivos são muitos. E a maioria não lê por uma questão dolorosa: o anafalbetismo.” A&L : Na sua opinião, o que deve ser feito para mudar esse cenário? Nilza Amaral: “Essa é uma pergunta filosófica. O Brasil não é um país cultural, os brasileiros não possuem memória histórica. A resposta envolve educação, metas educacionais, melhores escolas, escolas para todos. E, principalmente, hábito de leitura no lar.” A&L : Você iniciou sua carreira de escritora através de um concurso literário. Como você vê os concursos literários? Você os considera como uma opção válida para quem está iniciando? Que conselho você daria a quem pensa nesta opção? Nilza Amaral: “Nós da União Brasileira de Escritores, hoje sou 2a.vice-presidente, achamos os concursos viáveis por proporcionar ao escritor novo a chance de ser publicado. Também porque a competição saudável movimenta o metabolismo e quem participa de concursos, sejam quais forem eles, quer ganhar, então já vale pela adrenalina da expectiva. Entretanto, somos contra, e eu concordo, concursos com taxas de inscrição, ou concursos sem expressão, isto é, sem ter o apoio de uma instituição séria quanto ao objetivo cultural.” A&L : “O dia das lobas” já esgotou sua 3a. edição, além de já ter um roteiro pronto para cinema e “O Florista” está em negociação para ser publicado em alemão. Quais são suas expectativas em relação a esse sucesso? Nilza Amaral: “Complementando, “O Florista”, que recebeu o Prêmio Maestrale, na Itália, em 2003 e que será lançado, em espanhol, em Cuba, em fevereiro de 2008, está na Alemanha através de um agente literário, mas ainda sem previsão de data. A&L : Atualmente, você busca patrocínio para seu novo romance “Demônios e Garoa”. Fale-nos sobre esse projeto. Nilza Amaral: “É um belo projeto! Através da ficção, enfocamos, eu na parte de texto, um fotógrafo na parte da memória de Sampa, e um cineasta, todos os momentos desde 1920 até hoje. Evocamos a música das diversas épocas, a moda, as efemérides, a filatelia. Na verdade, é um documento de memória de um passado do qual já não existem vestígios. Tudo mudou, até os cemitérios, famosos pelas esculturas que abrigavam.” A&L : A Lei Rouanet se propõe a ajudar autores a conseguir patrocinadores. Você já fez uso dela? Se negativo, porque? Nilza Amaral: “Não tenho paciência para esse tipo de coisa. Prefiro os mecenas mais diretos e mais rápidos. Meu livvro “O Florista” foi patrocinado por uma indústria.” A&L : É possível um(a) escritor(a) viver no Brasil exclusivamente de sua arte? Porque? Nilza Amaral: “Poucas pessoas conseguem viver finaceiramente da literatura. Não sou uma delas. A&L : Você participa de algum espaço literário virtual? Caso afirmativo, qual(is)? Nilza Amaral: “Meus textos são exibidos em páginas de cultura. É fácil de me achar pelo buscador do Google. Posso citar www.gargantadaserpente.com.br e www.germinaliteratura.com.br” A&L : Fale-nos sobre seus planos para o futuro? Nilza Amaral: “Já não tenho mais futuro, meus planos são para amanhã.” A&L : O portal Autores & Leitores busca dar espaço para novos autores e autoras, possibilitando conquistar o público leitor. Qual(is) conselho(s) você daria aos nossos associados que estão iniciando este caminho? Nilza Amaral: “Para se conseguir a atenção do leitor, em primeiro lugar, é preciso saber escrever. O que é isso? Se for no caso do conto, ele precisa ser instigante com desfecho surpreendente, para que o leitor não pare na metade da leitura, que deve ser simples, o saber dominá-la: escolher a palavra adequada, o tema interessante. É fácil, vale o bom senso. A&L : O portal Autores & Leitores abrirá, em breve, um espaço onde autores e autoras conhecidos do público possam se comunicar, periodicamente, com seu público leitor, através de colunas. Você aceitaria nosso convite para participar deste espaço? Nilza Amaral: “Lógico! O escritor é um ser da comunicação, embora sinta-se melhor escrevendo, escondido atrás de seu PC.” A&L : Agradecemos sua atenção por esta entrevista e lhe pedimos que deixe uma mensagem aos nossos usuários. Nilza Amaral: “Existem livros que ensinam a curar, outros que defendem a instrução, ou livros de denúncias. Porém, somente os livros ficionais criam universos. Com o abraço de Nilza Amaral, ficcionista brasileira. ENVIE esta página para um(a) amigo(a). Autores & Leitores
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