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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 15 - Sabotagem

      Luiz trancou-se em seu alojamento e começou a folhear o relatório. Ele reconheceu algumas palavras-chave, concluindo que o relatório estava escrito no mesmo código que ele utilizava nas correspondências com a empresa. Fazendo uso dos CD-ROM's que acompanhavam o relatório e do programa de decodificação instalado em seu computador, Luiz conseguiu extrair o seguinte texto:

INTERFERÊNCIAS PROJETO REALIZADAS CONFORME PREVISTO.

AÇÃO PRONTA ATINGIR NÍVEIS CRÍTICOS.

PROSSEGUIMENTO AGUARDA ENVIO DE INSTRUÇÕES.

      Uma sensação de revolta tomou conta de Luiz. Aquele texto deixava claro que Hélio era um dos sabotadores, a serviço da própria empresa patrocinadora. Como isso não fazia sentido, ele analisou os possíveis motivos para uma empresa querer sabotar o próprio projeto e concluiu que se uma grande empresa, mesmo depois de ter investido uma fortuna em experimentos, comprovasse a impossibilidade de se obter energia limpa a baixo custo, ela teria motivos para abandonar as pesquisas e retornar às suas atividades normais.

      Luiz agora sabia que havia sabotagem e a própria empresa patrocinadora era a responsável. Diante dessa situação, Luiz tomou uma decisão inusitada: todo mundo deveria abandonar Tupã I, o mais rápido possível. Todos deveriam se mudar imediatamente para os alojamentos usados durante a construção. Luiz alegou que assim a reconstrução da torre de comando seria mais rápida. A evacuação do prédio seria feita pelo mesmo transporte que traria o pessoal da reconstrução.

      Depois de acompanhar pessoalmente a evacuação de Tupã I, Luiz providenciou o fechamento de todos os setores da Unidade, deixando acessível somente o setor avariado, os alojamentos e a área de alimentação. Feito isso, Luiz saiu em direção ao hospital, a despeito da forte chuva que caía e da noite que estava chegando. Ele precisava discutir aquele assunto com Fábio o mais breve possível.

      O horário de visitação havia terminado e Luiz foi obrigado a conversar com o diretor do estabelecimento, que concedeu-lhe uma autorização especial. Ao avistar Fábio em seu quarto, Luiz disparou aflito:

- Tio, precisamos tratar de um assunto muito importante!
- Mas o que está lhe atormentando tanto?
- O assunto sobre o qual você me falou ontem, quando eu estive aqui.

      Depois de relatar tudo que encontrara nas coisas de Hélio, Luiz apresentou sua interpretação para as provas da sabotagem e pediu conselhos a Fábio.

- Muito estranho! Contudo, acho que você pode estar se precipitando.
- Tio, não há mais dúvidas! A empresa está nos usando como cobaias para justificar a impossibilidade de se explorar outros meios de obtenção de energia.
- Luiz, você parece estar certo, mas não significa que realmente esteja.
- Não entendi. Você poderia ser mais claro?
- Veja bem! Se um sabotador quisesse mandar alguma informação para a empresa, nunca deveria pedir um favor deste tipo a você.
- Por que não? Eu só descobri o relatório, por que houve o acidente. Caso tudo ocorresse como das outras vezes, eu teria despachado o envelope.
- Mas você precisa considerar que essa sua suspeita surgiu a partir de uma informação fornecida pelo próprio Hélio.
- E se ele tivesse falado aquilo para despistar?
- Veja bem, meu caro sobrinho! Por que um sabotador arriscaria sua missão enviando mensagens através da única pessoa no projeto que tem os meios necessários para decifrar o código utilizado? E se ele estivesse investigando a possibilidade de sabotagem e tivesse confiado as provas a você?
- Mas, tio! Veja com seus próprios olhos. Leia a mensagem você mesmo!
- Será que você interpretou a mensagem de forma correta? - perguntou Fábio, depois de ler atentamente a mensagem.
- Tio, a mensagem informa que tudo está indo conforme planejado.
- Eu acho que você está forçando a interpretação. A mensagem diz que as interferências foram realizadas conforme PREVISTO e não PLANEJADO.
- Que diferença faz? Acho que é uma prova irrefutável!
- Luiz, imagine que a empresa poderia estar desconfiada da ocorrência de sabotagens e, ao PREVER isso, tivesse solicitado que um de seus funcionários de confiança verificasse essa possibilidade.
- Mas, e se você estiver forçando a interpretação a favor da empresa?
- Você também pode estar certo! Vejamos o que podemos fazer para esclarecer essa dúvida. - disse Fábio, pensando em alguma forma de resolver a questão.

