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CIÊNCIA OU MÁGICA+RELIGIÃO?



					    
RUBEMAR ALVES A medicina popular simplesmente reúne certos conhecimentos práticos , transmitidos pelo inconsciente coletivo, dentro de um contexto sócio-cultural-econômico. É a interpretação de um passado remoto: termos, ideias e práticas de ‘medicina’ antiga. Poucas mutações ocorrem ao longo dos anos, embora possa haver alguma influência entre culturas diferentes e através dos novos meios de comunicação. Certeza em nosso país da medicina de conotações mágico-religiosas, são as práticas presas a universo sacraliza do, na dimensão metafísica de vida-doença -morte, mistérios que remetem ao sobrenatural. E os ritos religiosos? O curador utiliza elementos de poderes mágicos, tais como plantas, cruzes, óleo, água e instrumentos cortantes; profere rezas e invoca a Virgem Maria, Jesus, os santos mártires católicos e o próprio Deus. Utiliza uma faca e reza: “Em nome de Deus eu curo cobreiro brabo, corto cabeça e rabo.........” Ao mesmo tempo, faz com a mão o sinal da cruz e sacode sobre o doente um raminho verde de arruda ou alecrim. A prece é um fragmento religioso e ao mesmo tempo um trecho poético-literário, produto acumulado de gerações. A primeira referência a esse tema foi reg istrada pelo Padre Anchieta em 1672, como “...doença perigosa com os nomes de santo-antão ou cobreiro, o doente indo se lavar com a água de uma fonte milagrosa, ao final de algum tempo sem dor ou vestígio na pele...” Comuns também rezas para a cura da erisipela, com apelo a Pedro Paulo, observando-se aqui o ‘ingênuo’ erro linguístico da fusão dos dois nomes por aliteração (sons consonantais parecidos), incluindo-se um adágio que seria esclarecedor: “Quando Paulo enferma, Pedro adoece” - dois diferentes vultos da implantação do Cristianismo. Sem dúvida, a reza é primordial para o homem fiel, em sua privacidade ou durante o culto coletivo. A questão da doença aparece até mesmo em certos hinos: “... És cego... mudo...? Fé em Deus. Crê que Jesus vai te curar!” (Não quero discutir aqui falsas promessas, perigosamente quase rotineiras na atualidade.) Assim, a cura faz aumentar no doente o sentimento de fé (que eu chamo de autoconfiança), o que lhe trará alegria com a obtenção da cura ou resignação, caso tal não ocorra: “Deus não quis.” As religiões mediúnicas (candomblé, umbanda e o kardecismo chamado de mesa branca)) são as que mais atraem os aflitos: refúgio e consolo dos males corporais e espirituais através de rituais de práticas médicas e rezas. O homem primitivo adorava os astros; magos caldeus foram mestres de uma astrologia cheia de mistérios e supe rstições, que ainda influenciam a medicina popular de nossos dias e atribui aos astros tanto o aparecimento como a cura da doença - a fase certa da lua para ingerir o vermífugo, a lua nova agitando os portadores de epilepsia, a virada da lua marcando o momento do parto... Na medicina popular, surge também a simbólica numerologia cabalística - nas tais garrafadas, a magia indica até por quantos dias a beberagem deverá ser enterrada. É uma combinação de plantas medicinais com vinho branco, raramente água, ainda elementos animal e mineral, quase sempre para finalidades específicas, tais como garrafada para doença renal, cardíaca, verminose intestinal e outras, inclusive.......... impotência sexual!!! No modo de preparar, “enterrar por 9 dias e tomar um copinho em jejum durante 9 dias”. O 9, na cabala judaica: entre diversos significados, ‘um novo ciclo de vida’, que pode ser a cura. Entre alguns erros, a medicina popular atribui a certos males, principalmente os neurológicos ou estados psicóticos , uma interpretação demonológica, com indicação de exorcismo e expulsão do mau espírito. (Sucesso no cinema... e no bolso dos falsos “líderes” (?) religiosos!) As plantas fazem parte dos rituais afro- brasileiros, em especial no preparo de amacis (ritual de iniciação ou sacramento), banhos, bebidas rituais e remédios. O princípio ativo de plantas empregadas no candomblé ou na umbanda muitas vezes tem comprovação na atividade farmacológica (ciência, caro le itor!), com poder de fato curativo ou negativo, em destaque as que agem no sistema nervoso central, como o obi (Cola acuminada), a jurema (Mimosa hostilis) e o fumo (Nicotiana tabacum), com efeitos desencadeados permitindo enfatizar certos aspectos comportamentais nos rituais. Obi, noz-de-cola ou noz-de-obi contém, entre seus princípios ativos, cafeína e teobromina, que são estimulantes - obi é um cotilédone inserido no interior das sementes utilizadas em rituais afro- brasileiros, tradicionalmente usada na África Ocidental como mastigatório estimulante, digestivo, reparador de forças, calmante da fome, tônico do coração, diurético suave, alimento compensador, afrodisíaco e depurador da água potável. (Ufa!!!) O fumo tem como princípio ativo principal um alcalóide chamado nicotina, que é sedativa e narcótica. O ato de soprar fumaça nos rituais é a sobrevivência de cerimônias religiosas e práticas médicas dos índios, primitivos habitantes do Brasil, incorporadas aos sistemas religiosos afro-brasileiros. A jurema ou ajucá apresenta na sua composição química a triptamina, também de ação no sistema nervoso central, que provoca alterações de humor, da euforia a depressão, ansiedade, distorção na percepção tempo/espaço, despersonalização, midríase (paralisis) e hipertemia, efeitos semelhantes ao do LSD e drogas deste grupo. A ação destas plantas empregadas em rituais religiosos é de valor significativo, unindo-se a ingestão de bebidas aos estímulos olfativos e gustativos, ou seja, incensos, fumaças de cachimbos-cigarros-charutos , e estímulos auditivos, ou seja, sons de cantos, percussão de atabaques, sinetas e palmas. (Muita coisa junta!) Pode-se estabelecer um paralelo entre a função sacral simbólica das plantas nos rituais e a ação das mesmas em função de seus princípios ativos, empregados em curas, muitas vezes as mesmas plantas com as duas funções. O alecrim (Rosmarinus offcinalis), por exemplo, está presente nos amacis, nas defumações e até na letra de pontos cantados na umbanda, assim como, para uso interno, é indicada como estomacal, estimulante, antiespasmódico, diurético etc. - externamente, na forma de banho no reumatismo articular. Conclusão é que o resultado das práticas médicas populares decorre da interação dos elementos de cura, que são remédios à base de plantas com rezas, penitências, benzimentos e passes. ----------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: Cobreiro - Virose provocada por uma variante do herpesvírus, em geral atingindo pessoas com baixa defesa imunológica, como idosos, estressados ou pacientes com AIDS. Erisipela - Infecção cutânea geralmente causada por bactérias de tipo streptococcus do grupo A. FONTE: “Religiosidade ou medicina popular” - D. O. LEITURA, novembro/1988. F I M
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Comentários dos leitores

Bom trabalho! No interior do país, mesmo onde a medicina acadêmica existe, aparecem também os chás, os banhos e a rezas. Paralelo nacional, meu anjo. Parabéns!

Postado por lucia maria em 26-06-2013

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