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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 4 - Volta à rotina

      Algumas semanas mais tarde, Luiz e Fábio já tinham uma rotina de vida muito parecida com aquela que existia no tempo de Flávio. Fábio resolveu se mudar para um local próximo à escola de Luiz, para que ele passasse a dormir em sua casa todos os dias e não mais ter que ficar isolado em uma escola que, na opinião de seu tio, mais parecia uma prisão.

      Fábio encontrara uma casa cujo terreno era tão grande que mais se parecia com uma pequena fazenda e que permitiu dar continuidade às suas pesquisas. Com o passar do tempo, Luiz foi conhecendo melhor o seu tio e o trabalho dele. Mas sempre ficou intrigado com os objetivos deste trabalho, que para ele não passava de brincadeira ou "coisa de cientista louco".

      Em uma tarde de sábado, ao chegar em casa, Luiz encontrou Fábio sobre uma árvore, entretido com a instalação de uma geringonça muito estranha:

- Tio, o que você está fazendo aí em cima? - perguntou Luiz.
- Estou testando o meu mais novo invento: Um coletor de energia gravitacional. - respondeu Fábio.
- Para que isso serve?
- A minha intenção é aproveitar a energia gravitacional para gerar energia elétrica. Cada vez que um fruto dessa árvore cair no chão, uma certa quantidade de energia potencial será transformada em energia cinética. Esse aparelho deverá captar essa energia e transformá-la em eletricidade.
- Tio, não entendi nada! Você pode me explicar melhor?
- Sim, mas não agora! Se eu me distrair, em vez dos frutos quem vai acabar caindo serei eu. Assim que acabar de instalá-lo eu descerei e lhe explicarei tudo. Está bem?

      Meia hora depois, Fábio desceu e, valendo-se da curiosidade de seu sobrinho, preparou um belo discurso na tentativa de conseguir um ajudante para suas experiências. Chamou Luiz para a varanda da casa e, tomando ares de alguém que iniciaria um discurso para uma multidão, deu início à sua palestra:

- Para que você realmente compreenda o que eu estou fazendo, será necessário lhe explicar algumas coisas que julgo importante. Assim, começarei do início.
- A energia utilizada pela nossa sociedade provém basicamente de combustível fóssil: petróleo, gás natural ou carvão mineral. Essas fontes de energia, além de poluentes, são esgotáveis e estão com seus dias contados. Também são comumente empregadas fontes de energia radioativa, hidráulica e eólica. As fontes de energia radioativa, envolvem grandes riscos, seja quanto à segurança das instalações, seja no que diz respeito à poluição ambiental causada pelo lixo atômico. As fontes de energia hidráulica e eólica são conhecidas como fontes renováveis, mas normalmente requerem grandes investimentos para aproveitar os recursos hidráulicos ou eólicos de uma dada região. Além disso, os recursos hídricos para geração de energia elétrica são limitados e, quando explorados, resultam em grandes alterações no ecossistema da região.
- Se analisarmos mais friamente, veremos que todas essas opções de fontes de energia, com exceção da radioativa, provêm apenas de uma única origem: o Sol.
- Aí você me perguntaria: "Tio, então porque não usarmos coletores solares para pegarmos a energia diretamente da fonte?". E eu lhe responderia que a energia solar requer grandes áreas com uma insolação média anual acima de um dado limite, o que limita os locais a serem empregados para esse fim.
- Normalmente, locais com elevados índices de insolação ficam longe dos grandes centros consumidores de energia, o que complica a distribuição de energia.
- Por outro lado, se imaginarmos o emprego de coletores solares para serem usados sobre as casas ou nos quintais, veremos que a sombra desses dispositivos comprometeria a iluminação natural das casas, prejudicando a vida dos seus moradores. Além disso, já tem sido amplamente explorada nos últimos anos.
- Por esse motivo, eu tenho tentado nos últimos anos encontrar uma fonte alternativa que permita a geração de energia elétrica de modo limpo, seguro e barato, sem comprometer o ambiente. Mesmo que essa fonte gere pouca energia, poderá ser uma boa alternativa, se o seu custo for compensador.
- Imagine se você tiver um pequeno gerador alternativo no quintal que produza energia suficiente para iluminar sua casa à noite ou, pelo menos, parte de sua casa. Se o preço for acessível, deixaremos de consumir energia gerada de modo poluente e estaremos contribuindo para amenizar a poluição ambiental.
- Mas tio, você não acha que esses geradores alternativos seriam complicados de usar? - interpelou Luiz.
- O grande segredo está em desenvolvermos um dispositivo que seja simples de usar e que exija um mínimo de interferência da parte de seu usuário. Este é o segundo desafio, pois o primeiro está em encontrar uma fonte de energia limpa que seja acessível à grande maioria das pessoas.
- Aquele meu experimento faz parte de uma série de alternativas que eu venho estudando nos últimos anos. - continuou Fábio - Até chegar a ele, eu imaginei as formas mais estranhas de geração de energia elétrica. Para que você possa acompanhar o meu raciocínio, eu considerei fontes alternativas como a queda da água das chuvas, aquecimento dos telhados, gradiente da temperatura do solo em diferentes profundidades, vento, marés e, também, a queda dos frutos de uma árvore. Como a exploração de ventos e marés tem sido pesquisada nos últimos anos, resolvi deixá-la de lado. Também deixei de levar adiante a exploração da variação da temperatura do solo em função da profundidade, denominada "grau geotérmico", por requerer grandes escavações.
- Este meu invento é constituído por um transmissor localizado na copa da árvore que envia um sinal de rádio para um outro equipamento, localizado no solo, ao redor da árvore. Quando um fruto cai, o dispositivo do solo se liga e capta o impacto da queda do fruto e o converte em energia elétrica.
- Você não acha esse método um tanto quanto absurdo? - interrompeu Luiz.
- Sim, eu acho totalmente absurdo! Mas se eu impedir minha mente dos pensamentos que eu julgo absurdos, eu também a estarei proibindo de considerar novas alternativas e jamais poderei pensar em métodos alternativos, pois muitos deles me parecerão absurdos no início. Minha intenção é dar liberdade à minha mente para poder pensar em todas as alternativas, sem julgamentos prévios.

      Depois daquela conversa, Luiz começou a pensar de forma diferente e passou a participar mais intensamente dos trabalhos do tio. Finalmente, Fábio conseguira um assistente dedicado para auxiliá-lo em seus inventos.






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