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FALTA DE SINTONIA: EM QUE MUNDO ESTAMOS VIVENDO?



					    
Existem momentos em que, francamente, as pessoas prestam atenção ao que se fala? Tenho um parente de convívio íntimo, basicamente quase a mesma residência, NÓS nos dependemos mutuamente em muitas ocasiões. Começo a expor o assunto, sempre algo importante, muito mais de interesse dele (porque nas transações EU fico geralmente no prejuízo). Não é “ELE atende o celular tocando” – o oposto: ELE pega o aparelho, não me pede licença (nunca escuto nada urgente porque idiota não sou!), digita o número da outra pessoa e são risadas gastas em longos minutos. Desisto, volto para a minha casa, o assunto ficou pela metade; num outro dia ELE compra tudo trocado ou executa as tarefas erroneamente ao que falei , ainda me acusa de não ter falado direito. Se e quando escrevo, perda de tempo - gasto “o meu latim e o meu grego”, como se diz popularmente - , não deve ler com atenção pois a trapalhada continua a mesma... Ou diz que escrevi poucas linhas, não fui muito claro, ou... muitas linhas, cansou só de ler. Passei boa parte da manhã tentando distrair determinada senhora que fez uma cirurgia delicada e deveria passar um mínimo de dez dias deitada. Médico falou... e escreveu. ELA alegou que ELE falou muito baixo, não entendeu a letra (legibilíssima, EU vi) na folha de receituário e a própria se auto- indicou “dois dias”; no terceiro dia, pediu um passeio de carro a um amigo e foi a um bairro distante comprar uma afrescurada mesinha de centro, dois andares, vidro na parte superior... voltou cheia de dores no ventre. Distraí- la? Se possível está até mais bem disposta que EU. Entre diversas estórias, ELA e EU permutando as narrativas, contei de meu quase trauma sobre as pessoas que fizeram péssimos trabalhos na minha casa – colunas e telhado numa varanda, colocação de pisos e azulejos, envernizamento do armário de roupas etc. Pessoas diferentes, trabalhos idem, preços altos e ainda o pedido final da “cervejinha”... Comento não querer mais ninguém dentro da minha casa, embora com as paredes precisando de nova pintura... e ainda tenho que sofrer e pagar?! Aparentemente ELA ouviu e entendeu, sorrindo sempre, mas encerra a conversa com: “Se EU fosse VOCÊ, mandava pintar as grades das janelas tudo de branquinho...” Não citei grade nem janela alguma. ELA não disse que EU pintasse... Não entendeu ou não quis entender o que falei. Haveria uma festa de 15 anos. Salão alugado um ano antes, decorador especializado, bufê exótico, muito luxo, muito cerimonial exagerado, aquela festa paga a prazo e que ao 18º aniversário os pais ainda estão devendo. Tradição burguesa do querer aparecer custe o que custar, em duplo significado. Há muito tempo não compareço a certos artificialismos: casamentos, bodas, semelhantes... Ora, avisaram que havia poucos convites impressos; EU não iria mesmo, dispensei o meu, bastava a participação verbal. “Mas como VOCÊ não vai? Festa da sua prima!” (De ‘terceiro’ grau...) Acho que apresentei muitas explicações filosóficas e sociológicas, complicadas, porque a portadora do convite resumiu para a mãe da mocinha o meu não comparecimento: “ELE disse que o barulho da música alta perturba a cabeça dele...” Antecipou-me o Alzheimer, pode? Muito moço ainda. A menos que tenha mentido de propósito, tipo desculpa esfarrapada (EU nunca pediria): outra que não entendeu nada. Ou será que passei por excêntrico, esnobe? Leciono, oriento teses, escrevo literatura, organizo bibliotecas – será que somente a cultura não me perturba? Bom, não é que EU queira ser a pessoa mais esperta do mundo, mas escutei a vizinha falar com o marido ao celular, quase aos gritos, na porta da minha casa. “Está bem, então farei farofa de bacon e maionese com cenoura... Ah, bolo grande também.” Pela data, aniversário dele, conheço há muito tempo, comida melhorada, pensei logicamente num almoço ou jantar para marido, mulher e filhas pequenas. Mais tarde, me convidou - EU antecipadamente sabia! Já escutei imbecis elogios por saber determinadas datas históricas - 20 e 25 de janeiro, 21 de abril, 13 de maio, 7 de setembro, 15 de novembro... “Até 4 de julho o tio sabe......... Adoro o Mickey.” O que EU comentaria agora? Recentemente, numa palestra com professores secundários em geral, sob o tema “Descolonização dos Países de Língua Portuguesa na África”, choveram perguntas do tipo: “O carnaval lá é quando?” Alguém citou um ritmo cubano e colocou o “país” Havana dentro do mapa da África – não houve espanto nem protestos. “E o Natal?” Expliquei a centenária mistura de influência católica sobre as religiões étnicas, mas Natal é Natal, ora bolas... Terei usado palavras ‘difíceis’? Aí alguém perguntou sobre o “Natal” dos judeus - fingi não escutar... “O Ano Novo é no final do ano?” (De que ano?) Por que na atualidade as pessoas não raciocinam mais, em momento algum? Tenho pena de certos escritores que se desgastam em textos elaborados, pesquisando muito e em paralelo com as criações, colocam no palco ou na tela, depois “ninguém” entende nada ou distingue personagem fictício de biográfico (pior ainda se for biografia ‘melhorada’ por necessidades cinematográficas ou televisivas), prefere ler sobre a vida privada dos artistas... Ah, a palavra ‘privada’... ENEM-2011, tema da redação - “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado.” Meu vizinho, 17 anos, terceiranista do Ensino Médio em 2011, um dos melhores (?) alunos da turma, escreveu que... “... até na privada (sentido de ‘banheiro’) as pessoas do século XXI penduram rede (concretizou um regionalismo do Nordeste) - assim, o público usa muito mais o computador, a Internet, deixando de lado a televisão, o rádio de pilha e o telefone”. Alienação total, falta de vocabulário, cérebro não pensante. Vai ser um futuro jornalista ou veterinário ou cientista do espaço (já está no espaço há muito tempo!), “onde haver vaga”, diz ELE... Haver................ Por favor, professor ou advogado, não!!! F I M
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Comentários dos leitores

Triste verdade a alienação das pessoas! Conheço um par de amigos, ambos rejeitados por terceiros... Alegam inteligentes demais, cultos demais, infinita sede de saber. Não param de estudar. Parabéns!

Postado por lucia maria em 30-11-2013

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