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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 12 - A experiência

      Após um rápido café da manhã, Luiz conversou com alguns membros da equipe, para acertar os últimos detalhes. Carla recomendou que Luiz interrompesse os experimentos se houvesse mais de 10 cm de água sobre o solo. Assim evitaria prejudicar a reflexão do raio do veículo para Tupã I.

      Enquanto Luiz foi se trocar, Fábio dirigiu-se para o seu posto na torre de comando, um dos pontos mais altos de Tupã I. Com boa visibilidade ele poderia até acompanhar o trajeto do veículo por meio de binóculos. Lá chegando, ele iniciou a verificação de todos os equipamentos e do sistema de comunicação. Tudo funcionava às mil maravilhas.

      O traje especial, todo metálico, deixou Luiz com aspecto de um astronauta saído de um filme antigo de ficção científica. Após vestir um macacão totalmente feito com tecido metalizado, Luiz calçou suas botas e luvas, todas feitas do mesmo material. O capacete, também metalizado, foi deixado para ser usado quando já estivesse no veículo. Esse traje, cujos peso e flexibilidade eram comparáveis ao de um tecido comum, fora especialmente projetado para aumentar mais ainda a segurança do piloto. Caso a blindagem do veículo fosse rompida por um raio, o piloto poderia ainda contar com a vestimenta especial, como última proteção.

      Luiz estranhou a presença de tantas pessoas na garagem e o alvoroço que ali estava ocorrendo. Ao ver Henrique, o engenheiro mecatrônico, perguntou-lhe:

- O que está acontecendo para termos tantas pessoas aqui?
- Quando cheguei na entrada da garagem - explicou Henrique - estranhei que os faróis de todos os três veículos estavam ligados. Por questões de segurança, chamei duas pessoas para me acompanharem em uma inspeção. Ao ouvir o que se passava, outras pessoas vieram também.
- Mas o que foi que aconteceu? – perguntou Luiz.
- Para lhe ser franco, eu não sei! Depois de entrar na garagem e comprovar que não havia ninguém, descobri que as baterias dos três veículos estavam com pouquíssima carga.
- Preciso de um veículo dentro de dez minutos!
- Já troquei a bateria de Corisco I pela única reserva que estava carregada. Ela já foi instalada e o computador de bordo está concluindo o programa de auto-diagnose. Até o momento está tudo indo bem!

      Mal o computador de bordo de Corisco I sinalizou a conclusão dos testes, Luiz entrou no veículo e ligou o seu motor. Um grave e forte ronco inundou a garagem. Após colocar o capacete, checar o sistema de comunicações e apertar o cinto, Luiz saiu da garagem. Dentro do veículo, com os vidros fechados, o silêncio era tanto que ele conseguia ouvir o seu próprio coração bater acelerado. Eram 6h45min de uma manhã chuvosa e sombria.

      Ao sair de Tupã I, em meio à forte chuva que caía, Luiz deparou-se com um céu muito escuro. Enquanto dirigia o veículo, vários pensamentos invadiram sua mente. A voz firme de Fernanda trouxe-o de volta à realidade:

- ATENÇÃO! ISTO É REAL! TEMPESTADE NÍVEL 9 SE APROXIMANDO POR SUDESTE!

      O sinal de alerta para todos os membros da equipe fez Luiz acelerar o veículo para se posicionar o mais rápido possível. A hora havia chegado, pensou consigo mesmo. Enquanto aguardava a comunicação decisiva, aproveitou para se comunicar rapidamente com Fábio:

- Tio, aqui está tudo em ordem! O visual é de causar medo. Parece que boa parte do céu vai desabar a qualquer momento. - disse ele, em tom de brincadeira.
- Tudo bem, Luiz! Eu estou lhe acompanhando daqui de cima, mantenha as luzes externas e os seus faróis ligados para que eu possa localizá-lo mais facilmente, a visibilidade está muito ruim.
- Que tal? - disse Luiz, ao acender todas as luzes.
- Agora está ótimo! - disse Fábio - Segundo as informações que estou recebendo de Fernanda, as nuvens mais carregadas estão bem próximas. Vou deixar o canal livre para evitar confundí-lo. Boa sorte!
- Para todos nós, tio! - Luiz encerrou a conversa.

