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Encontro macabro



					    
Eram sete horas da manhã, quando o relógio tocou sua campainha estridente. Carlos olhou sonolento para o relógio e, depois de considerar, algumas dezenas de vezes, apenas desligá-lo e continuar seu sono merecido, levantou-se, primeiro espreguiçando-se e, depois, convencendo-se de que aquele seria um dia especial. Afinal, ele embarcaria naquela tarde, e retornaria a sua cidade natal, após longos cinco anos de saudades, longe de sua família e amigos de infância. A noite de véspera, pouco dormida, em função de algumas horas extras, trabalhadas para arrecadar uma graninha a mais, pesou sobre o seu corpo. Mas, a expectativa da viagem falou mais alto e contribuiu para que ele se desprendesse da cama, que parecia tentar mantê-lo preso a ela. - Vamos lá, rapaz! - Carlos falou para si mesmo - Hoje à noite você estará dando um abraço apertado no seu velho! Um bom banho frio vai acabar de te acordar! Dentro de mais algumas horas, ele estaria a bordo de um avião, voando para ver sua família. Quando chegasse lá, ele teria muito tempo para descansar. Ele tinha um encontro importante e não podia faltar! * * * * * * * * * Quase ao mesmo tempo, o telefone tocava, interrompendo o sono de uma outra pessoa: - Mister Robert? - perguntou uma voz feminina do outro lado da linha. - Yes! Ser eu mesmo que estar falando. - respondeu o americano com seu sotaque carregado. - Seven o'clock, sir! - Sete horas, senhor! - falou educadamente a telefonista - Tenha um bom dia! Have a nice day! - Obrigado! - disse, desligando o telefone, logo em seguida. Robert levantou-se, espreguiçou-se um pouco e começou a arrumar suas coisas. Em algumas horas ele estaria decolando para uma entrevista, a bordo de um jatinho executivo, ao mesmo tempo em que ganharia uma carona de volta para seu país. - Eu mal poder ver o hora de voltar para meu país e ver meu família! - pensou o gringo, com seu português de turista - Dois semanas longe de meu casa ser demais para um velho na minha idade! Ele tinha um encontro importante e não podia faltar! * * * * * * * * * Enquanto isso, Juliana olhava aflita para seu relógio de pulso, pensando se daria tempo de chegar ao aeroporto. A viagem de barco, que completava seu quarto dia, já acumulava um atraso de mais de seis horas. - Será que eu vou perder esse vôo e ficar presa nesse fim de mundo? Ah! Tudo, menos isso! - pensou ela - Se for preciso, eu completo o trajeto a nado! Juliana havia completado seu estágio na floresta e retornava para a casa de seus pais. O restante do mestrado em Recursos Ambientais seria cumprido na Universidade de Brasília, depois de umas férias curtas em sua cidade, Belo Horizonte. Ela tinha um encontro importante e não podia faltar! * * * * * * * * * Silvério estava muito cansado, mas precisava continuar sua viagem. Após seis horas de vôo em um monomotor, vindo do meio da selva amazônica, com o corpo moído, pelos constantes sacolejos da pequena aeronave, e a roupa cheirando a querosene de aviação, ele achou que poderia se dar ao luxo de tomar um banho rápido. Faltavam mais de duas horas para o vôo, isso era tempo suficiente para encontrar um lugar adequado, onde ele pudesse tomar seu banho merecido. Depois, ele colocaria uma roupa limpa e pegaria um outro avião, para voltar para São Paulo. Em sua cidade, ele tiraria uns bons dias de férias, para matar saudades de sua família e descansar um pouco, depois voltaria ao trabalho para apresentar os relatórios feitos durante sua viagem à Amazônia. Ele tinha um encontro importante e não podia faltar! * * * * * * * * * Algumas horas depois, já no aeroporto de Manaus, Carlos estava na fila do check-in, com sua pequena bolsa a tiracolo, passagem e documentos na sua mão. A fila andava lentamente, mas ele já havia garantido sua presença no vôo. Dali pra frente, tudo seria mera formalidade - pensava ele. Mal podia esperar a hora para abraçar seus pais novamente. * * * * * * * * * Robert Smith tomou seu café, calmamente. Recolheu suas malas, fez o check-out no hotel e pediu um táxi, que pudesse levá-lo até o hangar, em São José dos Campos. Ali, ele embarcaria em uma aeronave recém-comprada por uma companhia americana. Sua tarefa era fazer a cobertura jornalística sobre a mais recente aquisição da próspera companhia de táxi aéreo. Para ele, o trabalho seria duplamente recompensador. Primeiro, ele recebera uma