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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 5 - Idéia

      Numa tarde durante as férias de verão, Luiz estava ajudando Fábio com um experimento quando se deu conta de que o céu ficara totalmente escuro, indicando a proximidade de uma forte tempestade tropical. Ao cair os primeiros pingos d'água, veio-lhe à mente todos os detalhes do acidente com Flávio e ele sentiu um calafrio na espinha. Embora já houvesse se passado mais de dois anos, aquela era a sua primeira experiência real com tempestades após a morte de seu pai. Subitamente um raio caiu a uns quinze metros de onde ele se encontrava, destruindo completamente uma árvore. Luiz ficou paralisado sendo tirado de sua inércia por seu tio, que o puxou pelo braço e o levou às pressas para casa.

      Alguns minutos depois, os dois chegaram na varanda da casa, totalmente ensopados. A chuva já caía volumosamente, acompanhada de fortes trovoadas. Luiz permanecia paralisado, olhando para os relâmpagos. Fábio, preocupado com a reação de seu sobrinho, pegou nos braços de Luiz e o sacudiu fortemente. O garoto estava alheio a tudo e continuava fitando as nuvens que descarregavam fortes raios sobre o solo.

      Pela primeira vez, desde que passara a morar com seu sobrinho, Fábio se sentiu perdido e começou a gritar com Luiz que subitamente despertou de seu transe. Seus olhos brilhavam e ele com um enorme sorriso nos lábios exclamou:

- Acabo de encontrar a resposta que você tanto procura!
- Eu me encontro em um tremendo estado de nervos e você me diz só isso? - desabafou Fábio.
- Eu sei que para você é muito difícil ter que enfrentar uma situação destas. - continuou Fábio – Eu não sei se conseguiria lidar com uma situação assim depois de ter passado por tudo o que lhe aconteceu. Mas você precisa entender, que a vida é assim mesmo e que é preciso ser forte para enfrentar os maus pedaços.

      Fábio achava que aquela situação havia tirado de vez a razão de Luiz e estava fazendo tudo para não ter que enfrentar tal fato. As palavras jorravam de sua boca de uma forma tão eloqüente que ele mesmo estava surpreso.

      Fábio não sabia mais o que falar. Sua maior preocupação era exatamente o que ele teria que fazer para lidar com os lamentos, ou pior, uma possível insanidade de seu sobrinho. Aquela situação jamais tinha sido imaginada por Fábio e ele estava desesperado por ter que enfrentá-la. De repente, veio à sua mente uma série de discursos religiosos e Fábio passou a proferí-los.

      Já havia se passado mais de uma hora de discurso quando Fábio, totalmente exausto, parou para tomar fôlego. Neste momento, Luiz tomou a palavra de forma autoritária e decisiva:

- Tio, eu sei que você ainda tem muito a falar. Já entendi perfeitamente o que você quer passar para mim!

      Luiz se expressou de forma tão clara e objetiva, que surpreendeu seu tio:

- Meu querido tio, - continuou Luiz - tenho a impressão de que você acha que, após presenciar uma situação muito parecida com aquela em que eu perdi meu pai, eu deveria estar desorientado por, talvez, me recordar do acontecido.
- Pois bem, esta tempestade que está acontecendo agora realmente me recordou o acidente pelo qual eu passei há exatamente dois anos e três meses atrás.
- Falando sinceramente, no início da tempestade veio-me à mente aquela cena terrível de meu pai sendo pulverizado por aquele raio. Mas, surpreendentemente, logo em seguida, veio-me uma imagem luminosa que clareou minha mente.
- Preciso lhe confessar uma coisa! - continuou com ares de uma pessoa adulta muito vivida. - Desde o dia do acidente eu venho guardando um imenso desejo de ir à forra. Esse foi o único modo que encontrei de manter um objetivo em minha vida, que me deu forças todas as vezes que eu era abatido por algum sentimento de tristeza. Era um forte desejo de não deixar as coisas por si só. Eu sempre acreditei que conseguiria fazer algo em troca. Finalmente, eu acho que descobri o que será.
- Então fale logo! - interrompeu Fábio surpreso.
- Pelo que entendi da sua pesquisa, - começou Luiz - você vem procurando, há anos, uma forma limpa, prática, barata e fácil de obtenção de energia que possa ser aproveitada por todo mundo, sem prejudicar o meio ambiente. Vi também que você já tentou todas as formas, conhecidas ou não, de obtenção de energia. Mas, acho que você se esqueceu de uma fonte muito poderosa, que está presente em qualquer lugar da Terra: o raio.
- Minha nossa! - exclamou Fábio - Agora você endoidou de vez!
- Por que você diz isso, tio?
- Porque considerar o aproveitamento da energia de um raio só pode ser indício de loucura. - respondeu Fábio - Ou que você então não tem a mínima idéia com que níveis de energia estará lidando.
- Tio, acho que você está muito enganado. Tenho certeza de que estou raciocinando perfeitamente bem! Se você considerar que a energia nuclear não é nenhum brinquedo de criança e mesmo assim o ser humano vem fazendo experiências com ela, você verá que a minha idéia não é nada impossível!
- Antes que você fale algo, - continuou Luiz, de forma animadíssima - eu acho que temos muito a estudar, a menos que você tenha alguma idéia melhor.

     O discurso eloqüente de Luiz acabou por convencer Fábio de que a idéia era boa e tinha chance de sucesso. Mas seria necessário um estudo aprofundado do assunto, para que se verificassem os riscos envolvidos e as possibilidades de aproveitamento dessa fonte de energia tão heterodoxa.

     Daquele dia em diante, os dois passaram a se dedicar à idéia de Luiz e lançaram mão de todos os recursos disponíveis. Inicialmente procuraram livros nas bibliotecas mais próximas, depois fizeram consultas às Universidades e, mais tarde, por influência de Luiz, passaram a fazer uso da Internet.

     A cada dia que passava, a dedicação de Luiz, na busca de informações, impressionava Fábio. Ele já havia ouvido falar da Internet mas sempre se mantivera longe do que ele considerava "um grande videogame para jovens, sem nenhuma utilidade científica". A sua opinião sobre a "grande rede" mudou muito após Luiz ter lhe mostrado do que era possível se obter através dela.






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