      Depois de algumas considerações, Fábio fez uma sugestão a Luiz:

- Por que você não vai até a empresa e entrega pessoalmente ao Diretor-Presidente a correspondência de Hélio?
- Mas que pretexto eu usaria para isso?
- Diga-lhe que Hélio lhe fez inúmeras recomendações sobre o envelope e que você achou melhor levá-la pessoalmente. Demonstre para ele a sua apreensão quanto ao futuro do projeto e diga que, por estar muito preocupado com a possibilidade de ocorrerem outros acidentes, você está pensando em abandonar o projeto.
- Nunca! Eu jamais abandonaria esse projeto no pé em que está! Isso seria loucura! - exclamou Luiz.
- Não quero que você desista da idéia, mas que finja pensar em desistir. Se essa for a intenção da empresa, eles lhe darão todo o apoio para encerrar o projeto e lhe pedirão para atestar que a idéia não é comercialmente explorável.
- E se eles fizerem isso?
- Você terá a confirmação de que eles estão sabotando o projeto. E se essa for realmente a intenção deles, será melhor você sair disso o mais rápido possível.
- Mas, e se eles tiverem uma reação diferente?
- Se a empresa for o alvo da sabotagem, deverá ter uma reação muito próxima à que você acabou de demonstrar e farão tudo para que você continue com o projeto. Neste caso, eles deverão se abrir com você e lhe contar o que está acontecendo.
- Agora eu entendi. Você é um gênio!
- Sim! Agora você pode ligar a TV para mim? - respondeu Fábio.
- Mas claro! Até logo, tio! Trate de se recuperar logo, pois estamos sentindo muito a sua falta. - Luiz se despediu, dando um beijo na bochecha de Fábio.

      Luiz saiu do hospital muito feliz com a solução dada por Fábio e foi direto para Tupã I, procurar por Antonio. Ao chegar no meio da madrugada, Luiz o encontrou junto com a turma da noite, trabalhando a todo vapor. Antonio estava fazendo uma inspeção no andamento da obra, quando foi surpreendido por Luiz:

- Ora, ora! Vejo que o pessoal está levando a sério esse trabalho. - disse Luiz.
- Tivemos ordens expressas para acabar todo o serviço e entregar a obra em até quatorze dias. O Diretor-Presidente virá aqui no décimo-quinto dia. Caso algo dê errado, algumas cabeças irão rolar e a minha deverá ser a primeira. - disse Antonio, demonstrando toda a sua apreensão.
- Não se preocupe! Tenho certeza de que você irá conseguir!
- Eu não gostaria de sair desse projeto por nada desse mundo. Estou ansioso para ver tudo isso funcionando novamente.
- Fico contente em saber que eu não sou o único a querer ver tudo funcionando perfeitamente. - desabafou Luiz.
- O que você quer dizer com isso?
- Nada demais! Eu vim aqui para lhe avisar de que eu precisarei me ausentar por uns três ou quatro dias. Durante esse tempo, você tem toda a liberdade para agir. Apenas mantenha o pessoal lá no alojamento e não permita que ninguém, em nenhuma hipótese, venha para Tupã I. Somente poderão ficar aqui as pessoas que vieram com você para as obras de reconstrução.
- Existe algum motivo para todo esse rigor?
- Não! Apenas quero me certificar que você não terá nenhuma interferência em seu trabalho. - respondeu Luiz, tentando dissimular sua preocupação.

      Luiz tomou um café para espantar o sono e saiu alguns minutos depois, em direção à cidade mais próxima. Na manhã seguinte ele pegou um avião para a cidade onde se localizava a sede da empresa patrocinadora. De tarde, Luiz entrou em contato com a empresa para agendar uma reunião com o Diretor-Presidente. Depois de muita insistência com a secretária, ela o encaminhou até o gabinete do Diretor-Presidente que, ao saber da presença de Luiz, cancelou todos os seus compromissos e o recebeu muito bem.

