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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 1 - Pescaria

      Desde que perdera sua mãe há quase cinco anos, Luiz passou a estudar em um colégio interno e a sua rotina se mantivera praticamente inalterada durante todo esse tempo. A cada duas semanas, seu pai o visitava, levando-o a passeios nos finais de semana. Dos passeios que faziam, os que mais lhe agradavam eram as pescarias, quando os dois ficavam a sós e se manifestava um intenso relacionamento pai e filho.

      Aquele final de semana seria especial, pois haveria um feriado na Segunda-feira seguinte e ele teria o seu pai somente para ele durante três dias inteiros.

      A Sexta-feira passou lentamente, mas chegou a noite e com ela o pai de Luiz. Cansado pela longa espera, Luiz estava muito sonolento e, por mais feliz que se encontrasse naquele momento, só conseguiu esboçar um fraco sorriso, dar um apertado abraço em seu pai e, em seguida, cair em seus braços, em sono profundo.

      Flávio estava ansioso para passar algum tempo com seu filho e, mesmo exausto com a viagem e todos os problemas que enfrentara durante aquela semana atribulada, decidira rumar para o local da pescaria ainda naquela noite.

      Na manhã seguinte, ainda sonolento, Luiz acordou surpreso com o local escolhido por seu pai:

- Puxa papai, que lugar fantástico!
- Esta fazenda é de um amigo meu. - disse Flávio - Ele a emprestou por todo o final de semana prolongado e me disse que nós poderíamos ficar aqui no chalé do lago, onde há um cais e uma potente lancha. A geladeira e a despensa estão abastecidas e, assim, não precisaremos nos preocupar com a comida.

      Fantástico era uma das poucas palavras que poderiam descrever aquele lugar. Uma fazenda localizada em região serrana, cheia de árvores, pastos e um lago imenso, cuja água era constantemente renovada por um rio que descia de uma montanha próxima. O lago era algo impressionante. Devido às suas imensas dimensões, mesmo com o desembocar do rio, sua superfície mantinha-se serena, como que um gigantesco espelho a refletir o firmamento. Levava-se quase uma hora para atravessá-lo de lancha, mesmo a uma velocidade considerável.

      Flávio também explicou a Luiz que a área do lago era uma região exclusiva do proprietário e que ali nenhum dos empregados da fazenda iria importuná-los, principalmente pelo fato de haver uma série de obstáculos naturais que os separava da área produtiva da fazenda.

- Papai, que tal iniciarmos logo nossa pescaria?
- Calma filho! Antes de mais nada, precisamos nos alimentar. Vamos até a copa!
- Mas papai, eu não estou com fome! - disse Luiz, demonstrando claramente sua ansiedade pela pescaria.
- Tudo bem! Mas eu estou e, por nada desse mundo, deixaria de beber uma bela xícara de café, acompanhada de algumas torradas. Gostaria muito que você ficasse comigo enquanto tomo o meu café - disse Flávio, na tentativa de persuadí-lo a se alimentar.

      Após mais alguma insistência, os dois foram até a copa e lá ficaram por quase uma hora, entre algumas beliscadas por parte de Luiz e uma longa conversa, para compensar o período em que ficaram sem se ver. Acabado o desjejum, iniciaram os preparativos para a tão esperada pescaria.

      Ao lado do chalé havia um grande galpão, um misto de oficina e garagem, onde também estava a lancha que seria usada na pescaria.

      Por cerca de uma hora ficaram os dois entretidos nos preparativos para a pescaria. Tudo foi previsto nos mínimos detalhes: diversos tipos de iscas, anzóis dos mais variados tipos e modelos, um bom estoque de sanduíches, para que pudessem ficar por conta do evento durante todo o dia.

      Após terem preparado o material, desceram a lancha até a água, equiparam-na, embarcaram e deram a partida. O forte ronco dos potentes motores de popa quebrou o silêncio do local. Flávio observou que, uma vez escolhido o local da pescaria, seria necessário um considerável período de espera para que os peixes se recobrassem do susto decorrente do barulho da lancha e voltassem à normalidade.

      Depois da pescaria, tomaram um banho morno, colocaram roupas quentes e passaram a noite do Sábado do lado de fora do chalé. Fizeram uma grande fogueira para amenizar o frio que fazia. Os dois se divertiram bastante contando diversas histórias. As que mais encantavam Luiz eram as histórias sobre seus primeiros anos de vida, quando ele, Flávio e Alice saíam para passear e o pequeno Luiz começava a mostrar sua personalidade, falando ou fazendo coisas engraçadas.

      Toda aquela conversa, embora bastante divertida, causou uma profunda tristeza em Flávio que, muitas vezes, sentia saudades dos tempos difíceis, porém muito felizes, quando ele e Alice faziam planos para a chegada de Luiz e tentavam espremer o orçamento doméstico para que pudessem preparar o enxoval. Naquela época, seu trabalho como geólogo era duro, forçando-o a ficar semanas inteiras longe de casa. Mas, todo o sacrifício pelo tempo em que ficava fora de casa era muito bem recompensado pelos momentos que passava junto de Alice.

      A sua mudança de fisionomia chamou a atenção de Luiz que perguntou preocupado:

- Papai, está acontecendo algo? Você está triste?
- Não, meu filho. Eu apenas estou cansado e um pouco preocupado com os compromissos que me esperam na próxima semana! - Flávio tentou disfarçar sua tristeza, fazendo força para mudar sua expressão facial.

      Na manhã seguinte, os dois levantaram cedo na tentativa de aproveitar ao máximo o dia ensolarado. Logo após o desjejum, Flávio fez uma proposta a Luiz:

- Tenho planos diferentes para o dia de hoje. Que tal nós variarmos um pouco e deixarmos a pescaria de lado?
- Papai, você bem sabe que eu adoro pescar mas também sabe que eu gosto muito mais de estar junto de você. Por isso, faça a sua proposta! - desafiou Luiz.
- Filho, como nós pescamos uma quantidade absurda de peixes ontem, achei que hoje poderíamos deixar os pobrezinhos em paz. Estou pensando em irmos com o barco até a margem oposta do lago, próximo ao rio que nele deságua. Poderíamos fazer algumas explorações subaquáticas, já que nós também temos material de mergulho. Quando nos cansarmos, poderemos esquiar ou, então, acampar na margem. O que você me diz disso?
- Legal! O que nós estamos esperando? - foi a resposta instantânea de Luiz.

      Após passarem toda a manhã e boa parte da tarde entretidos com a exploração subaquática, resolveram passar o resto da tarde acampados nas proximidades da área explorada. Quando o sol estava para se pôr, resolveram retornar ao chalé, para guardar a lancha, tomar um banho e vestir roupas mais apropriadas, já que a região costumava esfriar muito durante a noite.

      Já era quase uma hora da manhã, quando Flávio propôs que fossem dormir, pois ainda tinham um dia inteiro pela frente, já que planejavam deixar a fazenda somente no início da noite de Segunda-feira.






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