      Cada minuto que passava aumentava a ansiedade de Luiz, já cansado de percorrer com os olhos os indicadores do computador de Corisco I. Embora ele só estivesse há cinco minutos no ponto de espera, parecia-lhe que já havia se passado horas. Mais uma vez a voz de Fernanda interrompeu seus pensamentos:

- RAIO A 2 km EM 0-9-0!

      Luiz disparou no rumo Leste, chegando ao local em 37 segundos. Bastante nervoso, atrapalhou-se no acionamento dos controles do feixe de microondas, retardando alguns poucos segundos. Logo antes de apertar o botão de disparo, percebeu um enorme clarão, seguido de um forte estrondo. O raio havia caído há pouco mais de 500 metros de onde ele estava parado. Antes que ele pensasse em retornar ao ponto de espera, outra mensagem foi ouvida:

- RAIO A 3 km EM 3-1-5!

      Luiz não teve tempo de pensar em outra coisa. Acelerou o veículo, rumando para o novo ponto de coleta. Lá chegando, deu início à seqüência de acionamento, quando o raio descarregou-se em um outro ponto da própria nuvem. Depois de mais algum tempo de espera, Luiz recebeu outra mensagem:

- RAIO A 2 km EM 1-8-0!

- A caminho! - foi a sua resposta imediata.

      Ele não deixaria escapar esse raio, pensou. Acelerou o carro ao máximo, levantando dois jatos d'água atrás das rodas traseiras. Chegando no local em 28 segundos, deu início à seqüência de coleta. Assim que apertou o botão de disparo, sentiu uma forte onda de choque que lhe deu a impressão de que algo muito pesado havia caído sobre o veículo. Ao mesmo tempo, observou um clarão fortíssimo acompanhado de um estrondo ensurdecedor. Meio atordoado com o impacto, tentou organizar os seus pensamentos e comunicou-se com Fábio:

- Tio, conseguimos?
- Tio, está tudo bem? Responda! - O silêncio fez com que Luiz insistisse.

      Como não recebeu nenhuma resposta, ele pensou em retornar para Tupã I, quando escutou:

- Luiz, responda! Informe se está tudo bem!
- Sim, tio! E então conseguimos?
- Podemos dizer que parcialmente. Pelo que pude acompanhar daqui de cima, o raio ricocheteou em você e acabou por descarregar-se na própria nuvem.
- Acho que isso já está indo longe demais! - respondeu Luiz, bastante irritado.
- É melhor você retornar para Tupã I para que possamos fazer uma inspeção no veículo e principalmente na sua antena. – disse Fábio.
- Tudo bem! Estou a caminho.

      Em poucos minutos, Luiz estava entrando na garagem de Tupã I. Henrique, juntamente com uma equipe de mecânicos e técnicos, estava à sua espera. Ele disse a Luiz que toda a inspeção levaria cerca de uma hora e meia. Luiz dirigiu-se para a torre de comando para conversar com seu tio:

- Deve ter sido uma experiência e tanto receber um raio na cabeça. - disse Fábio, brincando com Luiz.
- Foi um susto muito grande, pois eu não imaginava que mesmo uma quantidade tão grande de energia pudesse causar impacto, como se tivesse massa.
- Realmente é algo inesperado. Mas, o deslocamento do ar violentamente aquecido pelo raio pode ter provocado esse impacto sobre o veículo.
- Ah! Por falar em veículo, uma coisa muito estranha aconteceu essa manhã. - disse Luiz, relatando a Fábio o caso dos faróis ligados.
- Eu acho que esse é um fato a ser muito bem esclarecido. Todo o projeto é muito complexo e há uma infinidade de detalhes para serem verificados.
- No fim do dia, Henrique virá procurá-lo para dar uma olhada na gravação das câmeras de vídeo da garagem e dos acessos. Que tal tomarmos um café? - disse Luiz, convidando Fábio.
- Boa idéia!