      Na imensa sala do executivo, a maquete do projeto Tupã I ocupava uma posição de destaque. Luiz entregou o envelope de Hélio e iniciou o seu discurso:

- Senhor presidente, estou trazendo um envelope que o Hélio, no dia do acidente, pediu-me que lhe encaminhasse. Em virtude do seu falecimento, achei melhor vir lhe entregar pessoalmente a encomenda e também lhe apresentar minha apreensão quanto ao rumo que os experimentos têm tomado. - iniciou Luiz.
- Antes que continue, há algumas coisas que você deve saber. - interrompeu o executivo.
- Sou todo ouvidos!
- Nós, juntamente com as outras três maiores empresas de exploração de petróleo do mundo, estamos em uma eterna cruzada na busca de uma solução para o nosso grande problema: o fim das reservas petrolíferas. Todos nós sabemos que isso é apenas questão de tempo. Tempo que deve ser aproveitado, da melhor forma possível, para encontrarmos outra fonte de energia. Aí entra você!
- Como assim?
- Todas as grandes empresas petrolíferas vêm pesquisando formas alternativas de obtenção de energia para quando as reservas de petróleo se esgotarem. A empresa que tiver mais tempo neste outro ramo, dominará o mercado ou, pelo menos, usufruirá do seu pioneirismo. Nós temos investido maciçamente na busca de alternativas. O seu projeto é uma delas.
- Se eu sou apenas mais um, qual é a diferença?
- Você está pesquisando uma alternativa que ninguém havia considerado antes. Isso abriu uma frente de trabalho que atraiu a nossa atenção, isto é, das quatro maiores empresas desse ramo. Desde então, vimo-nos engajados numa disputa acirrada pelo pioneirismo: a primeira a conseguir validar o processo, poderá patenteá-lo e, assim, terá uma grande dianteira sobre as demais.
- Mas eu tenho uma tese de mestrado provando cientificamente o funcionamento do método. - ressaltou Luiz.
- Sim! Mas é apenas um estudo científico!. A patente será fundamentada no fato de que o método deverá ser economicamente viável! Quem provar primeiro essa possibilidade leva o prêmio: exclusividade de uso por uns quinze anos. Devo lhe dizer que todas nós, as quatro maiores, estamos tentando tudo que podemos.
- O senhor está querendo dizer que as outras empresas também estão testando a possibilidade de se obter energia dos raios? - perguntou Luiz surpreso.
- Sim! Posso lhe assegurar que elas não estão muito longe de nós. Contudo, existe um pequena diferença: o seu tio Fábio.
- Como assim?
- Desde que começou a usar a Internet, para pesquisar sobre raios e possíveis formas de captar e armazenar a sua energia, você tem sido acompanhado por nós, isto é, pelas principais empresas petrolíferas. Nos últimos anos temos lançado mão de todos os recursos disponíveis, lícitos ou não, para podermos resolver o nosso problema. Acompanhar as pessoas que buscam informações na Internet, é apenas uma dessas formas. Quando você resolveu fazer o seu mestrado dentro da área de energia, passamos a lhe acompanhar mais de perto. Por isso, exatamente no dia da defesa da sua tese você recebeu uma proposta nossa. Isso aconteceria mesmo que o seu orientador não tivesse divulgado o seu trabalho pela Internet.
- Mas eu recebi mais de uma proposta! - argumentou Luiz.
- Sim, infelizmente não conseguimos impedir todos os concorrentes.
- O que o senhor quer dizer com isso?
- Veja bem, meu rapaz! Estamos em um negócio de grandes fortunas, nossos acionistas exigem de nós o máximo de rentabilidade. Se falharmos, perdemos nossos investidores. Se nós perdermos, governantes poderão cair, pois muitos governos são também nossos acionistas. Em função dessa grande responsabilidade, todos nós somos obrigados a usar de artifícios, nem sempre lícitos, para se manter à frente da concorrência. Uma delas foi impedir a chegada dos representantes de algumas empresas concorrentes com propostas de trabalho para você. Outro recurso também muito comum entre as empresas é sabotar o projeto das concorrentes. Exatamente como estão fazendo conosco!
- Mas então o senhor já sabia disso? - perguntou Luiz.
- Sim! Eu apenas preciso das provas que você deve ter trazido no envelope enviado pelo falecido Hélio para podermos tomar as providências cabíveis.
- Mas o senhor ainda não me explicou o que o meu tio tem a ver com tudo isso.
- Como eu já lhe disse, nós temos acompanhado os seus passos nos últimos anos. Assim, tínhamos certeza de que se tivéssemos você no projeto poderíamos ter o sucesso garantido. Contudo, o armazenamento da energia é só uma parte do problema. A captação do raio é a outra parte, tão complexa quanto a primeira. Essa parte é dominada pelo seu tio que, por não ser adepto da Internet, foi ignorado por nós durante todo esse tempo. Assim, o seu tio é o fator que nos coloca na dianteira do processo de obtenção da energia dos raios.
- Para ser franco, - disse Luiz - eu dei uma boa olhada no material que eu estou lhe trazendo e posso lhe assegurar que podem ser tiradas conclusões bem diferentes de tudo o que o senhor falou até o momento.
- Você pode ser mais objetivo?
- Ao ler o relatório de Hélio, constatei que havia uma mensagem no mesmo código que fui orientado a usar e obtive essa mensagem. - Luiz mostrou a mensagem que ele havia decifrado.
- Vejo que você nos subestimou. Você usou um código parecido, mas não aquele que o Hélio estava orientado para usar. Vamos para o meu computador!.

