Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores  >  Livros
Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 17 - Transformação

      Após um mês, o sistema de armazenamento continuava funcionando muito bem. Tal como uma garrafa térmica deve manter a temperatura do líqüido em seu interior, sem grandes perdas, o sistema de armazenamento também deveria fazer algo semelhante. Essa capacidade fora comprovada nas semanas que se passaram.

      Nesse período, chegaram diversas pessoas e o material necessário à execução das obras de transformação de Tupã I em uma Usina de Energia de uso comercial. Durante os experimentos, uma equipe da empresa patrocinadora havia elaborado um projeto de conversão da Unidade Experimental. A maior modificação idealizada foi a instalação de torres de captação de raios na área de coleta. Foi previsto o emprego de duzentas torres, que ficariam espalhadas por toda a área de coleta. Essas torres teriam um rendimento maior do que aquelas idealizadas por Fábio.

      As obras de conversão de Tupã I durariam cerca de cinco meses. Durante esse tempo, todas as alterações deveriam ser implementadas e testadas. A empresa patrocinadora pretendia inaugurar sua Usina de Energia cerca de seis meses antes da próxima temporada de raios.

      Boa parte do pessoal que trabalhou em Tupã I foi engajada nas obras de conversão da Unidade. Os demais seriam aproveitados no projeto e construção de duas outras Unidades, a serem instaladas em pontos estratégicos do país. Essa nova forma de obtenção de energia seria apresentada para a opinião pública como a verdadeira energia limpa que a empresa, depois de muita pesquisa e testes, conseguira obter como a maior prova de respeito ao meio ambiente e, principalmente, a todos os habitantes do planeta: seus futuros clientes.

      Durante todo aquele mês, mesmo sob um intenso ritmo de trabalho, Luiz encontrou tempo para pensar mais em sua vida particular e concluiu que algo estava lhe faltando. Ela não poderia se resumir a somente experimentos e aventuras. Nas horas em que estava só em seu alojamento, Luiz sentia a falta de alguém mais íntimo com quem compartilhar seus sonhos. Faltava-lhe uma família, tal como ele se lembrava das histórias contadas por seu pai, sobre os seus primeiros anos de vida.

      No primeiro final de semana livre, Luiz foi visitar Fábio. Desde que fora obtido o tão esperado resultado, ele só conseguira fazer duas visitas muito rápidas ao seu tio. Dessa vez ele tinha intenção de passar o Sábado e o Domingo inteiros com Fábio. Logo depois de um abraço apertado e dos cumprimentos, Luiz tratou de colocar a conversa em dia:

