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O país do carnaval



					    
País do futebol, das mulheres bonitas, da abundância de recursos naturais. São títulos que o nosso maravilhoso Brasil acumula, e não bastassem esses, somos ainda o país do carnaval. Uma festa sem-igual que acontece em várias cidades e atrai pessoas do mundo inteiro, curiosas e encantadas com o jeito faceiro que só os brasileiros que não desistem nunca têm, de levar a vida. Difícil conhecer este lugar, e podendo, não voltar. Tantos privilégios sobrepõem os grandes desastres, que são esforçadamente emergidos na solução que não é o desespero, mas sim grandes atitudes, por todos aqueles que acreditam e amam esta nação. Afinal, quem tem uma pátria sem nenhum problema, atire a primeira bandeira. Com um talento para cantar, sambar e acima de tudo sorrir, mesmo em meio às adversidades, é assim que os brasileiros reagem – bem. Seja subindo num trio ou em carro alegórico, desfilam para telespectador nenhum pôr defeito. Um talento inato, de um povo guerreiro, que se deleita no que faz. Uma alegria perene, carregada de bons fluídos e beleza, que faz ir ao chão toda a tristeza e se regozija sobre ela, alfinetando-a com a certeza de que a vida é muito bela. Imbuídos de tanta autenticidade, não há como evitar que a avenida, se transforme em um palco onde a vida, cujas mazelas – que todo o mundo tem – assuma o seu lugar de origem, e não habite a vida de ninguém. Chegue e vá embora num instante, sem levar nada, nem deixar saudade, ervas daninhas não nascem, nem crescer poderiam, fazemos festa sempre que podemos, um carnaval diz muito, fala pelos pés que sambam, pulam, aqui, nesta terra abençoada, só há lugar para a alegria. A suntuosidade das fantasias, carros alegóricos e enredos deslumbram os olhares que expectam de casa ou da avenida, todo o acontecimento anual e único, pois nenhum carnaval é igual ao outro, nenhum olhar o vê igual ao que outro viu. Há os que preferem se ausentar de tudo, e divertem-se no carnaval ao seu modo, mas divertem-se, pois apreciar a vida é algo peculiar aos brasileiros, mesmo aqueles que preferenciam as pequenas multidões, as mínimas coisas, a paz. Uma paz invejada, sem dúvida, embora ferida pelas ações criminosas, reflexo dos abortos sociais. Abalam famílias, cidades, o país inteiro, por vezes estremece pilares inteiros, mas num instante estamos todos juntos, a reconstruir a nossa fé na vida. Tudo aumenta neste período, cito, por exemplo: a euforia, a vontade de beber, de paquerar, namorar, dançar, e até mesmo brigar, afinal, nem tudo é perfeito, e se lhe parecer, desconfie. Taxas de natalidade, índices de criminalidade e o consumo de álcool elevam-se. Há quem justifique este vício como sendo um empurrãozinho para vencer a timidez. Desde quando precisamos de fatores químico-externos para vivermos a euforia do momento e nos desinibirmos. Parece complicado, pois as pessoas acabam não fazendo as suas tentativas para vencerem essa barreira e são induzidas pela mídia que narra a bebida alcoólica como solução. Após o efeito, para alguns uma baita ressacada, para todos, volta à realidade. Até mesmo na hora da diversão, a precaução é muito bem vinda. Para que todas as pessoas possam brincar sem abdicar da sua segurança, é necessário que todas as pessoas aprendam a conviver com os limites e respeitá-los. Conhecer os próprios limites é primordial, afinal, o carnaval dura apenas alguns dias de uma vida, enquanto muitas vidas são perdidas em pleno período de carnaval. Sem contar as que vem ao mundo, frutos de atos irresponsáveis. Para os carnavalescos uma frase: Brinquem na avenida, não com a vida.
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