      O Diretor-Presidente usou os CD-ROM's do envelope e acionou seu programa de decodifição, inserindo a senha "Hélio" e obteve a seguinte mensagem:

Detectadas diversas INTERFERÊNCIAS no PROJETO REALIZADAS por elementos de empresas concorrentes CONFORME havia sido PREVISTO.

Verificado que AÇÃO gradual está PRONTA para ATINGIR elevados NÍVEIS interferência equipamentos CRÍTICOS em breve.

PROSSEGUIMENTO da investigação AGUARDA tomada de providências e ENVIO DE INSTRUÇÕES e equipe de apoio.

- Você pode observar que, existe uma diferença sútil: as suas mensagens são frases com cinco palavras, enquanto o código usado pelo Hélio adotava frases de quinze palavras. - esclareceu o Diretor-Presidente.
- Mas, mesmo assim, a mensagem do Hélio não esclarece nada! - disse Luiz.
- Vamos ver o que contém a fita de vídeo. – respondeu o Diretor-Presidente.
- Lamento lhe informar que a fita só contém filmagens amadorísticas de Hélio com mensagens para sua família.
- Você continua nos subestimando. Hélio era solteiro e não tinha nenhum parente próximo. Para quem ele mandaria mensagens além de mim?
- Agora eu fiquei confuso, pois seu parceiro Geraldo embalou todos os pertences do Hélio para enviar para a família dele.
- Mande-os entrar agora mesmo! - exclamou o executivo, ao atender à sua secretária pelo interfone.

      Logo em seguida, dois homens muito bem vestidos entraram no gabinete do Diretor-Presidente, que os apresentou:

- Estes são os agentes federais Antonio Carlos e José Ricardo. Eles estão nos auxiliando na localização dos sabotadores. A Polícia Federal está nos ajudando na investigação pelo fato de que o nosso governo detém cerca de 45% das ações desta empresa. Como a obtenção de energia a baixo custo também é considerada como assunto estratégico de interesse nacional, os atos de sabotagem em nossos projetos estão sendo considerados como ações contra a segurança nacional.
- Vejo que o assunto é bem mais complexo do que eu imaginei. - declarou Luiz.
- Sim! Mas vamos dar uma olhada na fita de vídeo. - disse o agente José Ricardo.