boa ajuda de custo para vir até a América do Sul, para fazer a reportagem aérea. Segundo, voltaria de graça para seu país, além do tratamento “VIP”, regado a champanhe francês e caviar russo. Nada como voar em grande estilo! - pensou o gringo repórter. O táxi deixou-o no portão de entrada do pequeno aeroporto, pertencente ao fabricante da aeronave. Após se identificar, um carro da companhia conduziu-o até o hangar. Lá, ele encontrou seus conterrâneos, sorridentes e prontos para decolar: - Welcome aboard, bud! Bem-vindo a bordo, amigo! - disseram, em coro, o piloto, o co- piloto e um diretor executivo da companhia americana, ao mesmo tempo em que lhe ofereciam uma taça de champanhe. - Thank you all! Obrigado a todos vocês! - disse o repórter sorrindo, pegando a taça das mãos do diretor - Eu esperar que o piloto não beba muito, pois não querer um vôo com turbulência. - Relax! Este avião ser totalmente computadorizado! - disse o diretor americano - Embora seja feito aqui no Brazil, o computador de bordo ser produzido na América, então não ter com que se preocupar. Ele voar sozinho! O piloto ser apenas para situações de emergência. - Então, não ter problema eu beber mais um dose de champanhe! - disse sorrindo o piloto, enquanto enchia sua taça - Nosso vôo será apenas um passeio. Nós deixaremos as emergências para outro dia! - É só não deixar cair champanhe no computador de bordo! - complementou o co-piloto, enquanto reabastecia sua taça vazia. * * * * * * * * * Juliana mal esperou o barco atracar. Pulou da borda e, por muito pouco, não caiu na água barrenta do rio Amazonas. Saiu em disparada, em busca de um táxi que a levasse diretamente ao aeroporto. - Ufa! Estou com sorte hoje! - disse para si mesma, quando desceu do táxi, em frente ao aeroporto, e saiu correndo em direção à fila do check-in. A fila enorme não a desanimou pois, tal como Carlos, que era o último da fila, até a sua, ela também tinha uma passagem comprada antecipadamente. * * * * * * * * * Os alto-falantes do aeroporto começaram a anunciar a saída do vôo, quando Silvério chegou esbaforido na fila do check-in, que já começava a receber os passageiros do próximo vôo. Nervoso, com a possibilidade de não conseguir pegar seu vôo, Silvério abriu sua bolsa, para tentar encontrar a passagem. Foi tirando tudo o que encontrou pela frente, roupas sujas, uma pequena toalha molhada, papéis de anotações de sua viagem pela selva amazônica. Mas, a passagem, não aparecia. Desesperado, tentou furar a fila e acabou sendo “convidado”, por um dos seguranças do aeroporto, a permanecer onde estava. O argumento de que seu vôo já estava saindo, não comoveu o segurança. Este lhe informou haver uma norma que obrigava os passageiros a chegarem uma hora antes do vôo. - É muito azar! - falou alto para si mesmo, na tentativa de comover os passageiros a sua frente - Vou acabar perdendo o vôo que sai agora, mesmo com passagem comprada e reserva antecipada! O resultado obtido foi apenas um leve burburinho e algumas cabeças abanadas, em solidariedade ao seu azar. - Ah, Senhor! - disse mais alto, na esperança de haver algum “irmão” no começo da fila - Esqueceste de mim! Nada! Nenhuma comoção. O aviso final de saída da aeronave, fez Silvério sentar-se no chão e começar a chorar de raiva. - Maldito banho! Tomei o tal banho e agora vou pagar por esse luxo! Que baita azar o meu! * * * * * * * * * A bordo da aeronave, que começava a decolar, Juliana e Carlos estavam sentados lado a lado, cada qual perdido em seus próprios pensamentos. Ela pensava em seus pais, ele em sua casa, sua família e os velhos amigos de infância que, há muito, não os via. O avião alçou vôo e, minutos depois, começou o serviço de bordo. O anúncio do comandante de que o tempo era bom, tranqüilizou a todos os passageiros. * * * * * * * * * A bordo do jatinho executivo, que começava a ganhar velocidade rumo ao céu, todos cantavam velhas canções americanas. Em poucos minutos, a aeronave havia alcançado sua cota de viagem, agora, o piloto automático faria o resto. O piloto poderia confraternizar com os poucos passageiros, além de dar a famosa entrevista para Robert. - Quantas horas de vôo, o senhor tem? - iniciou o repórter. - Eu ter mais de 30.000 horas de vôo - respondeu Solomon Smith - Isto é, contando com o tempo de Vietnam. - Então o senhor ser um veterano de guerra? - Of course! É claro! - respondeu o piloto - Eu também fazer alguns vôos no