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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 14 - Recuperação

      Após conversar longamente sobre amenidades com seu sobrinho, Fábio conduziu a conversa para o acidente. Luiz, que recebera instruções médicas para ter cuidado com as emoções do paciente, tratou do assunto de forma muito vaga:

- Tio, foi realmente um acidente muito sério, mas teremos bastante tempo para falarmos sobre isso. Que tal deixarmos esse assunto para depois? - propôs Luiz.
- Tudo bem! Mas como está o Hélio? Seu estado é muito grave? - perguntou Fábio, ainda sem saber o que acontecera.
- Ele foi internado em um hospital bem mais preparado do que este aqui e os médicos me prometeram que fariam tudo que fosse possível para recuperá-lo o mais breve possível. - Luiz não estava mentindo, mas apenas omitindo os fatos.
- Segundo alguns comentários que eu escutei em Tupã I, ele teve ferimentos muito mais graves do que os meus. - disse Fábio, com uma pontinha de curiosidade.
- Teremos bastante tempo para falarmos sobre isso. Você deve descansar para se recuperar o mais rápido possível, pois eu não pretendo tocar aquele projeto sozinho. - Luiz encerrou a conversa, cobrindo Fábio com um lençol e diminuindo a iluminação do quarto. Ele não se sentia bem em falar daquele jeito com seu tio, mas não poderia lhe dar a notícia da morte de Hélio naquelas condições.

      Luiz estava bastante aliviado da tensão que enfrentara nas últimas horas e já se sentia em condições de equacionar os dois problemas que tinha em suas mãos: a reconstrução de Tupã I e a retomada dos experimentos. Essas atividades deveriam ser precedidas de um contato com a empresa patrocinadora.

      Enquanto aguardava a vinda do pessoal que estava no outro hospital, ele traçou algumas diretrizes a serem seguidas. Assim que o pessoal chegou, Luiz os reuniu. Era necessário preparar um comunicado sobre os fatos ocorridos para ser divulgado a todos em Tupã I, o mais rápido possível. Era de extrema importância que todos fossem bem informados e essas informações deveriam ser provenientes de uma única fonte. Esse expediente evitaria mal-entendidos e suposições indesejáveis, muito comuns quando as informações disponíveis não são claras.

      Uma vez definido o texto do comunicado, Luiz pediu que Henrique o entregasse a Antonio, que deveria convocar uma reunião geral para a sua divulgação. Henrique partiu imediatamente, levando Carla e os dois enfermeiros. Luiz e Fernanda ficariam mais algum tempo no hospital para o acompanhamento da evolução do estado de saúde de Fábio.

      Após divulgar o comunicado e apaziguar os ânimos, Antonio foi para o seu alojamento. Ele se encontrava muito apreensivo, em conseqüência de uma inspeção que havia passado na área acidentada. Com o fogo já debelado e a iluminação novamente restabelecida, Antonio pode melhor avaliar os estragos causados pelo raio transmitido por Corisco II. Toda a estrutura daquele setor de Tupã I havia sido seriamente abalada e sua recuperação exigiria um grande esforço, pois as condições atmosféricas não facilitariam a chegada do material necessário à reconstrução nem do pessoal para executá-la. Bastante cansado com a seqüência de acontecimentos daquele dia atribulado, Antonio caiu no sono.

      Na manhã seguinte, Luiz e Fernanda chegaram a Tupã I com boas notícias a respeito de Fábio. Ele havia passado bem a noite e os exames não revelaram nenhuma lesão interna em seus órgãos. Contudo, por influência de Luiz, Fábio ficaria internado por pelo menos um mês para garantir a sua convalescência. Conhecendo tão bem o seu tio, Luiz convenceu os médicos a mantê-lo no hospital pelo tempo que fosse necessário para a sua total recuperação.

      Naquela mesma manhã chegaram dois representantes da empresa patrocinadora, que havia sido avisada no dia anterior por Luiz. Os dois representantes se reuniram com Luiz e Antonio para decidirem o futuro do projeto.

