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DEVANEIOS



					    
“CHAPEUZINHO VERMELHO foi meu primeiro amor. Senti que se Eu pudesse ter casado com ELA teria conhecido a perfeita bem-aventurança.” - CHARLES DICKENS. Não estou aqui para discutir mitologias, contos de fada – mundo mágico desse tipo de narrativa - e sim os sonhos, os devaneios comuns de nós todos. Se o imortal escritor pensava desta maneira, o que os menos intelectuais podemos pensar e sentir? Tudo, também. Por que não? Conheço uma mulher que se emociona por décadas a cada releitura de UM CERTO SORRISO, de Françoise Sagan. Foi jovem e viveu as peripécias emotivas da personagem DOMINIQUE. Lendo, ELA volta no tempo e vê rostos conhecidos em todos aqueles franceses; em devaneios, tal e qual a estudante de Direito, sonhadora e contraditoriamente não muito esperançosa, mora numa pensão, quarto com decoração pessoal inacabada e estuda na biblioteca da faculdade e corre as ruas e as ruelas e os cafés de Paris... “Acorda” de repente – casa muito maior do que um simples quarto de pensão – e vai cozinhar ou lavar a louça ou varrer ou fazer lista de compras, principalmente papel A4 e tinta para a impressora (aulas de português para AMIGO distante); aí, adormece o devaneio, “guarda” todo mundo na memória antiga e cai numa realidade chatérrima. Como viver sem literatura? Todo pensamento é literário – quem, quando, onde, fazendo alguma coisa. Ninguém se sinta ridículo porque devanear é tão somente viver... literária e abstratamente, mas v i v e r. (Diferente de fantasiar, ou seja, imaginar-se um sultão em meio a 26 ou 365 esposas, uma para cada letra do nosso alfabeto ou uma para cada dia do ano. Imaginar-se presidente de um país – não de todo impossível. Imaginar- se pacificador do planeta – impossibilidade total.) Devanear é viver dentro de um sonho possível, um desejo sem resmungos tolos ou infelicidades grotescas. Conheço um homem a quem certa vez uma AMIGA chamou de “carentinho” e ELE até se enquadrou, sem reclamar. ELE escreve contos e idealizou um casal sem protagonistas, ou seja, ora ELE é o provedor “príncipe cansado mandão” que se julga o ‘chefe’ da casa ora ELA é a mulher que ao exagero economiza um centavo nas compras necessárias (tira do carrinho, põe o mais barato no carrinho, troca pacotes e latas... recusa frutas fora de época... leva horas no mercado!), depois como “doce fada mandona” exige bombons de cereja ao licor (“Não me interessa o preço. Compre ou vai dormir no sofá!”) e o mantém emotivamente acorrentado... Acorda muito cedo para o trabalho e um destes dias a imaginariazinha dormia ao lado dele (devaneio duvidoso: nua ou em sensual camisola de cetim vermelho?), no mesmo instante já estava acordada e preparara a refeição matinal dietética (“avental todo sujo de ovo” é na canção da mamãe...) ou saíra para comprar pãezinhos e queijo antes das 6 horas na padaria da esquina. Ah, no que deu bom dia ao jornaleiro “bonitão”, carentinho cortou a cena e preferiu sair de casa, mulher ainda no sono sem vê-lo ir para a empresa sanguessuga, escala extraordinária no sábado – adora que ELA não acredite, ciumenta discreta. Ligou o carro com um sorriso... imaginando regressar à noite com uma rosa em troca de um caloroso beijo. Molengou na estrada paulista, acordou com italiano realistíssimo buzinando, fazendo gesto e o xingando de ‘cuco’. Não um louco poeta alucinado e sim um escritor. Criou a imagem de um homem e uma mulher e agora a vê numa casa por décadas vazia de presença feminina, apenas isto. Rostos variam (não mudam a pele clara e os olhos apertados), mas a alturinha é sempre a mesma... Gigante X Ratinha. Detesta nela o vestido lilás, comprido até perto do chão, semi desnudante sem alça alguma, gosta do chinelo dourado de Princesa feliz. Do fogão verdadeiramente parado, sai fictício cheiro de bolo ou pudim de gemas. Abstêmio, ELE abomina e critica, porém não consegue proibir na mulher uma latinha de cerveja. ELA nem sempre o espera à noite, acordada, horário extenso de interminável curso noturno, e a leva no colo da sala para o quarto. Certa vez ELA sem querer o trancou no quarto e foi procurá-lo na rua, tarde da noite. Ah, e ELA odeia quando ELE se exibe contando, sedutor e hipnotizador Gigante, estórias antigas com professora de inglês, nutricionista bonitinha ou palestrante nissei. Porque a imaginação desse escritor inclui personagens anteriores a ELA, quando ainda “era” um solteiro livre como um pássaro... Vão a shopping, rápido fim de semana fora de casa, festas tradicionais longe dali. Na rua, ELE “sofre” olhares de assédio – vaidoso, invisível sorriso interno; em casa, sofre juramentos de vingança no mesmo estilo. Não são ‘nada’ ciumentos......... Agora, tem uma coisa. E se ELA, a personagem, perceptiva e com alma, vive também essas estórias, esses devaneios? ELA acorda cedo, prepara a refeição matinal, interroga-se onde e com quem ELE almoça nos intervalo das “máquinas insensíveis e horrorosas”... Acaricia livros que possuem – beija o computador. Passa o dia inteiro pensando nele e imaginando os contratempos de um casal que se ajusta e desajusta há............ um bom tempinho! Criador e criatura. ELA existe na imaginação dele – ELE existe no coração dela. Só reencarnando para se encontrarem outra vez... ao vivo e em cores! NOTAS DO AUTOR: CHARLES DICKENS – 1812 / 1870 – O mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana – escreveu muita crítica social. Lia infindavelmente na infância, começou a trabalhar com 12 anos e sua memória fotográfica serviria depois para a criação de personagens e acontecimentos que viveu. FRANÇOISE SAGAN - 1935 (Geminiana) / 2004 – Escritora francesa, pseudônimo retirado de uma obra de Proust. Primeiro livro aos 18 anos, BOM DIA TRISTEZA, venda mundial de milhões de exemplares. Amiga pessoal de Sartre e Simone... e de muitos outros e outras famosos. Esquerdista, ativista, existencialista... Apesar da fama e do cerco intenso-agitado, estranha solidão interior... CUCO – Na Itália, por mera irritação de minutos, chamar um estranho de ‘cuco’ em situações de trânsito é como chamar de corno, marido traído. F I M
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Comentários dos leitores

Não sei se é sadio devanear. Quem tem imaginação prodigiosa, vê, escuta e sente o outro como se fosse real. Você é anjo sensível. Parabéns!

Postado por lucia maria em 19-07-2014

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