      No restaurante os dois conversaram sobre os resultados observados durante o experimento. Ao chegarem no ponto do ricocheteio do raio sobre o veículo, levantaram uma série de dúvidas a respeito do que realmente ocorrera e concluíram que seria necessário uma avaliação mais profunda da situação. Para isso seriam analisados os registros feitos pelo computador de bordo. Quanto à pouca quantidade de raios, Fábio relembrou a Luiz que este fato já era esperado, pois a delimitação de uma área para coleta reduziria sensivelmente o percentual de raios que poderiam ser coletados.

      Passada uma hora, os dois foram até a garagem para saber como estava a inspeção de Corisco I. As informações não eram muito promissoras:

- Constatamos um leve afundamento do teto, em torno da base da antena, o que deverá ter provocado o seu desalinhamento. - disse Henrique.
- Se a base da antena foi afetada, certamente não poderemos usar esse veículo. - afirmou Fábio.
- Depois de consultar a minha equipe, cheguei à conclusão que precisaremos reforçar o teto do veículo, para que isso não aconteça de novo. - informou Henrique - Já mandei que buscassem no estoque todo o material necessário.
- E quanto aos outros dois veículos? - Perguntou Luiz
- Eu mesmo inspecionei Corisco II e III e não encontrei nada de errado neles. As baterias já foram carregadas, os respectivos computadores de bordo já foram acionados e também não encontraram nenhum problema. Eu diria que ambos estão liberados para uso.
- E quanto à necessidade de reforço do teto? - questionou Fábio.
- Acho que o problema ocorrido foi devido ao fato do raio ter ricocheteado no veículo, o que deve ter causado um impacto maior que o esperado. - interveio Luiz, ansioso para voltar à ação.
- Mas essa é uma possibilidade que pode ocorrer novamente! - retornou Fábio, na tentativa de trazer seu sobrinho à realidade.
- Então o que você sugere? - perguntou Luiz.
- Aguardar o reforço do teto de Corisco I, fazer um novo alinhamento da antena e, somente depois disso, retornar aos experimentos. - respondeu Fábio.
- Como você pretende alinhar as antenas com esse tempo? - perguntou Luiz.
- Podemos fazer um alinhamento óptico por laser, aqui mesmo na garagem. A precisão obtida é suficiente aos requisitos de operação. - respondeu Fábio.
- Então só nos resta saber quanto tempo teremos que esperar pelo reforço do teto.
- Segundo Henrique, serão necessárias umas três horas para que o veículo esteja pronto para retornar aos experimentos.
- Acho que não temos saída. Vamos dispensar o pessoal para o almoço. Logo em seguida, eu gostaria de reunir a equipe para fazermos alguns comentários. Peça ao Henrique para providenciar uma cópia dos registros do computador de bordo de Corisco I e também o reforço do teto dos outros veículos. Depois de concluir o primeiro, é claro!
- Certo chefinho! - foi a resposta de Fábio.

      Durante o almoço, foi possível acompanhar o rigor da tempestade que lá fora acontecia há algumas horas. O céu totalmente escuro era iluminado em um ponto ou outro pelos fortes relâmpagos que saltavam entre nuvens ou destas para o solo. Os trovões estremeciam a grande janela envidraçada do restaurante.