      Ao ser inserida no aparelho de vídeo, a fita apresentou diversas cenas em que Hélio aparecia passeando por uma área gramada, mandando mensagens para seus filhos e para a sua esposa. Nessas mensagens, Hélio dizia estar com muitas saudades de todos e que, tão logo acabasse aquele trabalho, ele iria passar umas longas férias com a sua família. Depois da mensagem, havia um desenho animado gravado da TV local para os seus filhos. Ao assistir a fita, Luiz exclamou:

- Eu disse que a fita não iria ajudar!
- Calma! Você continua nos subestimando. - disse o Diretor-Presidente.
- Desculpe-me! Mas, por favor, me explique pois eu não estou entendendo nada!
- Um vídeo normal é gravado com trinta quadros de imagem para cada segundo de apresentação. A mensagem foi gravada através de um recurso especial que utiliza apenas um desses trinta quadros em cada segundo de cena. Desse modo, a mensagem não pode ser lida através de um aparelho de vídeo comum. Deixe-me acionar o decodificador para revelar a verdadeira mensagem de Hélio. - declarou o executivo, ativando seu aparelho de vídeo especial.

      Subitamente, a imagem mudou e revelou um Hélio bastante sério que apresentava os resultados de suas investigações:

- Desde o início do funcionamento de Tupã I, eu tenho observado as atitudes estranhas do meu parceiro, Geraldo. - a imagem de Hélio iniciava o seu relatório - Ele costuma se levantar durante a noite e se encontrar com mais algumas pessoas que, segundo pude averiguar, são elementos que fazem parte da equipe de manutenção da Unidade. Essas pessoas não foram checadas com o mesmo rigor usado para averiguar os membros da equipe que trabalharia diretamante no projeto.
- Constatei que a nossa antena de recepção de informações meteorológicas está apontada para um outro satélite que não é o satélite meteorológico nacional. Sugeri à Fernanda que checasse as informações recebidas por outros meios e ela constatou que o satélite estava enviando informações meteorológicas totalmente incorretas. Presumo que isso já possa ser considerado como um ato de interferência. - Hélio usava a palavra interferência em vez de sabotagem.
- Na noite anterior ao primeiro experimento prático, Geraldo passou quase toda a noite fora. Na manhã seguinte, todos os veículos foram encontrados com seus faróis acesos, o que causou a descarga de suas baterias. Esse ato de interferência, teria causado um considerável retardo no início dos experimentos, se o engenheiro Henrique não tivesse descoberto a tempo de providenciar a substituição da bateria de um dos veículos. Contudo, nada foi encontrado na fita de vídeo das câmeras de segurança. É bom lembrar que os elementos que trabalham na manutenção do prédio têm acesso ao sistema de gravação dessas fitas.
- Ao serem iniciados os experimentos, conseguimos receber toda a energia enviada pelo veículo, em uma das vezes, mas curiosamente o sistema de proteção foi indevidamente acionado e toda a energia foi jogada fora. Encontrei alguns vestígios de alterações no programa de controle, inseridos depois da data de inauguração da Unidade. Ao ser questionado pelo Luiz, eu lhe dei uma explicação diferente para que ele não se sentisse ameaçado e pudesse desistir do projeto.
- Estou pesquisando indícios de interferências nas unidades de direcionamento de energia dos veículos, que poderão desviar toda a energia captada para fora da antena coletora. Se esse "raio da morte" for lançado contra a Unidade, boa parte do prédio poderá ser destruída e pessoas poderão sair feridas. É de extrema importância que o pessoal de reforço seja enviado para identificar e retirar esses elementos interferentes. Aguardo o envio de instruções e da vinda do reforço o mais breve possível. - a gravação foi encerrada, mostrando na tela o rosto de Hélio com uma expressão de grande preocupação.
- Eu jamais poderia imaginar isso. - exclamou Luiz.
- Senhores, tudo que acabamos de ver confirmam as nossas suspeitas. Devemos agir o mais rápido possível. - disse o Diretor-Presidente.
- Temos boas notícias para o senhor! - disse o agente Antonio Carlos.
- Pois então fale logo! - respondeu o executivo.
- Conseguimos levantar as fichas de cinco pessoas que estão trabalhando no seu projeto e elas nos revelaram que são elementos de grande periculosidade, quatro deles são procurados pela Interpol por ações subversivas em outros países.
- Mas quem é a quinta pessoa? - perguntou Luiz.
- É o professor Geraldo Campos, que também trabalha há mais de sete anos para uma empresa internacional concorrente. - declarou o agente José Ricardo - Temos provas concretas de que ele participou da sabotagem que resultou no grande acidente ecológico, que deixou essa empresa na berlinda por um bom tempo.
- Mas o que vocês estão esperando para prendê-los? - perguntou Luiz.
- Para que eles sejam presos, sem direito a fiança, é necessário flagrá-los em uma ação de sabotagem. Isso poderá acontecer a qualquer momento. - disse o agente José Ricardo.
- Mas, eu mandei todos para o alojamento provisório, para evitar novas sabotagens. - disse Luiz.
- Então precisaremos fazê-los voltar para Tupã I, o mais breve possível! - disse o Diretor-Presidente - Você agora deve retornar ao projeto e providenciar isso para nós. Caso lhe perguntem, diga que ficou com seu tio durante esse tempo em que esteve fora. Aja com a maior naturalidade possível e fique tranqüilo, pois juntamente com a equipe de reconstrução, foram enviados diversos agentes.
- Esses agentes foram instruídos para ficarem de olho nos suspeitos. Um passo em falso e eles os pegarão. - disse o agente Antonio Carlos.