- Nós viemos aqui como legítimos representantes do Diretor-Presidente da empresa e tudo o que decidirmos terá o seu aval. - declarou um dos representantes.
- Nosso presidente ficou muito preocupado com os últimos acontecimentos. O professor Hélio era uma pessoa muito querida na empresa e bastante respeitada nos meios científicos. A sua morte deverá ser muito bem esclarecida. - disse o outro representante.
- Senhores, eu tenho pleno conhecimento destes fatos e, acreditem, nada aconteceu por negligência ou porque nós tivéssemos agido de maneira impensada. Todos os procedimentos de segurança têm sido seguidos à risca. Em nenhuma ocasião, eu ou qualquer outra pessoa sob a minha responsabilidade esteve correndo riscos desnecessários. - afirmou Luiz.
- Convém lembrar que houve uma falha grave de funcionamento que causou a transmissão do raio para a torre de comando em vez de tê-lo enviado para a antena coletora. - disse um dos representantes.
- O veículo causador do acidente está guardado para que seja feita uma perícia em seus equipamentos. Cabe ressaltar que cada um dos veículos teve seus equipamentos alinhados antes de ser empregado nos experimentos, eu mesmo tive o cuidado de certificar pessoalmente cada alinhamento. - informou Luiz.
- Isso é verdade! Como o funcionário mais graduado da empresa neste projeto, tenho acompanhado de perto o cuidado de Luiz com os aspectos de segurança. Ele nunca negligenciou nenhum procedimento, por mais simples ou óbvio que fosse. Eu sou testemunha do respeito e da preocupação que Luiz tem dispensado à segurança de todas as pessoas neste projeto. - declarou Antonio.
- Contudo, um acidente muito sério ocorreu e, além de uma vida ter sido perdida, um grande prejuízo material foi causado. - declarou um dos representantes.
- Ah! Eu já entendi o discurso de vocês! Mas, se vieram aqui para falar de prejuízos materiais, é melhor encerrarmos essa reunião agora mesmo! - disse Luiz, muito irritado e fazendo menção de se retirar da sala.
- Luiz, eu gostaria que você se sentasse e ouvisse esses senhores. - disse Antonio, em tom conciliador.
- Antes que digam qualquer coisa, eu devo lembrar que não procurei ninguém para bancar esse projeto. Na verdade, eu é que fui procurado e por mais de uma empresa, inclusive! Quando me procuraram, ofereceram uma série de vantagens e até citaram um seguro milionário que cobriria qualquer despesa, prejuízo ou perda de vida. Depois que ocorreu esta grande fatalidade vêm até aqui para falar de prejuízos materiais. - desabafou Luiz, ainda muito irritado.
- Senhor Luiz, peço-lhe que perdoe o meu colega. Talvez ele não tenha se expressado direito. - disse o outro representante, amenizando o clima da conversa - Sua intenção era apenas comentar a extensão do acidente para que, com base nisso, possamos definir uma estratégia a ser seguida daqui para frente.
- Tudo bem! Peço que me perdoem pela minha pouca paciência, pois ontem eu tive um dia muito atribulado e ainda não consegui colocar meu sono em dia.
- Nós compreendemos perfeitamente! Nossa intenção é fecharmos essa reunião com um relatório que permita a tomada de todas as providências necessárias para a recuperação de Tupã I, o mais rápido possível. Isso significa que necessitaremos de todos os subsídios necessários para darmos ciência ao Conselho Diretor da empresa sobre os fatos ocorridos e para que possamos requerer da companhia seguradora a indenização necessária à reconstrução de Tupã I, além da indenização aos familiares de Hélio. - explicou um dos representantes - Precisaremos também providenciar a substituição de Fábio e de Hélio, para completar a equipe. Para isso, será necessário realizarmos a seleção de mais duas outras pessoas, caso você concorde com essa medida.
- Sim! Em função da situação em que me encontro, eu abro mão de participar dessa seleção. - disse Luiz – Eu indico o Antonio para me representar nesse trabalho.
- Pode deixar comigo! - respondeu Antonio.

      Após terem concluído o relatório, a reunião foi encerrada. Depois de tomarem um café, Antonio e os dois representantes, aproveitando uma trégua dada pela chuva, saíram em direção à empresa. Antonio deveria também providenciar todo o material e pessoal necessário à reconstrução das partes destruídas de Tupã I. Seu retorno estava previsto para dentro de uma semana.

      Durante a semana de espera, Luiz preparou uma programação para todo o pessoal que estava em Tupã I. Sua intenção era manter o pessoal preparado para a retomada dos experimentos que, se tudo corresse bem, deveria acontecer dentro de três semanas. Com um pouco de sorte, ainda haveria tempo hábil para efetuar os experimentos dentro daquela temporada de raios. Luiz também aproveitou aquela semana para visitar Fábio, cuja recuperação estava progredindo de forma muito satisfatória. Durante a visita, Fábio tornou a conversar sobre o acidente:

