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A MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA



					    
Vivi durante o período da minha infância, numa pequena aldeia serrana onde nasci. Os seus habitantes para deslocar-se aos centros de instrução tinham grandes dificuldades. O acesso às escolas era difícil. Havia num monte ou outro uma pequena escola, servida por regentes escolares. As vias de comunicação não existiam como hoje, tornando mais difíceis as situações. Eu tinha uma vontade imensa de estudar, de prosseguir estudos. Mas como? Havia perdido o meu pai, com quatro anos de idade, e, quando entrei para escola primária, poucas probabilidades existiam de poder deslocar-me à cidade mais próxima, para frequentar escolas do ensino secundário e liceus (com propinas ainda mais elevadas) que nas antigas escolas comerciais e industriais. Minha mãe casou de novo, andava eu a fazer a quarta-classe. As minhas esperanças rumo ao futuro eram muito reduzidas. No final do ano lectivo, a minha professora, dirigiu-se à minha casa, para conversar com os meus pais, pois era de opinião, que eu deveria prosseguir estudos, devido ao facto de ser uma excelente aluna. Muito aflita e incrédula, pensei que o meu padrasto, nunca iria aceitar a proposta da professora. Não o conhecia, e na minha pouca idade (na altura tinha apenas onze anos de idade) não dava para entender, o seu lindo gesto de solidariedade humana. Estudar na cidade vizinha, a minha menina? Impossível! – dizia minha mãe, e continuava.... mas como, se o teu salário nem dá para essa despesa? - Bem, veremos! – dizia ele. - Mas como? Interrogava ela. - Eu deixo de fumar e o dinheiro dos maços de cigarros, dá para os livros e propinas. Na verdade ele fumava muito e fazer aquele sacrifício por uma enteada, parecia uma possibilidade muito remota. Eu que havia ficado revoltada com casamento da minha mãe pois na altura não entendia porque ela o havia feito, nem admitia um homem estranho em casa, disse para a minha irmã um ano mais velha que eu. - Mana, eu já gosto do homem! Sabes porquê, ele vai deixar de fumar para eu estudar. As lágrimas rolaram de alegria pelo meu rosto infantil. O seu gesto era magnífico. Eu não cabia em mim de contente. Na minha ingenuidade e desejo de ir mais além, acreditei nele. De facto, valeu apenas acreditar, pois na verdade ele cumpriu a promessa e foi para mim um verdadeiro pai. Nem sempre os pais de sangue dariam melhor exemplo do que este “pai de afectos” nos deu em toda a nossa vida. Achei que era meu dever estudar afincadamente, para não o desiludir e consegui mercê de muitos sacrifícios e trabalho seguir a carreira que eu sempre sonhara – Ser Professora. Depois ter feito o ensino secundário, formei-me na Escola do Magistério Primário dessa cidade. Diplomada, regressei à aldeia onde nasci. As vagas não existiam senão fora de portas, e eu, mesmo com diploma na mão, sem ter hipóteses nos concursos que se apresentavam, comecei a exercer o voluntariado na arte de ensinar as crianças pobres da minha aldeia. Havia um edifício velho duma senhora caridosa que se disponibilizou para que formasse um pequena escola particular e assim comecei por amor à arte de bem fazer, a ensinar e aprender. Quantas crianças aprenderam a ler, escrever e contar, sem qualquer outra remuneração que não fora a minha vontade própria de ajudar. Sentia-me feliz e realizada moralmente. Era um treino que me preparava para a vida. É ao professor que está confiada a preparação do homem de amanhã. Instruir os jovens é livrá-los das garras da ignorância – “mãe de todos os vícios e erros””. Mas a boa vontade nunca falta, nem a solidariedade, daqueles que ainda entendem a partilha desta dádiva de amor. Minha mãe havia-me ensinado que os talentos que Deus nos dá, devemos por ao serviço da humanidade e “quem Deus promete não falta”. E de facto, como o povo diz “Deus dá o mal e a mesinha”. Havia naquela aldeia uma população que entendia a solidariedade e que doava também aquilo que conseguia. Assim, nunca faltava para comer – uma broa amassada com amor, um bom cacho de uvas da região, os legumes, a fruta e tudo o mais. Era uma ajuda recíproca. Fazia lembrar aquilo que eu aprendera na história que o homem no seu início, trocava produto por produto e foi vivendo em solidariedade e inter-ajuda. Mais tarde, quando comecei a exercer a profissão a sério, longe dos meus, fazia visitas aos enfermos, para lhes dar um pouco de carinho. Que tristeza eu sinto hoje, ao comparar a falta de segurança que existe ainda de quem atenta às leis da Natureza sente mágoa, que por falta de cuidado e maldade, causem tanta destruição. Ser solidário e voluntário são qualidades que nascem na alma. Aqui vos relatei, forma sintética, alguns exemplos de solidariedade, que vivi na minha vida e que por vontade própria, realizei e beneficiei. Ser ajudada e ajudar os outros de livre vontade, para de forma igual retribuir o bem, resume--se nestas simples palavras, que procurei seguir: “Só serei Feliz se cumprir sempre o meu Dever!
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Comentários dos leitores

Me identifiquei com esse relato. Bem parecido com a minha historia de vida! Familia Grande e simples! Estudei com a ajuda de parentes e amigos! Fiz Magisterio. Ajudei principalmente adultos que não tiveram oportunidade de estuda na infancia.

Postado por galbela em 22-03-2014

É ótimo ler este relato. Aprenderemos muito lendo um relato como este e\ou contornando tudo o que nos ocorre de fato nesta vida.

Postado por roriskrris em 09-09-2008

A sua experiencia de vida é sem dúvida exemplo de vida prá muita gente. Doar-se deveria ser simplesmente consequencia do que se recebe, e voce viveu intensamente isso. Carinhosamente, Alquimista

Postado por alquimista em 17-08-2008

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