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Dominando o Raio



Capítulo 3 - Trauma e recuperação

      Eram pouco mais de cinco horas da manhã do dia seguinte quando Luiz foi encontrado pela equipe de resgate que, desde o recebimento do sinal de pedido de socorro, estava tentando chegar ao local por meio terrestre. O uso de helicópteros fora descartado em função do mau tempo.

      Ao ver o estado em que Luiz se encontrava, a equipe de socorro mecânico solicitou o envio urgente da equipe de socorro médico. O tempo já havia melhorado a ponto de permitir o emprego de helicópteros e, cerca de meia hora mais tarde, a equipe médica já estava no local prestando os primeiros socorros a Luiz que continuava alheio a tudo que se passava a sua volta.

      Uma hora mais tarde, Luiz, ainda em estado de choque, já estava internado na mesma clínica que o tratara cinco anos antes, após o trauma sofrido com a morte de sua mãe. Lá, além dos registros, ainda estavam quase todos os médicos que o trataram naquela época.

      No princípio, Luiz apresentava apenas pequenos momentos de lucidez, alternados com crises de choro incontido e palavras incompreensíveis. Os especialistas achavam que sua recuperação era possível mas levaria um tempo muito longo e seria bastante difícil. Duas ações importantes foram levadas a cabo nas semanas seguintes: a difícil e demorada recuperação de Luiz e a localização de algum parente que pudesse assumir a sua tutela.

      A rotina de Luiz nos meses que se seguiram foi praticamente a mesma, apresentando um lento progresso a cada dia que passava. Os médicos que cuidavam dele conheciam muito bem o seu passado e sabiam que seu caso era delicado e trabalhoso.

      Durante muito tempo, o pobre garoto fora atormentado por pesadelos nos quais as cenas das mortes de Alice e de Flávio estavam sempre presentes. A sensação da perda de seus entes mais queridos era mantida viva em sua mente, relembrada diariamente em seus sonhos.

      Luiz não aceitava o fato da morte de seu pai ter sido causada por um fenômeno natural que, em seu entendimento de criança, teria sido um ato de Deus. Ele não entendia e não aceitava como Deus, considerado por ele como um pai bondoso, pudera levar a única pessoa que lhe dava segurança e carinho. Esse pensamento marcou de forma indelével a personalidade de Luiz e sempre lhe deixou uma forte sensação de que esse acontecimento exigia uma reação sua.

      Um grande desafio enfrentado pelos psicólogos que cuidavam de Luiz seria o comportamento do menino durante as tempestades dali para frente. Nas primeiras simulações de tempestades, Luiz chegou a esboçar uma reação de pânico, ameaçando entrar novamente no estado catatônico em que fora encontrado. Mais tarde, o tratamento mostrou o seu valor e Luiz já conseguia assistir tranqüilamente a uma série de relâmpagos e trovoadas, sem apresentar nenhuma reação adversa.

      Somente após muitas tentativas foi possível contatar Fábio, o único irmão de Flávio. Ele morava em um vilarejo localizado no outro lado do país. Era um local tão inóspito e distante que os meios de comunicação lá disponíveis ainda eram muito precários. Fábio era praticamente o único parente com quem Luiz poderia contar naquela situação. Além disso, ao prever situações em que poderia faltar, Flávio havia deixado instruções claras para que entrassem em contato com seu irmão, a única pessoa a quem ele confiaria seu filho.

      Tio Fábio, como Luiz o chamava, era uma pessoa excêntrica que participara juntamente com Flávio de diversos trabalhos de exploração mineral, no início de sua carreira. Durante muito tempo, os dois irmãos se completaram em tudo que faziam. Fábio, o mais velho, tinha a cabeça nas nuvens, era um sonhador, mas um excelente pesquisador com profundos conhecimentos de geologia, física e química. Flávio era o mais prático dos dois, com os pés bem fincados no chão, e buscava sempre achar utilidade ou uma aplicação comercial nas coisas que os dois faziam.

      Fábio tinha um excelente relacionamento com Luiz, embora o visse apenas uma vez por ano. Depois que Alice morreu, Flávio e Luiz passaram a comemorar as festas de Natal e de fim de ano juntamente com Fábio. O fato de nunca ter se casado e não ter filhos fez com que ele considerasse Luiz como o "filho que nunca teve".

      Luiz o chamava de "tio cientista louco", devido às suas idéias nada ortodoxas a respeito das coisas. Isso sem contar com a casa de Fábio que ficava no topo de uma colina, cuja encosta tinha um elevador de corda, movimentado por um riacho que passava ao lado. Luiz adorava brincar naquele elevador. Aquilo era mais um bom motivo para manter o apelido que dera ao seu tio. Esse apelido era a realização de Fábio, pois ele se considerava uma pessoa atípica e essa definição lhe caía como uma luva, embora não se considerasse "louco" na acepção da palavra.

      Fábio acreditava que ao ficar mais próximo da natureza conseguiria melhor entendê-la, para pesquisar meios de obtenção de energia menos agressivos aos seres humanos e à própria natureza. Por ser uma pessoa de poucas ambições, Fábio considerava que seu trabalho de pesquisa, subsidiada pela pequena fortuna conseguida com a descoberta feita junto com Flávio, era tudo em sua vida.

      Seguindo estritamente as orientações dadas pelos psicólogos, Fábio teve uma participação tão importante na recuperação de Luiz que a alta fora autorizada alguns dias depois de sua chegada. Para Luiz tudo começava a voltar à normalidade ou, pelo menos, a uma situação mais suportável.






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