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Desta para melhor



					    
KABUUUUUMMMM! - um enorme estrondo acordou mais cedo os moradores da pequena Mirandópolis, uma cidadezinha de interior com menos de dois mil habitantes. Um estranho objeto havia caído no matagal que circundava a cidade. Passado o susto, um grupo de pessoas saiu, ainda no meio da madrugada, em direção à mata para investigar o que havia acontecido. À frente da turma, ia Filé - o bravo cãozinho de Gustavo. Gustavo era um rapaz de dezesseis anos muito querido na cidade, mas tido por todos como “um cara meio estranho”. Seus pais haviam desaparecido durante um piquenique, quando ele tinha dez anos de idade. O desaparecimento acabou sendo atribuído a um grupo de animais selvagens que, na época, assustava a região. Mas, o fato de nunca terem achado nenhum vestígio, acabou motivando Gustavo a acreditar que seus pais houvessem sido levados, por extraterrestres, para algum planeta distante. Desse dia em diante, Gustavo passou a ser criado por sua avó, mas nunca mais pode ser considerado como uma pessoa normal. Seu rosto ossudo, nariz pontudo e grandes orelhas de abano contribuíam muito para aumentar mais ainda a “estranheza” do garoto. Mas sua avó tentava compensar a ausência de seus pais, dando-lhe todo o carinho possível. Gustavo sempre dizia que, um dia voltaria a ver seus pais novamente. Um enorme objeto reluzente foi encontrado pelo grupo de pessoas, em meio às árvores quebradas. Filé sem se deixar intimidar, partiu para cima do objeto. Rosnando e latindo muito, se aproximava cada vez mais da máquina, que começou a emitir estranhos sons e luzes brilhantes. Ignorando completamente o chamado de seu dono, Filé foi avançando cada vez mais para perto do objeto alienígena. Gustavo correu o mais que pode, mas antes que ele pudesse puxar seu cãozinho de estimação, um súbito raio saiu de dentro do artefato e fez seu cachorro desaparecer instantaneamente. Um longo murmúrio de espanto e consternação pode ser claramente ouvido. - A máquina desintegrou o cãozinho! - alguém falou. - É uma arma perigosíssima! - afirmou outra pessoa. - Devemos isolar o local, imediatamente, e chamar as autoridades militares! - declarou o diretor da única escolinha primária da cidade, considerado o homem mais culto da região. Gustavo permaneceu imóvel, tomado pelo susto daquela estranha visão. Em estado de choque,o pobre garoto, precisou ser levado para casa pelas pessoas que ali estavam. No dia seguinte, convencido de que seu cachorro também fora teletransportado para outro planeta, Gustavo resolveu retornar à mata para estudar a estranha máquina. Saiu de casa bem cedo, logo após deixar um recado para sua avó. Antes do Sol nascer, Gustavo já estava a caminho da mata. Munido de uma bolsa cheia de ferramentas, ele tentaria regular a máquina para fazê-la trazer de volta seu cachorro. Quem sabe, com um pouco de sorte, ele também conseguiria trazer seus pais - animou-se o rapaz. Somente por volta das dez horas da manhã, dona Teotônia deu falta de seu netinho querido. Desesperada com a possibilidade dele estar mexendo naquela máquina endemoninhada, ela saiu para o meio da rua gritando por ajuda. Fazendo sucessivos sinais-da-cruz, muito desesperada, ela pedia que fossem atrás do seu netinho. Um grupo logo se formou e partiu para a mata, para resgatar Gustavo. Ao chegar no local, os integrantes do grupo de resgate avistaram Gustavo mexendo em uma série de botões na máquina. Ao pedirem para que se afastasse daquela máquina perigosa, ele somente conseguiu responder que estava tentando ajustá-la, quando... - ZUUUIIIMMMM! A máquina emitiu um zunido ensurdecedor e, logo em seguida, projetou um raio que fez Gustavo desaparecer diante dos olhos de todos. Assustados com o que acabaram de ver, todos partiram para cima daquela máquina perigosa e, em poucos instantes, destruíram-na completamente, sem deixarem sequer uma peça inteira. Dona Teotônia estava muito aflita, tentando identificar seu netinho no meio daquele povaréu, que lentamente retornava da mata. Mas, para sua tristeza, não conseguiu distinguí-lo no meio do grupo. Já prevendo o pior, ela deixou-se cair sentada na soleira da porta de sua casa e aguardou a aproximação de alguém que carregava algo em suas mãos. - Dona Teotônia, nós sentimos muito! - disse seu Genésio, com pesar, passando às mãos da pobre velhinha uma caixa de sapatos. - O quê é isso? - perguntou ela, já esperando uma resposta desoladora. - Estes são os únicos restos mortais de seu neto que conseguimos encontrar. - disse ele, com a voz embargada. Com as mãos trêmulas, Dona Teotônia, retirou lentamente a tampa da caixa e, ao avistar o seu conteúdo, desabou em prantos. - Desde que meu filho desapareceu, meu netinho era a única coisa boa que ainda me restava. Agora ele ficou reduzido a somente isso! - disse a velhinha, beijando e abraçando carinhosamente a orelha esquerda de seu netinho. - Nós lhe faremos um grande funeral em homenagem ao seu grande ato de bravura! - disse seu Francisco, um amigo do garoto - Afinal, ele enfrentou aquela máquina alienígena com a coragem de um verdadeiro herói! Com a contribuição de todos os moradores da cidadezinha, em pouco tempo juntaram dinheiro para comprar, na cidade vizinha, um lindo caixão de madeira de lei, que ficou exposto na entrada da casa de Dona Teotônia. Imediatamente, uma longa fila se formou para o adeus final à orelha esquerda de Gustavo. - Ele podia ser estranho, mas era um cara legal! - disse, entre prantos, uma amiga da escola de Gustavo. - Puxa vida! Mesmo assim, ele está um gato! - suspirou outra amiga. - Vou sentir muita falta dessa orelhinha! - declarou, chorando muito, uma ex- pretendente a namorada de Gustavo. As horas se passaram lentamente. Toda a população da cidade foi visitar a orelha do menino-herói. Muitos acabavam de passar pelo caixão e retornavam à fila, para mais um último adeus. No final do dia, entre suspiros, depoimentos emocionados e muitas lágrimas, o caixão com a orelha mais visitada da história foi fechado e depois levado, lentamente, pela rua de terra batida para a sua morada final. Já com o Sol se pondo, depois de muitos outros depoimentos, em favor da bravura do menino, e também de discursos de despedida, o padre Eustáquio fez o discurso final de despedida. - Tenho certeza de que agora Gustavo está muito feliz, em algum lugar desse Universo. Afinal, ele partiu desta para melhor! ********************** A cinco mil anos-luz dali, Gustavo brincava feliz com seu cãozinho Filé, ao lado de seus pais. A máquina o havia transportado para o mesmo planeta. Para que sua felicidade fosse completa, faltava-lhe apenas a sua orelha esquerda.
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Comentários dos leitores