- Como está indo a sua perna?
- Está bem melhor. As dores cessaram e, segundo o médico, deverei tirar o gesso na próxima semana. Depois virão as malditas sessões de fisioterapia, as quais eu pretendo fazer na minha casa.
- Como assim?
- Eu já estou cansado de ficar nesse hotel. Com essa perna engessada, eu não posso ir a lugar nenhum e, mesmo que eu quisesse, essa cidade não tem quase nada para se fazer. Eu estou com muita saudade da minha casa e das minhas coisas.
- Quer dizer que você vai nos abandonar?
- Acho que vocês não precisam mais de mim por aqui! Eu já dei toda a contribuição que podia e está na hora de voltar a cuidar da minha vida.
- Puxa vida! Vamos sentir muito a sua falta.
- Ah! Deixe de sentimentalismos! Eu estou fora do projeto há mais de dois meses.
- Sim! Mas sempre que eu precisava, podia vir vê-lo. Se você voltar para casa, será praticamente impossível eu poder vê-lo quando sentir saudades. A situação das obras me obriga a permanecer aqui por mais uns quatro meses.
- Ora Luiz, nós estamos juntos há mais de vinte anos, o que são quatro meses?
- Mas eu vou sentir muito a sua falta. Principalmente dos seus conselhos.
- Mas você poderá me pedir conselhos sempre que quiser, inclusive agora.
- Mas é justamente do que eu estou precisando no momento. Existe um assunto sobre o qual eu gostaria muito de conversar com você.
- Pois então fale com o seu velho tio!
- É um assunto bastante constrangedor.
- Você sabe que não existe esse tipo de coisa entre nós. Desembuche logo!
- Bom,... - Luiz tentava procurar as palavras certas - é que,...ultimamente..., mesmo com todo aquele pessoal no projeto,...eu tenho me sentido só. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu tenho me sentido assim no último mês.
- Mas isso é muito bom!
- Eu não estou entendendo nada!
- Significa que ainda existe uma esperança para você. - disse Fábio sorrindo.
- Esperança para quê? - perguntou o confuso Luiz.
- Esperança de que dentro dessa cabeça dura ainda exista lugar para outras coisas além daquela idéia fixa de coletar raios.
- Ora tio, essa idéia fixa tem sido compartilhada por nós nos últimos quinze anos e, é bom lembrar, deu certo! O que tem isso a ver com essa grande confusão mental que eu tenho enfrentado ultimamente?
- Bom, Luiz. Eu acho melhor responder essa sua dúvida contando-lhe algo que eu tenho pensado muito durante esse meu período de isolamento. Cheguei a algumas conclusões sobre a nossa vida. - disse Fábio, agora bastante sério.
- Quais?
- Nós somos pessoas privilegiadas! Poucos são aqueles que conseguem ver os seus sonhos realizados. Você teve a felicidade de realizar o grande sonho da sua vida: uma idéia que vem lhe consumindo desde a sua infância. Mas eu acho que isso não é tudo!
- Como assim?
- Eu acho que essa felicidade tem que ser muito bem aproveitada, mas sem encobrir o resto da sua vida.
- O que você quer dizer com isso?
- Eu quero dizer que agora que você realizou o seu grande sonho, não deve se dar por satisfeito e achar que a sua vida acabou. Você deve olhar para os outros aspectos dela. Eu acho que esses pensamentos que têm lhe atormentado ultimamente, são um chamado da Natureza.
- Como assim?
- Você já se deu conta de que viver sozinho é muito ruim? Que nas noites frias de inverno faz muita falta alguém com quem compartilhar o calor de uma lareira ou de um cobertor?
- Que história é essa, tio?
- Todo esse tempo me fez rever alguns conceitos que eu tinha sobre a minha vida e concluí que muitos deles estavam errados.
- Como assim?
- Inconscientemente, eu sempre tive vontade de constituir uma família. Ter alguém para dar continuidade aos meus passos. Mas também ter alguém com quem compartilhar os problemas, as derrotas e as vitórias da minha vida. Eu acho que isso, como uma característica da preservação da espécie, é uma necessidade comum a todos nós seres humanos. Para a minha felicidade, quando eu passei a ser o responsável por você, eu supri parte desse meu desejo. Mais recentemente, quando reencontrei a Rosa, eu tive todos os meus anseios atendidos. Agora, depois desse período de quarentena, cheguei à conclusão que eu tive muita sorte em conseguir tudo o que eu sempre desejei, sem nunca ter lutado por isso. Contudo, acho que contar somente com a sorte não é o bastante!
- E então.... - interrompeu Luiz.
- Então, eu acho que você não precisa chegar aos cinqüenta anos de idade para concluir a mesma coisa. Talvez você não tenha a mesma sorte que eu tive. Você é uma pessoa jovem, bem sucedida e acho que está na hora de você aproveitar esse chamado da Natureza para buscar alguém com quem possa dividir a sua vida.
- Mas tio, isso não me parece tão fácil quanto você diz.
- Ora, também não é nada mais complicado do que você já fez! Se você tem se sentido só, é porque existe alguém que, talvez inconscientemente, você ache que poderá acabar com a sua solidão. Pense bem e veja se esse sentimento é mais forte quando você vê ou pensa em alguém em especial.
- Bom,.... na verdade,..... tem uma pessoa que...realmente me faz sentir assim.
- Ótimo! Essa pessoa é a chave do seu problema! Ela é a sua alma gêmea!
- Mas tio, mesmo sabendo disso, acho que não basta eu chamá-la e lhe dizer tudo isso que nós estamos conversando.
- E por que não?
- Primeiro, eu não vou ter coragem de falar com ela esse tipo de coisa. Segundo, mesmo que eu tenha, acho que ela vai pensar que eu estou maluco.
- Nada disso, meu caro sobrinho! A transparência é o mais importante de tudo! As mulheres adoram as pessoas sinceras! Vá lá e se declare para ela!
- Mas, eu não teria jeito para isso! Acho que se fizer algo errado, eu porei tudo a perder!
- Deixe de ser pessimista! Nós temos muito o que conversar...

      Fábio e Luiz, tal como pai e filho, continuaram sua conversa por todo o fim-de-semana. Ao final daquele interessante bate-papo, Luiz se convenceu que deveria diversificar as suas prioridades. Seu tio havia lhe dado algumas boas idéias de como colocar isso em prática.

