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AÇOUGUEIROS QUE ROERAM O OSSO



					    
Um cemitério no bairro, monumentais túmulos da nobreza que surgiu desde Dom João, o futuro VI, tudo indicava que fora no mínimo lugar que a elite dos tempos imperiais escolhera para o descanso eterno... Catumbi, bem perto do centro da cidade... algumas ruas citadas em romances do século XIX, ambiente metropolitano do Rio de Janeiro. Com a República em 1889, incontáveis famílias decadentes aqui, vá lá que tenha acontecido no passado, mas estes portugueses “atuais” ostentavam o mesmíssimo sobrenome bem comprido de um barão ou conde ou visconde... Parte da família que ficara em Portugal e somente veio para cá ao início do século XX, sem palacete nem escravos ou criadagem farta. Agora era trabalhar!!! Anos 50. Pai montou um açougue de primeira linha, lâmpadas fluorescentes, o chamariz ‘moderníssimo’ e raro da época, e os filhos – nascidos lá e cá – foram crescendo entre carnes, sebos e ossos. Orgulhavam-se da ascendência e a vizinhança, clientela do “Talho (açougue) N. S. de Fátima”, entre humilde-ignorante ou cretina- bajuladora, chamava de “Príncipe” o portuguesito mais velho. De fato, escola particular de padres em paralelo a curso de francês. Um cretino: beijava a mão das mulheres, não importava a idade, freguesia se derretendo com o aprendiz de galã. Versão de que, muitas vezes, o açougueirinho-empacotador-entregador ia de bicicleta em rua bastante próxima levar meio quilo de carne ou de lingüiça fresca e somente voltava ao açougue duas horas mais tarde, piscando para o pai que demorou porque não sabia se era (isto era coisa que dissesse?) a casa da ‘frente’ ou a de ‘trás’ (ainda havia terrenos remanescentes de antigos cortiços, com várias residências)......... mas acertou o “caminho” para entrar na “casa” e...................... Pai não traduzia de imediato o real ou o outro significado, contudo resmungava “Parabéns!” ao filho macho. Bicicleta ganhou aposentadoria. Abriu-se um açougue-filial, no quarteirão seguinte, para o Príncipe se tornar independente e talvez casar. Enamorou-se de uma brasileirinha que não estava a fim de ser Princesa coisa nenhuma. Muito mocinha, largara as bonecas e as panelinhas de brinquedo há pouco tempo. Gostava de samba e de brincar o carnaval – recusava galanteio, florzinha embrulhada em papel de presente, elegantes e sofisticadas balas de alcaçuz numa latinha de confeitaria tradicional... A mãe da garota, junto com o açougueiro-pai já se irritando com as aventuras amorosas e perigosas do jovem, armou um enredo sem lógica nenhuma, que ele devia casamento à meninota ou iria se queixar na polícia. Logo, as mais velhas do lugar foram se desiludindo, ele agora não beijava mais as mãos de todas, confusamente comprometido, sem culpa alguma, nem ao menos em beijinho tolo, famílias preparando às pressas um enxoval e o vestido de noiva. Casaram, um bolo rápido, champanhe, açougue no térreo, foram morar em cima, no dia seguinte ao casamento ele desceu todo arranhado para trabalhar, contou vantagem de ter casado com uma “onça” insaciável a quem dera “muita felicidade”. Estória controversa – para a irmã, a moça disse que casara à força com um “monstro violento”... Não estava preparada para “aquilo”..................... Detalhes ocultos, mas demonstrava desinteresse pelo marido e pelo conseqüente filho nascido um ano depois. Passou a querer trabalhar fora, marido altercou, necessidade nenhuma... e acabou indo ser caixa no açougue. Roupas caras, ela enfeitadíssima, ostentava jóias verdadeiras, parecia estrela luminosa num ambiente de festa, não de carne retalhada e muito sangue. Sentimento de amor nunca pode ser unilateral: o coitado fidelíssimo, entusiasmado, apaixonadão... No domingo, pela primeira vez, não o esperou subjugá-la e entre o após-almoço e o jantar, ofereceu-se toda, entusiasmada, alegre, risada fácil, uma bacante “grega”, nuazinha, dançando tentadora como a latina e ladina Salomé (teria aprendido onde?) – vinho português substituindo o néctar de Vênus-Afrodite. Em horas, enlouquecidos. Na segunda-feira, Dia Internacional da Preguiça, mulher demorou a descer e marido a imaginou muito cansada... Ao meio-dia, subiu para o almoço. A cozinheira em prantos, bebê no colo – “chegara cedo, porta sem estar trancada, armário de roupas escancarado, criança no berço aos gritos talvez de fome, olhou, nenhuma roupa ou sapatos da patroa, percebeu a falta de três malas grandes”. Escutou o relatório da serviçal e, instintiva ou inconscientemente, português colocou as mãos sobre os dois lados da testa e riu confuso e chorou convulso em desespero. Dias, muitos dias, não a localizou em nenhum lugar conhecido. Odiou, desistiu, rasgou fotos, criança entregue à sogra. Instruiu um empregado mais velho para substituí-lo em compras e administração geral do açougue. Temporada um tanto longa em Portugal e voltou de lá com uma ‘barriguda’ de sete meses. Pois é, a vida continua. “Na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”, segundo LAVOISIER. Esta se propôs, madrasta amorosa, a criar o filho dele. Por precaução, cercada de conforto e mordomias, marido sugeria não precisar descer para nada......... E era esta quem o chamava para o amor sincero e afetuoso, todas as noites. Galo agora cansado! Sei de uma pessoa que não viu, somente ouviu e dessa forma testemunhou tudo isso, moradora do bairro. Trocou de residência. No outro bairro agora distante, havia um nordestino sem nobreza. MAURÍCIO DE NASSAU se limitara a um único Estado, que não era o deste açougueiro. Contudo, único estabelecimento de carne e derivados na região, conseguira juntar um bom dinheiro. Comprou uma casa. A mãe desta garota não precisou enredar estória alguma. A moça fazia compras, rebolava-se com o embrulho na mão e o fulano propôs namoro. Casaram, nenhum arranhou ninguém e pareciam velozes. Dois filhos. Ele atendia clientela nas compras e nos pagamentos, não precisava de auxiliar na caixa registradora. Numa segunda-feira, açougue abriu cedo e fechou duas horas depois, da calçada se podia ver luz vermelha no altar de São Jorge, copo d’água e espada- verde, planta do mesmo santo, para espantar o olho-grande, porta engradeada com cadeado. Boato de que no horário habitual o marido fora tomar um cafezinho, armário de roupas escancarado, vazio, sapateira idem, filhos abraçados aos prantos, mãe recomendara não saírem do quarto até o pai aparecer. Ria por desespero e chorava ao mesmo tempo. Chamou a sogra e ambos, dias, muitos dias, não a localizaram em nenhum lugar conhecido. Crianças entregues à avó. Fechou a casa com todo o mobiliário, vendeu o comércio e consta que foi passar temporada um tanto longa na terra natal. “É, já vi ‘este filme’ (pensou minha AMIGA), não igualzinho, mas muito parecido – daqui a pouco vai chegar nova ‘barriguda’ e começará tudo outra vez.” Reprise. Vale sempre a pena ver-ouvir-testemunhar de novo. No mínimo, me contam e EU escrevo a estória. F I M
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Comentários dos leitores

Felizes porque não se arranharam, velozes porque logo fizeram dois filhos. Fatal coincidência profissional. (Você assumiu ouvir e escrever.) Parabéns!

Postado por lucia maria em 13-09-2014

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