Genialíssimo! Alienígenas inteligentes e coisa e tal, mas deveriam fazer no Brasil curso intensivo sobre células-tronco. Tenho um amigo com mestrado e doutorado sobre este assunto. Posso bem apresentar...............

Postado por lucia maria em 06-10-2012

Parabéns pelo seu conto! Uma forma sutil e divertida de tratar desse assunto ainda causador de espanto e estranhamento para a grande maioria.

Postado por Ket em 20-08-2009

Silvino, adorei! Como todos os seus escritos uma obra que provoca sensações e leva o leitor onde você bem quer. Sentiria-me honrada se visitasse os meus escritos e os comentasse. Um abraço Simone Costa

Postado por Simone Costa em 02-08-2009

Um trabalho criativo. Muito bem escrito. A sua leitura vai criando expetativas. Um final feliz. Deveras interessante. Parabens! Uma pérola literária.

Postado por Marizé em 17-12-2008

Um texto que nos prende a atenção do inicio ao desfecho! Intenso, entretem e de excelente leitura. Parabéns, poeta...

Postado por Essência de Tempestade em 04-12-2008

Muito legal este conto, pois nos mostra que devemos sempre ter esperança naquilo que queremos. No mais, Deus sempre nos ajuda se tivermos fé.

Postado por roriskrris em 08-09-2008

Justamente por ter gostado, não poderia deixar de apontar uma vírgula "sobrando" no sexto parágrafo.

Postado por Elza em 03-09-2008

Silvino, Muito bom ler seu conto.Uma ficção dosada com humor é uma prazerosa leitura, além de ter um traço alquimista: a orelha. Ela será o simbolo do amor entre Gustavo e seus pais. Alquimicamente, Ismênia

Postado por alquimista em 07-08-2008

Muito bom, interessante e prende a nossa atenção mesmo Legal

Postado por ellcash.levi em 12-07-2008

Uma historia pitoresca, infanto-juvenil... bem os extra terrestres ainda lhe deixaram a orelha para o enterro fúnebre, muito bem imaginado e original. Gostei de ler Silvino... Cá estou lendo teus contos

Postado por JORGEHUMBERTO em 18-06-2008

Bem escrito. Simples e direto. Enseja mundos distantes, ao gosto do publico juvenil.

Postado por bert em 11-10-2007

Boa... a idéia da orelha foi genial.

Postado por Haelmo em 27-06-2007

Muito bom, Silvino. Ri à beça.

Postado por Annacelia em 01-06-2007

Muito bom! Dei muitas risadas, hehehehe. Na verdade, eu passei o texto todo esperando que, ao final, tudo fosse uma grande confusão e o menino e seus pais voltassem para os braços da avó. Fui surpreendido com um final mais feliz ainda, hehe.

Postado por Vitor em 06-04-2007

Obrigado pelo comentário do "A Las".O "Desta" flui gostosamente e deve agradar a todas as idades.Parab.(Rsrs:ainda bem que não foi o...vou dizer-"falo")Ita K

Postado por ARTÔ em 07-10-2006

Muito interessante o trabalh. Ficção ou não, a visita de extraterrestres sempre desperta interesses. Goes

Postado por Goes em 24-09-2006

Esse foi desta pra melhor mesmo! Muito criativo, daria um filme para a sessão da tarde, bem melhor do que essas coisas enlatadas que nos são impingidas.

Postado por Liwa em 25-08-2006

Ficção Infanto-Juvenil, muito gostoso de ler, pois o autor cria várias expectativas e defende a idéia de família, o desfecho foi muito interessante, e surpreendente.

Postado por Marcelo Torca em 03-08-2006

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