      Luiz chegou a Tupã I de alma lavada. Ele se sentia muito leve, como se tivesse lido o "Grande Livro da Vida" e todos os seus intrigantes mistérios lhe tivessem sido revelados. Ao se deitar, ele traçou uma interessante estratégia para sua mais nova prioridade: a conquista da sua alma gêmea.

      Mais um mês se passou e a obra ia sendo realizada dentro do previsto. Durante esse período, algumas tempestades interromperam temporariamente as obras. Mesmo com essas breves interrupções, cerca de setenta torres já estavam prontas para serem interligadas a Tupã I. Durante esse período, Luiz conseguiu abrir um considerável espaço para a sua mais nova prioridade, que ocupava todos os seus finais de semana e as horas vagas do dia. Ele se sentia como um adolescente que, pouco a pouco, descobria os encantos do relacionamento com o sexo oposto. Contudo, com as obrigações que os dois tinham em seus ombros, o profissionalismo e a ética faziam com que ambos fossem bastante discretos no seu relacionamento. A discrição era tal que ninguém em Tupã I poderia supor que havia um affaire entre os dois.

      No final do terceiro mês, todas as torres já estavam instaladas em seus respectivos locais. O tempo restante seria utilizado para a interligação delas com Tupã I. A grande quantidade de cabos elétricos deveria ser muito bem conectada ao sistema de captação da Unidade. O relacionamento de Luiz com o seu par crescia a cada dia que passava.

      As obras de conversão já haviam completado quatro meses e meio, quando Antonio levou a boa notícia a Luiz:

- Tenho o imenso prazer de lhe informar que acabamos de fazer a conexão da última seção de cabos entre as torres e Tupã I.
- Quanto tempo a mais será necessário para encerrar a fase de testes?
- Conforme o último cronograma, tudo deverá estar totalmente pronto em dez dias.
- Isso significa que nós concluiremos nosso trabalho com uma antecedência de cinco dias.
- Exatamente! – respondeu Antonio.
- Excelente! Vou comunicar essa situação à empresa. Tenho certeza de que eles vão ficar muito satisfeitos e que marcarão logo a data da inauguração.

      Antonio saiu e deixou Luiz imaginando o que aconteceria ao ser encerrado o trabalho em Tupã I. Por um instante, ele fez uma breve retrospectiva de toda a sua vida, especialmente dos dois últimos anos em que esteve trabalhando no projeto. Quantas coisas haviam acontecido durante aquele período, que culminou com o resultado tão esperado por ele. O encontro com sua alma gêmea fora também algo de grande importância para a sua vida. Subitamente, ele foi trazido de volta à realidade com a chegada de Fernanda.

- Acabei de saber que as obras foram concluídas. Precisamos comemorar isso!
- Hã? - Luiz voltou a si - Ah! Bem lembrado! Vou pedir ao pessoal da cozinha para caprichar no jantar de hoje. Embora o trabalho ainda continue, isso não pode passar em branco.
- Você também deveria preparar um pequeno discurso para ressaltar essa conquista. O que você acha?
- Concordo com você! Fatos iguais a esse não acontecem todos os dias.
- Ótimo! Vou voltar para a minha sala. Eu te vejo à noite. - Fernanda saiu, deixando Luiz meio atônito com a súbita mudança de pensamentos. Agora ele tinha um discurso para escrever.

      Um pouco antes do jantar, Luiz encontrou Henrique, que aparentava estar muito abatido.

- Henrique, está tudo bem com você?
- Tudo! - o desânimo era visível nas feições de Henrique.
- Está realmente tudo bem com você? Sua fisionomia indica o contrário.
- Nada de mais! Alguns problemas pessoais estão me preocupando.
- Existiria algo que um amigo pudesse fazer para ajudá-lo? - perguntou Luiz.
- Acho que você já tem problemas demais!
- Mas não custa tentar. Diga-me o que está lhe preocupando.
- Eu acabei de saber que o trabalho está chegando ao fim e essa notícia significa que minha participação no projeto também está se esgotando.
- De onde você tirou essa idéia?
- É uma conclusão óbvia! - continuou Henrique - A razão da minha contratação era cuidar dos veículos. Agora que eles não serão mais utilizados, eu tenho sido aproveitado em algumas funções de menor importância. Mas, depois de concluída a obra de Tupã I, eu me tornei descartável!
- Você está totalmente enganado! Eu tenho um grande trabalho para você.
- Luiz, você não precisa querer me agradar. - disse Henrique, com um brilho de esperança nos olhos.
- De forma alguma! A sua participação será importantíssima na construção das outras duas Unidades. Afinal, quem cuidará da elaboração e implantação dos programas de controle da distribuição de energia das Unidades?
- É verdade! - as feições de Henrique mudaram completamente - Mas eu achava que este trabalho seria realizado por uma equipe da empresa patrocinadora.
- Sim! Mas a equipe necessitará de um líder. E em quem você acha que eu estou pensando para essa função?
- Puxa, Luiz! Essa é a melhor notícia que eu recebi nos últimos tempos. Muito obrigado! Até logo! - Henrique saiu feliz da vida.