      Após o almoço, todos os membros da equipe, com exceção de Henrique, se reuniram em torno da mesa de Luiz e Fábio. Carla deu início à conversa:

- Estou muito preocupada com o alinhamento das antenas. Conforme pude verificar nos registros, o impacto foi forte o suficiente para afundar o teto do veículo.
- Calma! O afundamento é imperceptível a olho nú! - respondeu Luiz, na tentativa de evitar que aquela notícia pudesse assustar os demais membros da equipe.
- É verdade, mas foi o suficiente para desalinhar a antena em quase meio grau. - respondeu Carla.
- Isso não é motivo para se preocupar, pois os experimentos foram interrompidos justamente para que Henrique e sua turma pudessem reforçar o teto dos veículos. Ele já deve estar acabando. - disse Luiz - Quanto ao alinhamento, faremos um alinhamento óptico, cuja precisão atende às nossas necessidades.
- Infelizmente, não pude fazer nenhuma observação quanto ao desempenho da estrutura de Tupã I, - disse Antonio - já que você não conseguiu acertar nenhum raio em nós.
- Pode ficar tranqüilo que hoje à tarde vocês receberão uma boa quantidade de raios. Eu lhes prometo! - respondeu Luiz sorridente, olhando para Antonio e para todo o pessoal responsável pela parte de armazenamento de energia.
- Gostaria de lembrar a vocês que todas as instruções de segurança devem ser cumpridas à risca! - lembrou Fábio, fazendo menção de mandar o pessoal para os seus postos.
- Vamos retornar aos experimentos e que Deus nos ajude! – encerrou Luiz.

      Luiz embarcou em Corisco I e voltou à área de coleta. Lá ficou aguardando pelas instruções de Fernanda. Alguns minutos mais tarde, foi dado o alarme:

- ATENÇÃO! ISTO É REAL! TEMPESTADE NÍVEL 8 SOBRE A ÁREA DE COLETA!

      Luiz, que já se encontrava no ponto de espera, falou consigo mesmo que dessa vez tudo tinha que funcionar corretamente. Enquanto ele pensava nisso, a voz de Fernanda foi novamente ouvida:

- RAIO A 4 km EM 1-3-5!

      Luiz dirigiu-se ao local determinado e acionou a seqüência de coleta. Novamente, sentiu um forte impacto sobre o veículo acompanhado do clarão e do estrondo. Dessa vez Luiz se manteve atento e acompanhou as indicações no painel do veículo, que informavam que a seqüência de envio de energia tinha sido cumprida integralmente.

- Até que enfim! - pensou Luiz - Vamos ver como o pessoal em Tupã I se saiu.
- Tio, gostaram do presentinho? - perguntou Luiz.

      Como não recebeu nenhuma resposta, Luiz resolveu aguardar alguns segundos e tentar novamente. Nesse ínterim, ele cogitou de haver alguma influência da descarga elétrica sobre o sistema de comunicações, pois da outra vez acontecera esse mesmo estranho silêncio. Ao tentar pela segunda vez, recebeu uma resposta:

- Dessa vez foi no alvo! Mas o processo de armazenamento não funcionou como esperado e o sistema de segurança drenou toda a energia para fora da estação, dissipando-a no lago. Você precisava ver a quantidade de vapor d'água que saiu do lago, parecia um gigantesco gêiser. - foi a resposta excitada de Fábio.
- Então nada feito ainda? - perguntou Luiz.
- Temos em nossas mãos um sistema complexo que ainda precisa de ajustes.
- Será que não poderíamos tentar mais uma vez?
- Embora não seja exatamente o que você esperava, eu acho que precisaremos dar uma parada técnica pois essa foi a primeira vez que um raio atingiu Tupã I. Precisamos saber como a estrutura se comportou e o que foi que aconteceu.
- Estou voltando!

      O resto daquela tarde fora usado para avaliações do experimento. Era necessário que as causas do mau funcionamento fossem identificadas para que pudessem ser corrigidas. Esse trabalho poderia tomar dias, mas tinha que ser feito! Mas os resultados não indicavam somente más notícias. Antonio entregou a Luiz um relatório sobre o comportamento da estrutura de Tupã I:

- Luiz, agora que você melhorou a sua pontaria, finalmente eu consegui fazer o meu trabalho.
- E o que você conseguiu?
- As notícias não poderiam ser melhores! Tudo está em ordem. A estrutura comportou-se muito bem. Toda a cabeação elétrica, incluindo os dutos de captação de energia, funcionaram conforme previsto.
- Não houve nenhum problema?
- Absolutamente não! Esta parte da Unidade foi muito bem projetada. - respondeu Antonio fazendo menção à sua participação no projeto de Tupã I.
- Esta é uma excelente notícia! - respondeu Luiz.
- Pena que nem tudo ocorreu desta maneira. - pensou Luiz.