- Como estão as coisas em Tupã I?
- Fizemos uma reunião com representantes da empresa e deveremos reconstruir a parte avariada em duas semanas. - respondeu Luiz.
- Já identificaram as reais causas do acidente? – questionou Fábio.
- Não! Na verdade, a empresa deseja enviar alguns peritos para que acompanhem o trabalho de perícia. Como houve vítimas, a empresa julga importante que essa apuração seja feita de forma clara e transparente. Mas, o que você quis dizer com "reais causas do acidente"? - perguntou Luiz, curioso.
- No dia do acidente, enquanto nos preparávamos, Hélio comentou algo muito semelhante ao que você havia falado comigo na véspera. Ele também suspeita que haja pessoas mal-intencionadas no projeto. Acho muito interessante que você converse com ele. - disse Fábio, ainda sem saber sobre a morte de Hélio.
- Está bem, tio. Mas ele ainda está internado e não deve ser importunado. Você poderia me adiantar algo sobre essa suspeita?
- Ele me disse que tinha provas de que o projeto estava sendo alvo de sabotagens. Na hora, eu não dei muita importância mas, durante todo esse tempo de internação aqui, juntei algumas peças e montei um curioso quebra-cabeças.
- Como assim?
- Tudo o que você me disse na véspera do acidente faz sentido! Realmente um série de fatos estranhos têm ocorrido sem uma explicação aceitável. Acho que é fundamental que você fale com Hélio, tão logo esteja autorizado pelos médicos. Para adiantar o expediente, dê uma boa vasculhada no seu alojamento.
- Mas o que eu devo procurar?
- Se eu bem me lembro, ele havia comentado sobre um fita. Embora não seja muito, você poderá procurar por uma fita de vídeo ou um fita cassete, embora disquetes e CD-ROM's também possam ser de interesse. Acho que o Hélio não vai se importar com isso, afinal é para uma causa nobre!
- Você tem toda razão, tio! Agora eu preciso retornar para Tupã I. Eu voltarei no próximo dia de visitação. - Luiz se despediu dando-lhe um beijo na testa.

      Depois de quase três horas de viagem sob uma forte chuva, Luiz chegou a Tupã I e foi direto para o alojamento de Hélio. Lá chegando, teve uma grande surpresa. A porta estava aberta e todo o seu conteúdo estava embalado em três caixas lacradas. Sem entender o que estava acontecendo, ele foi procurar por Henrique que havia ficado como seu substituto:

- Henrique, acabei de chegar e constatei que entraram no alojamento do Hélio e mexeram em todas as suas coisas. Você sabe algo a respeito disso?
- Sim. O Geraldo me pediu para juntar as coisas do seu amigo Hélio, para que ele pudesse enviar para a sua família. Com eu não vi mal nenhum nisso e o autorizei a fazê-lo. Há algum problema?
- Sim! - respondeu Luiz muito aborrecido, mas sem conseguir dar uma explicação aceitável para a sua reação - Quero dizer, você não deveria deixar ninguém ter mexido nas coisas dele sem me consultar, pois lá poderiam existir documentos sigilosos.
- Mas os dois trabalhavam juntos e faziam o mesmo trabalho. Se houvesse algum documento importante, tenho certeza de que o Geraldo lhe entregaria. Além do mais, ele pretendia aproveitar o retorno do transporte que deverá chegar aqui amanhã com o pessoal para a reconstrução.
- É, talvez eu esteja me preocupando à toa. Até logo! - Luiz saiu determinado a inspecionar o conteúdo das caixas sem levantar suspeitas.

      Naquela madrugada, Luiz pegou uma caneca cheia de café, dirigiu-se para o alojamento de Hélio e virou todo o líquido sobre as caixas. Feito isso, rapidamente passou a abrir as caixas para procurar a fita. Enquanto, inspecionava a última caixa, foi surpreendido por Geraldo:

- Boa noite! O que você está fazendo a essa hora da madrugada nas coisas do meu amigo falecido? - perguntou Geraldo, em um tom pouco amistoso.
- Eu estava passando por aqui, tropecei e virei todo o meu café sobre as caixas. Preocupado com um possível estrago, resolvi abrí-las para retirar o seu conteúdo. Foi realmente um grande azar!
- Está bem! Mas pode deixar tudo do jeito que está, que eu embalarei amanhã de manhã. Tenha uma boa noite! - respondeu Geraldo, bastante mal-humorado.
- Boa noite! - foi a resposta meio sem jeito de Luiz, que saiu aborrecido por não ter conseguido ver todo o conteúdo da terceira caixa.

      Na manhã seguinte, Luiz voltou ao alojamento de Geraldo para se desculpar e ofereceu-se para ajudá-lo a embalar as caixas. Geraldo agradeceu e disse que cuidaria daquilo sozinho. Luiz não tinha mais argumentos e retornou para o seu alojamento. Como ele conseguiria colocar as mãos na tal fita?

      Muito chateado, Luiz voltou para seu alojamento, deitou-se novamente na cama e lá ficou praguejando a sua má sorte. De repente, olhou para sua mesa e viu o envelope que Hélio havia deixado com ele na manhã do acidente. Ao pegar o envelope, verificou que o mesmo era espesso o bastante para conter uma fita de vídeo e que estava endereçado ao Diretor-Presidente da empresa. Luiz achou estranho que um pesquisador estivesse enviando relatórios diretamente para o executivo mais graduado da empresa, ao invés de encaminhá-lo ao Departamento de Pesquisas. Seguindo um impulso incontido, Luiz abriu o envelope e encontrou uma fita de vídeo, alguns CD-ROM's e uma pasta com algumas páginas de um relatório entitulado "TUPàI". Aquele era o material que ele tanto procurava.






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