      Naquela noite o jantar foi muito especial. Depois da refeição, Luiz chamou a atenção de todos e iniciou o seu discurso:

- Meus amigos! Estou muito feliz em transmitir a todos uma boa notícia: Hoje à tarde, nós completamos a última parte das obras de conversão de Tupã I. Agora falta apenas a fase de testes, prevista para durar cerca de dez dias.
- Fazendo uma breve retrospectiva de todo o projeto, - Luiz continuou - eu concluí que, em um período muito curto de tempo, nós conseguimos resultados que irão mudar o destino da humanidade. Reconheço que isso só foi possível com o esforço e muito sacrifício de todos. Devemos também nos lembrar que uma vida foi ceifada nessa jornada.
- A partir da entrada em operação comercial desta Unidade e, dentro em breve, de mais duas outras, teremos uma energia limpa e de baixíssimo custo, disponível a praticamente todas as pessoas. Esse será um grande passo para permitir o acesso à energia também pelos menos favorecidos. Outra grande vantagem será a redução dos custos de fabricação dos produtos industrializados e um maior uso de equipamentos e aparelhos movidos pela eletricidade.
- Todos vocês devem se sentir orgulhosos de participarem de tão importante projeto. Para isso, eu proponho a todos um brinde à nossa conquista! - Luiz levantou seu copo e foi prontamente imitado por todos os presentes.
- Dentro de alguns dias será marcada a data de inauguração desta Unidade. Contudo, quero lembrar a todos que teremos mais duas outras para cuidar e que, todos irão, direta ou indiretamente, participar deste trabalho por mais dois anos, pelo menos.

      Um grande burburinho se seguiu às palavras de Luiz. Contudo, ele pode constatar que todos estavam muito felizes e, até certo ponto, aliviados com a notícia sobre a continuação do trabalho em outras Unidades.

      Os dez dias seguintes foram muito duros. Os testes avançavam noite a dentro, para que o prazo dado pudesse ser cumprido. Conforme Luiz havia sido informado, a grande festa de inauguração deveria ocorrer dentro de uma semana. Esse prazo fora dado para que tudo estivesse pronto para receber a grande quantidade de autoridades que fora convidada para a solenidade. Havia rumores de que até o Presidente da República compareceria ao evento.

      Com a diminuição do ritmo do trabalho, Luiz encontrou tempo para fazer planos sobre uma vida conjunta. Ambos iriam continuar trabalhando juntos por um tempo considerável e isso deveria aumentar mais ainda o entrosamento entre eles. Era sua intenção aproveitar o clima festivo da inauguração para tomar uma importante decisão, que seria coroada com um lindo anel de brilhantes. Até lá, ele manteria segredo sobre as suas intenções.

      Faltavam apenas dois dias para a grande festa, a euforia estava presente em cada um dos participantes do projeto. O Presidente da República havia confirmado a sua presença, o que aumentou mais ainda as preocupações com os detalhes, principalmente com a segurança. Mas isso não era uma preocupação do pessoal do projeto, pois a Polícia Federal se encarregaria dessa atividade.

      Luiz estava fazendo uma inspeção de rotina pelas instalações de Tupã I, quando encontrou Carla em um corredor.

- Olá, como vai indo o seu dia? - perguntou Carla.
- Tudo bem! Apenas algumas inspeções de rotina para confirmar que está tudo em ordem para o grande dia.
- Puxa vida! Eu mal posso esperar pela inauguração. Algo me diz que será um dia muito especial.
- É verdade! Eu também acho que muita coisa boa deverá ocorrer nesse dia. - disse Luiz, pensando em seus planos particulares.
- Preciso verificar o sistema de comunicações que está sendo instalado para apoiar a segurança da festa. Até mais! - Carla se despediu, saindo apressada.
- Até logo! - Luiz continuou a sua inspeção.

