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DIAS CURTOS versus DIAS LONGOS: HORAS IDEM?



					    
RUBEMAR ALVES Todo dia tem vinte e quatro horas. Toda hora tem sessenta minutos. Quem disse? DIA CURTO - Tenho uma AMIGA que faz pesquisas culturais e entra perto do desespero se não houver Internet. Nestas ocasiões, felizmente raras, é como se o dia tivesse apenas 10 horas; com Internet, 30 horas. Como é possível? Inativa, ELA deita, dorme, sonha com páginas de livros, tela do computador e textos a serem escritos. Não sabe exatamente se perdeu tempo, se diminuiu o dia “desmaiada” na cama... Fica apenas 10 horas acordada sem Internet, mas em grande atividade quase concreta e real, porque no sonho pensou o tempo todo. Às vezes EU surjo no sonho, faço uma pergunta que ELA não sabe responder, mas como sempre tem saída para tudo, no mesmo instante um galo imaginário, muito grande, entre azulão e vermelho, tipo selvagem (qual a altura máxima desta ave?), canta como despertador e minha AMIGA acorda imediatamente. Estranha associação de idéias: eu e o galo. Melhor não pesquisar. Acorda, prepara rascunhos, aguarda o momento exato para trabalhar. “Internet chegou?” Produz muito, mesmo sem e-mail, não se duvide. DIA LONGO - Para esta minha AMIGA, num tempo extra do relógio do sol, dia de 30 horas é quando, em atividade acordada, reduzindo o dia a 22 horas (dormir, dorme normalmente, como todo mundo, um terço do dia), com Internet, ELA não pára em suas múltiplas confusões, digo, obrigações (ah!...) intelectuais ou caseiras. Assumo que EU me perderia nestas atividades simultâneas e me perco nas muitas notícias que me escreve num único dia. Produz muito mais ainda, com e-mail, não se duvide. HORAS CURTAS - Recebemos aviso que haveria uma professora nova em experiência e todos os alunos, ao término da aula, deveriam secretamente votar de 0 (zero!) a 10 (tudo isso?) - vá lá que seja, pior é que muitos saem da sala antes do final. Trinta e cinco alunos, trinta e cinco votos. Não era uma mulher, era uma deusa grega. Túnica amarela como um raio de sol, em volume de tecido fino, correntinha dourada à cintura (bom, EU a vi assim o tempo todo, mas ao sair da sala usava jeans e uma camiseta com o desenho estilizado de uma coruja, símbolo da filosofia - como trocou a roupa na presença de todos, não sei...) e sandálias com tiras entrelaçadas até os joelhos. Fiquei como que anestesiado e talvez nem a física quântica explique como me transportei de uma faculdade contemporânea aos templos antigos. EU, um escravo ou um guerreiro? ELA, uma rainha ou uma vestal? Conscientemente EU não sei nada do que possa ter acontecido na sala de aula. Só tive olhos para ELA, ouvidos para sua voz melodiosa, mas o que ELA falou, não sei. Alguns alunos mais apressadinhos ou com horário restrito de condução davam “boa noite” e iam saindo sem ao menos olhar para trás. Duas rápidas horas voaram no limite de dois minutos. “Já acabou? Só isso? Que aula pequena!!!” Contei os votos, apenas vinte e sete, valores variados, EU no papel de coordenador da votação acrescentei mais oito papeizinhos com nota 10, envelopei tudo, rubriquei por fora, entreguei na secretaria. No outro dia, soubemos que a professora HELENA (ah, conheci antes, em século bem distante, EU tenho a mais absoluta certeza) tinha sido muitíssimo bem votada, mas removida para outra unidade. Achou que pedirei a minha transferência. HORAS LONGAS - E quando se tem que aturar um bêbado que só diz idiotices? Eis que me convidaram para um almoço e achei que seria um programa agradável. Não que EU fosse padrinho, mas fui ao encontro da família na igreja para dar carona (neste dia, meu anjo da guarda com terçol, só pode ter sido!) a duas senhoras idosas que não poderiam ir de ônibus para a casa do almoço. Durante a missa que antecedeu a cerimônia religiosa, palavra, senti um alívio quando alguém me puxou o braço e sugeriu: “Vamos conversar lá fora?” S em mais nem menos, apresentou-se como tio da bebezinha, perguntou se eu tinha netos (?), nem me deu tempo de responder e começou a falação inútil - do traje do padre, entrou pelos séculos do medievalismo e pulou para previdência social e depois imprensa brasileira. Percebi que estava nitidamente bêbado e ofereci um café preto. No botequim, adiantou-se, pediu um café “para este moço, coitado, que está se sentindo muito mal das pernas, andando todo torto” e para ELE um copo de pinga “bem grande, viu?” - paguei a despesa e voltamos para a porta da igreja. As duas senhoras entraram no meu carro, percebi vagamente uma pessoa arriada, cabelos louros, o bêbado levantou a cabeça, caiu na risada, “enganei você, hein?” - garantiu depois que achara “a cabeleira de sueca dentro do carro”, ele disse... Mais tarde se revelou escritor com livros publicados e muito bem vendidos, nome bastante conhecido até; mostrou excelente cultura, entretanto a mente já me parecia totalmente deteriorada, misturando literatura universal (recebi lições!), guerra de Viet Nam (ELE e EU nascendo na época...), voltou para Moisés, pulou para Abraão Lincoln, caiu sobre meu ombro... e adormeceu. Perdi noção do tempo. O almoço estaria tão atrasado assim? Na minha falta de paciência com esse infeliz tipo de pessoa, “teriam sido” dez ou doze horas de loucuras? Consultei o relógio. Tudo isto acontecera no curto período de três horas, passando um pouco de meio- dia. Por sorte, recebi um casual telefonema ao celular, improvisei “minha mulher...” (que ainda nem me foi apresentada!!!) e saí faminto do ambiente festivo. Botequim de melhor categoria, pão com ovo, pudim de leite, guaraná. Uma semana depois, carteiro me trouxe dois romances muito bem autografados, dedicatória de agradecimento pela minha “paciente compreensão humanista” e a data daquele domingo. F I M
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Comentários dos leitores

Comentário e crítica ao mesmo tempo. Você dividiu, redividiu, errou......... Melhor seriam só 4 partes, porque uma delas saiu divdida num ponto crucial. Contudo, gostei! Tempo longo longe de você.

Postado por lucia maria em 02-02-2013

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