      Chateado por interromper os experimentos, Luiz informou a todos que os testes estavam suspensos até segunda ordem. Enquanto isso, a turma da manutenção entrou em cena para fazer o seu serviço. Naquela noite, Henrique procurou Luiz:

- Verifiquei a gravação das câmeras de segurança diversas vezes e não encontrei nada. Sinto muito! - disse Henrique aborrecido.
- Então podemos concluir que se trata de um maldito bug no programa do computador de bordo?
- Não temos outra escolha! Eu também dei uma boa olhada na listagem do módulo de controle dos faróis e não encontrei nada que pudesse acioná-los expontaneamente.
- Então temos mais um mistério para resolver?
- Eu não diria que é um mistério, mas algo bastante curioso. Vou continuar tentando encontrar uma resposta. Boa noite! - Henrique se despediu.

      À noite, Luiz pediu para que os físicos e os engenheiros eletricistas estudassem o programa de controle do armazenamento de energia e de segurança, e que verificassem quais poderiam ser as razões deste último ter sido acionado. Depois disso, foi conversar com Fábio:

- Tio, tem algo que está me intrigando.
- O que é?
- Desde que começamos os testes, uma série de fatos estranhos vêm acontecendo de um modo, digamos, bastante misterioso.
- Como assim?
- Os problemas que vêm ocorrendo não me parecem ser obra do acaso, mas algo forçado por alguém.
- Você não acha que está fantasiando para não ter que encarar uma realidade difícil, meu sobrinho?
- Se juntarmos alguns fatos ocorridos na última semana, poderíamos identificar uma série de acontecimentos sem uma explicação aceitável.
- Quais são estes fatos?
- Poderíamos começar pelo satélite meteorológico que, embora uma referência nacional, esteve transmitindo informações desatualizadas durante um bom tempo. Depois, os veículos apareceram com todos os faróis ligados, o que causou a descarga de suas baterias, justamente na hora em que eles seriam utilizados. Depois, um raio ricocheteia no teto do veículo e, por último, o sistema de segurança, inexplicavelmente, joga fora toda a energia que conseguimos coletar. Tudo isso ocorreu justamente quando iniciamos nossos experimentos. Algo me diz que há pessoas que não querem que cheguemos a um resultado positivo.
- Vamos devagar com isso! Acho que você está se deixando abater por uma série de resultados negativos e querendo se justificar com essa possibilidade absurda de "pessoas mal intencionadas".
- Talvez eu esteja sendo um pouco exagerado, mas fechar os olhos para a possibilidade de haver pessoas que não queiram o nosso sucesso é achar que a vida é um mar de rosas, sem competição, espionagem industrial e tudo aquilo que todos nós sabemos que existe. Não posso deixar de considerar essa possibilidade!
- Tudo bem! Acho que devemos apurar com rigor todos esses fatos estranhos, mas sem neurose, concorda?
- Tudo bem! Concordo.
- Então conte comigo para lhe ajudar nessa apuração. – disse Fábio.

      Luiz retirou-se para tomar um banho e cair na cama. Ele estava tão abatido com os fracos resultados obtidos, que havia até dispensado o jantar.