      Mais tarde, ao passar pela sala de Fernanda, Luiz lhe perguntou:

- Tudo bem, Fernanda? Como vão as previsões meteorológicas para o grande dia?
- Estou confirmando a ocorrência de chuva durante boa parte do dia.
- Droga! Eu estava torcendo para você estar enganada.
- Fique tranqüilo, pois deverá ser uma chuva muito fraca! Com o galpão que foi montado, essa chuva não irá atrapalhar a festa da inauguração. Tenho certeza que será uma bela solenidade e será um dia muito especial. - disse Fernanda, piscando um olho para Luiz.
- É! Assim eu espero! - disse Luiz, um pouco desanimado ao saber sobre a chuva.
- Ora, Luiz! Não fique desapontado! Se eu pudesse eu mudaria o tempo, mas eu só tenho condições de prevê-lo. Tenho certeza que será um dia muito especial, depende apenas de nós.
- É verdade! Você está cheia de razão. Agora eu vou continuar a minha inspeção. Até logo mais! - Luiz saiu, esforçando-se para melhorar o seu ânimo.

      Tudo ocorreu dentro do previsto, a inauguração estava marcada para as nove horas da manhã do dia seguinte. Uma grande expectativa tomava conta de todos. Embora estivesse previsto que a inauguração seria um evento muito concorrido, a comissão organizadora autorizou os membros da equipe a convidar os seus familiares. A grande maioria traria os seus cônjuges e filhos. Luiz era um dos poucos que não tinha a quem convidar, pois Fábio não iria comparecer devido a problemas pessoais. Apesar disso, Luiz estava animadíssimo com tudo que deveria ocorrer naquele dia. Naquela noite, ao deitar-se, ele pegou a pequena caixa com o anel e o fitou, enquanto imaginava qual seria a reação dela ao recebê-lo. Mentalmente, Luiz ensaiou diversas vezes o que ele falaria para ela na ocasião. Essas palavras deveriam ser muito bem ensaiadas. Nem o seu discurso para a inauguração fora tantas vezes revisto como aquelas poucas frases que deveriam acompanhar aquela linda jóia. Luiz acabou adormecendo com o anel em suas mãos.

      Luiz fora despertado às 5 horas da manhã, com o grande alvoroço causado pelo pessoal da segurança. Dezenas de agentes, com seus impecáveis ternos pretos, estavam se espalhando por todos os locais por onde o Presidente da República deveria passar. Uma rigorosa inspeção estava sendo realizada. A única coisa que caberia ao pessoal do projeto seria o seu comparecimento ao local da solenidade meia hora antes do horário estabelecido. Os demais encargos correriam por conta do pessoal da comissão organizadora e da Polícia Federal. Às oito e meia, ao chegar no local da inauguração, Luiz encontrou Fernanda:

- Oi, Fernanda! Eu gostaria de lhe mostrar uma coisa. - falou Luiz.
- Pois não! O que é? - respondeu Fernanda, curiosa.
- Eu queria que você visse isso. - Luiz abriu a caixa com o anel de brilhantes.
- Mas é lindo! - disse Fernanda, dando um abraço apertado em Luiz - Eu sabia que algo muito especial iria acontecer hoje. Você não imagina como eu estou feliz.
- Eu ... - Luiz foi interrompido com a chegada do encarregado do cerimonial.
- Senhor Luiz, precisamos conversar sobre alguns procedimentos.
- Claro! Depois nós continuamos nossa conversa... - disse Luiz, olhando para Fernanda.
- Senhor Luiz, conforme o programa da solenidade, - disse o encarregado - é preciso que o senhor e todos os integrantes da equipe de projeto fiquem posicionados bem próximo ao palanque. Está prevista a condecoração de todos os senhores pelo próprio Presidente da República. Logo em seguida, o senhor deverá falar em nome de todos os membros da equipe.
- Tudo bem! Eu já havia sido informado sobre isso. Quando nós deveremos nos reunir junto ao palanque?
- Faltam apenas dez minutos para a chegada do Presidente, seria recomendável que o senhor e os demais membros da equipe fossem para perto do palanque.
- Eu vou chamar os demais. - Luiz saiu à procura dos membros da equipe.

