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Capa de Dominando o Raio

Dominando o Raio



Capítulo 8 - Planos

      Luiz e Fábio compareceram à sede da empresa para tratar dos detalhes da implantação da Unidade Piloto de Coleta e Armazenamento de Energia, batizada de Tupã I(trovão, na língua dos índios Tupi). Discutiram diversos aspectos: obras necessárias, formação de uma equipe técnica, execução dos experimentos exploratórios e as bases para a elaboração de um contrato a ser assinado entre Luiz e a empresa. Luiz esclareceu que ele detinha apenas uma parte dos conhecimentos necessários e que Fábio possuía os conhecimentos complementares. Este fato fez com que a participação de Fábio também fosse incluída no contrato.

      A fase de planejamento, de aproximadamente um mês, seria seguida de uma fase de projeto, com duração prevista de quatro meses e, imediatamente após, seria iniciada a construção das instalações de Tupã I, que deveriam estar concluídas dentro de dez meses. Toda a unidade piloto deveria estar pronta para iniciar os testes dentro de quinze meses. Durante a fase de projeto seriam adquiridos todos os equipamentos necessários ao experimento e seria elaborado um plano para a definição do melhor método de coleta de raios. Fábio sabia que não seria nada fácil a realização desta etapa, sem falar nos riscos envolvidos.

      Após horas de reunião, estavam delineados os passos principais para a execução do experimento e, também, o texto final do contrato entre Luiz, Fábio e a empresa. Uma equipe seria escolhida de comum acordo entre os contratantes. Metade desta equipe deveria ser composta por funcionários da empresa.

      Tio e sobrinho concluíram que uma equipe composta de doze pessoas seria suficiente para levar o empreendimento adiante. Assim, escolheram quatro dos vinte candidatos que se ofereceram para o trabalho, todos eles provenientes da Universidade onde Luiz fizera o seu mestrado. A busca de pessoal foi muito facilitada pelo grande interesse que a defesa da tese de Luiz causara em seus colegas. Assim, a metade da equipe já estava definida: Luiz, Fábio e os mais novos membros - Alberto, Fernanda, Henrique e Carla. Alberto era engenheiro eletricista com muita experiência na área de proteção e de distribuição de energia. Fernanda era meteorologista, tendo trabalhado por muito tempo na previsão de tempestades para o Ministério da Agricultura. Henrique era engenheiro mecatrônico com experiência nas áreas de robótica e automação. Carla era engenheira de telecomunicações e havia concluído seu doutorado na área de transmissão de grandes quantidades de energia por feixes de microondas.

      Luiz e Fábio participaram, juntamente com alguns diretores da empresa, da seleção dos outros seis membros da equipe. Entrevistaram trinta e seis funcionários, previamente selecionados pela empresa. Ao final de um dia de intensos debates foram escolhidos os seis membros restantes: Amanda, Cláudio, Sávio, Antonio, Geraldo e Hélio. Amanda era especialista em criogenia. Cláudio era PhD em sistemas elétricos de alta potência. Sávio era engenheiro químico e tinha doutorado na área de super-condutores. Antonio era engenheiro civil e tinha vasta experiência no projeto e construção de estruturas de alta resistência e de usinas de eletricidade. Geraldo e Hélio eram físicos e trabalhavam na pesquisa de fontes alternativas de energia.

      Nas semanas seguintes, enquanto Luiz, Antonio, Geraldo e Hélio trabalhavam no planejamento das atividades de projeto e construção de Tupã I, Fábio administrava o treinamento dos demais membros da equipe, para que todos estivessem totalmente a par das atividades que seriam desenvolvidas, dos procedimentos de segurança e das funções que caberiam a cada um. Ao final dessa fase, todos os membros da equipe estavam muito bem preparados para as atividades que seriam realizadas.