      Para a alegria de Luiz, logo no início da manhã ele fora procurado por Hélio, um dos físicos, que lhe trazia uma boa notícia:

- Desculpe-me por vir importuná-lo aqui em seu alojamento nesta hora da manhã, mas eu achei que você gostaria de saber que encontramos e já corrigimos o defeito no programa do sistema de segurança.
- O que era?
- Bom, é meio complicado, mas eu poderia resumir o problema lhe dizendo que o programa usava um valor de referência incorreto. Toda energia que fosse recebida seria jogada fora, a menos que ela excedesse um dado valor. Ou seja, o sistema de segurança estava funcionando ao contrário e só reteria uma quantidade de energia muito superior à nossa capacidade.
- Então você está me dizendo que se recebêssemos uma quantidade de energia muito grande...
- O sistema de segurança deixaria passar para o sistema de armazenamento e nós poderíamos ir pelos ares.
- Mas isso é muito grave! - afirmou Luiz bastante surpreso.
- Sim, mas parecia ser um erro muito sutil que deve ter passado desapercebido pelos supervisores e, além de tudo, teríamos um segundo sistema de segurança, independente do primeiro, que entraria em ação se aquele falhasse. E, então, na verdade, toda a energia seria também drenada para fora da estação. Assim, estaríamos seguros! - informou o físico, entregando alguns papéis e um envelope a Luiz - Eu fiz um pequeno relatório sobre esse problema para que você possa ler mais tarde. Ah! Será que você poderia me fazer um favor?
- Claro! Qual é o favor?
- Você poderia encaminhar esse envelope para a empresa? É um relatório que eu esqueci de entregar da última vez que estive com eles. - esclareceu Hélio.
- Sim! Eu providenciarei o seu envio junto com o próximo malote.

      Luiz despediu-se de Hélio e foi para o restaurante. Afinal, ele estava faminto. Lá chegando, ele encontrou Fernanda, que também tinha boas notícias:

- Temos uma enorme tempestade chegando! Em algumas horas ela estará sobre nós!
- Excelente! Então poderemos entrar em ação novamente!
- Sim! Deveremos receber as primeiras descargas elétricas em duas ou três horas.
- Ótimo! Teremos algum tempo para nos preparar.

      Assim que acabou o seu café, Luiz fez um comunicado a todos os membros para avisá-los das boas novas. Todos deveriam estar em seus postos quando faltasse uma hora para o início da tempestade que estava chegando. Dessa vez, tudo teria que dar certo, pensou Luiz.

      Na hora determinada, Luiz estava a bordo de Corisco II, no ponto de espera. Enquanto aguardava o sinal, Luiz observava a forte chuva que caía sobre o veículo, dificultando bastante a visibilidade do exterior. Seria necessário ligar os faróis auxiliares para que ele pudesse ter uma visão melhor do caminho que deveria percorrer.

      Após mais de meia hora de espera, chegou o alarme:

- ATENÇÃO! ISTO É REAL! TEMPESTADE NÍVEL 8 SE APROXIMANDO PELO SUL!

      Mais alguns minutos e a tão esperada mensagem chegou:

- RAIO A 4 km EM 2-2-5!

      Luiz disparou no rumo sudoeste, acelerando tudo que era possível. Ao chegar no ponto, executou toda a rotina de coleta. Depois dos já esperados efeitos decorrentes da queda do raio, conferiu as indicações do painel do veículo. Elas informavam que todo o processo de coleta e envio tinha sido realizado corretamente. Esperou um tempo e entrou em contato com Fábio:

- E então, tio? Como foi dessa vez?

      Como não recebera nenhuma resposta, resolveu esperar mais algum tempo para tentar novamente. Ainda sem nenhuma resposta, aguardou por mais um tempo e tentou pela última vez. Como nada fora transmitido em resposta à sua chamada, Luiz achou melhor retornar a Tupã I.

      Chovia muito e a visibilidade era baixíssima, obrigando Luiz a percorrer mais lentamente o trecho entre a área de coleta e Tupã I. Ao se aproximar, ele pode divisar que boa parte da fachada estava destruída, exatamente na região onde ficava a torre de comando. À medida que ia se aproximando, avistou alguns clarões que indicavam a ocorrência de incêndio. Muito nervoso, Luiz acelerou o veículo e, ao chegar na garagem, encontrou um verdadeiro caos. O alarme geral tinha sido acionado e havia uma grande correria de pessoas, subindo e descendo as escadas. Uma situação real de emergência estava ocorrendo.






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