Iraque, durante os tempos de Bush Pai. Bons tempos aqueles! - Como o senhor comparar essa aeronave? - Bom, ela não ter armamento nenhum! O único jeito de derrubarmos o inimigo seria se jogar em cima dele! - respondeu o piloto, dando uma forte gargalhada. - Mas, deixando os brincadeiras de lado, o avião ser bem confortável, de fácil manejo e o seu ponto alto, o piloto automático fabricado no América, garante nossa tranqüilidade durante o vôo. O rádio da aeronave começou a emitir sinais de chamada. O co-piloto respondeu, com seu inglês carregado de champanhe. Do outro lado, instruções em frases padrão, faladas em inglês, eram repetidas incessantemente. O co-piloto não as entendia, talvez o sotaque do controlador de vôo não fosse de sua região - pensou ele. - Mas, o que importa, estamos voando na altitude recomendada. O avião está estável, não há tempestade. Resumindo, tudo está OK! - falou pra si mesmo, enquanto desligava o rádio - Esse pessoal cucaracha fala demais! Não são nada práticos! Por isso é que esses países latinos não evoluem. - O que estar acontecendo aqui? - perguntou o piloto, ao retornar à cabine. - Nada não, sir! - respondeu o co-piloto - Apenas blá-blá-blá desses cucarachas latino-americanos. É toda hora ligando para falar alguma besteira. Eles ainda não sabem como se controla avião. - Isto ser verdade! O pior é que ainda dizem que quem inventou o avião era um deles. - disse o piloto, dando uma gargalhada alta e exalando vapores etílicos. - Imagine só, o tal brasileiro voando, pela primeira vez, e o pessoal, lá em baixo, gritando para ele: “mais para esquerda”, “mais para direita”, “mais para o alto”! - gargalhou o co-piloto - Eles ainda têm muito o que aprender com a gente! - Quer saber de uma coisa! - decidiu o piloto - Ajuste o piloto automático e vamos deixar esses latinos falando pra eles mesmos! Eu vou acabar minha entrevista! Assim que o piloto saiu da cabine, um forte estrondo foi sentido por todos. Uma sombra enorme escureceu, por um breve instante, o interior da aeronave. Parecia que algo muito grande havia passado por cima deles. - Oh, my God! Meu Deus! - exclamou o repórter - O que ter sido isso? - Parece que batemos no teto do céu! - falou nervoso o diretor americano, tentando amenizar o seu estado de nervos - Eu ouvi dizer que o teto aqui no Brasil ser muito baixo! - Talvez possa ter sido uma ave! - falou o piloto, nada convencido dessa sua informação - Aqui no Brasil, existem aves muito grandes, que eles chamar de “urubu”. - Mas, a que altitude nós estar? - perguntou o diretor. - Nós estamos na altitude correta: 37 mil pés! - Mas, essas aves voam tão alto assim? - Não saber, mas talvez sim! Minutos depois, após notarem alguns estragos em partes da asa da aeronave, o piloto religou o rádio e procurou um lugar para pousar. No chão, eles conseguiriam verificar melhor o que poderia ter acontecido. A dezenas de quilômetros dali, um avião comercial, caía desgovernado e espatifava-se contra o solo, trazendo consternação e dor a centenas de parentes, e frustrando as expectativas e planos de seus passageiros e tripulantes, que tinham um encontro importante e inadiável. Um encontro macabro, marcado com a morte! * * * * * * * * * * * * * * * * Em Manaus, ainda sem saber do que havia ocorrido, Silvério continuava a se lamentar pelo seu “azar”, enquanto tentava embarcar em um outro vôo para São Paulo. * * * * * * * * * * * * * * * * NOTA DO AUTOR - Este conto, inspirado em acontecimento recente, é somente uma ficção. As situações apresentadas na história, não constituem, de forma nenhuma, conjecturas sobre as reais causas do acidente, nem pretendem sugerir como tenha ocorrido o acidente. Os personagens são também fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência!
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Comentários dos leitores

Li o conto muito antes de hoje, distraí, não comentei. Sim, é a realidade, o encontro ao qual todo mundo gostaria de poder faltar.

Postado por lucia maria em 13-11-2012

Execelente texto, com o é teu costume, caro Silvino, sempre m prazer imenso ler-te. Abraço meu Jorge Humberto

Postado por JORGEHUMBERTO em 31-07-2008

Muito criativo.Interessante a forma cinematografica do desenrolar do texto. Boa Leitura, para refletir.

Postado por bert em 01-11-2007

Uma história muito interessante.

Postado por Niafna em 04-12-2006

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