      Durante a fase de projeto, os membros da equipe se revezaram entre o projeto, desenvolvido conjuntamente com um grupo de técnicos e engenheiros contratados pela empresa, e a aquisição dos equipamentos para o experimento. Enquanto isso, Fábio, Luiz, alguns membros da equipe e diretores da empresa, estudavam uma estratégia para definir o melhor método de coleta dos raios:

- Bom, agora teremos que tratar de um assunto bastante complexo e que há muito vem me tirando o sono. - começou Fábio, iniciando a discussão - Precisamos definir como deverá ser feita a coleta dos raios.
- Eu imagino que, embora não seja tão simples, poderíamos colocar alguns pára-raios e ligá-los à estação coletora. - interrompeu Fernanda.
- Para que tenhamos alguma chance de sucesso - continuou Fábio - será necessário o uso de pára-raios em uma extensa área do terreno. Segundo os cálculos probabilísticos, em que eu tenho trabalhado nos últimos dias, teremos uns 90% de chance de coletar um raio se cobrirmos uma área 5 x 10 km, equivalente a 50 milhões de metros quadrados. Como as condições geológicas e geográficas da região não nos permitem assegurar que um raio cairá exatamente em um local pré-determinado, não teremos certeza de que os pára-raios estarão posicionados adequadamente. As condições topológicas do terreno exigem que os pára-raios sejam instalados em torres formadas por grandes estruturas de fibra de vidro, com altura em torno dos 150 metros, dotadas de um conjunto de pára-raios instalados no seu topo e interligadas à estação Tupã I por meio de cabos elétricos de grande capacidade.

      Como se já não bastasse a perplexidade de todos os presentes, Fábio continuou:

- Além de torres tão altas, também necessitaremos de uma quantidade muito grande. Para manter os 90% de probabilidade, considerando que cada torre poderá cobrir até uns dez mil metros quadrados, serão necessárias 5.000 torres.

      Aquela informação foi imediatamente combatida por um dos diretores da empresa:

- Após ter lido várias vezes o seu relatório e as estimativas de custo, tenho certeza de que você sabe muito bem o que está falando! Sei também que a capacidade de produção de energia esperada de uma Usina Coletora de Energia justificaria custos de investimento muito maiores que os estimados por você. Contudo, considerando que estamos tratando de um experimento, não tenho subsídios para justificar, perante o Conselho Diretor da empresa, o emprego de uma verba tão alta.
- Eu já previa isso e tenho algumas opções. - respondeu Fábio, com um sorriso maroto em seus lábios - Na verdade, eu tenho três alternativas a propor e espero que vocês escolham a melhor delas.
- Como todos aqui já devem saber, - continuou Fábio - o raio busca sempre o caminho mais curto até o solo. Esse fato exige que criemos artificialmente um caminho para ser usado pelo raio. Seguindo essa idéia, eu imaginei as seguintes soluções alternativas: o uso de um balão conectado por cabo até a estação de coleta, o emprego de pequenos foguetes a serem disparados contra as nuvens carregadas e, por último, o emprego de um receptor móvel que se deslocasse em direção ao local mais provável da queda do raio.
- As duas primeiras alternativas apresentam as menores chances de sucesso, pois requerem cabos de grande bitola que seriam muito pesados para serem levados por um balão ou por um pequeno foguete.
- Assim, - arrematou Fábio - a única alternativa sensata é o emprego de um veículo que, ligado a Tupã I por meio de um feixe de microondas, possa se deslocar livremente pelo terreno em direção ao local da queda do raio. O emprego de equipamentos de predição permitiriam prever a localização da queda em tempo hábil para o deslocamento do veículo. Essa alternativa é uma solução bem mais econômica, mas envolve enormes riscos, principalmente para o piloto do veículo.
- Eu também tomei a liberdade de consultar alguns fabricantes de veículos. - complementou Fábio, distribuindo a todos uma cópia dos orçamentos obtidos.

      Após algumas discussões, Luiz decidiu que ele mesmo se encarregaria de pilotar o veículo. Seus olhos brilhavam quando ele anunciou essa decisão.

      Depois de uma difícil concordância por parte da empresa sobre a solução alternativa escolhida, os requisitos básicos para o veículo foram definidos e, logo em seguida, a sua fabricação fora encomendada a um fabricante de veículos especiais. Como não se pretendia perder tempo com possíveis avarias mecânicas, foram adquiridas três unidades idênticas do veículo.

      Concluída a fase de projetos e comprados os equipamentos principais para o experimento, foi iniciada a última fase preparatória: a preparação do terreno e a construção de Tupã I.






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