      Luiz retornou a Tupã I na manhã seguinte. Lá chegando trocou algumas palavras com Antonio e lhe avisou que havia decidido pelo retorno do pessoal. Assim, solicitou que o transporte fosse pegar todos no alojamento provisório.

      Quando a última turma chegou, Luiz convocou uma reunião para lhes informar que havia conversado com seu tio Fábio e que tinha algumas instruções para lhes passar. Informou a todos que, na manhã seguinte, chegaria uma equipe de peritos para inspecionar Corisco II e, depois disso, sugeriu que todos fossem para os seus alojamentos arrumar as suas coisas.

      Por meio de uma senha, Luiz contatou os agentes infiltrados na equipe de reconstrução. Pediu-lhes que ficassem de olho em Geraldo e seus comparsas e que, tão logo os flagrassem em alguma sabotagem, os retirassem de Tupã I com o máximo de discrição possível.

      Na madrugada seguinte, Luiz foi acordado por um dos agentes:

- Senhor Luiz, venha comigo! - disse o agente, quase sussurrando.
- Já estou indo. - disse Luiz, fazendo força para afastar o sono.

      O agente conduziu Luiz até a garagem, onde os outros agentes mantinham muito bem imobilizados Geraldo e mais outras quatro pessoas.

- Encontramos esses senhores aqui na garagem. Eles arrombaram a porta de acesso e estavam mexendo em alguns equipamentos daquele veículo. - disse um dos agentes apontando para Corisco II - Todos os passos deles aqui dentro foram filmados pelas nossas câmeras de visão noturna e as suas conversas foram gravadas por uma série de microfones espalhados neste recinto.
- Até que enfim! - exclamou Luiz com uma grande expressão de alívio.
- O senhor estava certo quando nos pediu que vigiássemos a garagem. - disse um outro agente.
- Eu já imaginava que, depois de receberem a notícia falsa sobre a perícia do veículo, sua primeira ação seria eliminar as provas da sabotagem que causou o acidente, para que nada fosse encontrado. - disse Luiz.
- Senhor Luiz, nós sairemos com esses malfeitores ainda nessa madrugada. Como o tempo está firme, poderemos alcançar a estrada em pouco tempo.
- Como os senhores quiserem! Mas antes sugiro que façam um lanche, pois será uma longa viagem. - disse Luiz.

      Cada um dos agentes, além de Geraldo e seus comparsas, fizeram um lanche reforçado acompanhado de uma grande xícara de café, antes de seguirem para o transporte que os aguardava na saída de Tupã I, estrategicamente preparado para uma eventual saída à noite.

      Luiz os acompanhou até a saída da Unidade e voltou aliviado para o seu alojamento. Aquela noite de sono seria muito especial, pensou. Daquele momento em diante, não mais seria surpreendido por outras sabotagens. Após concluída a reconstrução de Tupã I, tudo estaria pronto retornar aos experimentos.






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