      A cada membro que encontrava, Luiz dava o recado e pedia que chamasse outros dois. Em pouco tempo estavam todos reunidos ao lado do palanque. O Diretor-Presidente chegou e ficou ao lado de Luiz. Um minuto depois, às nove horas em ponto, o Presidente da República foi anunciado pelo seu porta-voz. Os primeiros acordes do Hino Nacional foram ouvidos e todos se levantaram. Com a mão direita sobre o peito, todos os presentes cantaram o Hino Nacional. Ao ser encerrado o Hino, o encarregado do cerimonial deu início ao evento:

- Senhoras e senhores, o Diretor-Presidente da Petróleo & Derivados S.A., empresa patrocinadora da primeira Usina de Energia de Raios da história, irá abrir a solenidade.
- Senhor Presidente, senhoras e senhores, - o executivo iniciou seu discurso - é uma grande honra aqui estar para um evento de tão grande magnitude...

      O Diretor-Presidente enalteceu os esforços da equipe e o grande empenho em que a sua empresa havia se engajado, na crença de que ali estava a solução para os grandes problemas da humanidade. Foi um discurso que emocionou a todos e que levou muitos às lágrimas. A morte de Hélio foi lembrada pelo executivo, que pediu a todos um minuto de silêncio em homenagem a uma pessoa que perdera sua vida pelo projeto. O discurso foi demoradamente aplaudido de pé.

- Senhoras e senhores, - interrompeu o encarregado do cerimonial - o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, que muito nos honra com sua ilustre presença irá condecorar pessoalmente os membros da equipe.
- Senhoras e senhores, meus compatriotas, - iniciou o Presidente - é com muito orgulho que hoje venho participar de uma inauguração tão importante, não só para o nosso país como para toda a humanidade. Muito me orgulha saber que uma equipe, composta unicamente por nossos conterrâneos e patrocinada por uma empresa cujo acionista principal é o governo do nosso país, alcançou tão elevado patamar tecnológico, que culminou com a descoberta de uma fonte praticamente inesgotável de energia limpa e barata. Um feito dessas proporções deve ser enaltecido e marcado de forma indelével para o nosso povo e para as gerações vindouras. Eu gostaria de concretizar o reconhecimento de todo o nosso país, através da condecoração que ora faço.

      Cada um dos membros da equipe foi chamado ao palanque e condecorado com a Ordem do Mérito Nacional, a mais elevada condecoração do país. Luiz foi o último a ser chamado e caberia a ele fazer o discurso de agradecimento.

      Embora muito feliz com tudo aquilo, Luiz se sentia entorpecido e, ao contrário do que se esperava, ele estava profundamente calmo. Iniciou o seu discurso de agradecimento, pedindo desculpas pela ausência de seu tio que, devido a impedimentos pessoais, não pudera comparecer a tão importante evento. Luiz pautou o seu discurso no agradecimento pela confiança depositada nele pela empresa patrocinadora e em toda a sua equipe. Um agradecimento especial, feito nominalmente a cada um dos membros da equipe, encerrou o seu discurso, feito de improviso, pois ele acabara por esquecer o papel que havia escrito na véspera.

      Logo em seguida, foi descerrada a placa de inauguração da Usina de Energia "Professor Hélio Amaro de Sá". A solenidade foi encerrada com a assinatura de um compromisso de construção de mais duas outras Usinas de Energia de Raios, que seria coordenada por Luiz, a quem coube definir os seus futuros nomes: "Alice Maria Côrtes Silva" e "Flávio Augusto Silva".

      Em seguida, foi iniciado um grande coquetel, acompanhado de música ao vivo. Embora a segurança estivesse sempre presente, o clima estava bem descontraído, fazendo com que todos se sentissem muito à vontade.

      Com a saída do Presidente da República, das autoridades e dos repórteres, o clima da festa ficou ainda mais descontraído. Estava previsto um almoço, restrito aos membros da equipe e seus convidados.

      Como ainda faltava mais de uma hora para ser servido o almoço, Luiz achou que aquela seria a melhor hora para algo que ele havia ensaiado tanto. Discretamente, ele respirou fundo, encheu-se de coragem, pegou a caixinha no bolso de sua calça, abriu-a deixando à mostra o anel de brilhantes e saiu à procura de sua amada. O melhor ainda estava para acontecer, pensou ele...



F I M
(por enquanto, pois essa aventura continua!)




CAPÍTULO 16 Seta para esquerda Página de índice
ÍNDICE
Seta para direita Palavras finais


ENVIE esta página para um(a) amigo(a).


FALE com o autor.


Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2008
  • Todos os direitos reservados.