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ESTRANHA LUA DE MEL QUE ACABOU DANDO CERTO



					    
Confidências de uma “gravidinha”, como ELA diz de si própria: Acabei a escolaridade básica (Ensino Médio até com brilhantismo!) - ainda um ano mais em casa, apenas curso de idiomas - e, para espanto de meus pais, resolvi ‘conhecer a vida’ (leitor muito precipitado e malicioso!), ou seja, acordar mais cedo ainda, marmita, ônibus cheião até o centro da cidade, sol ardente ou chuva torrencial, enfim, trabalhar fora antes da sonhada por eles e por mim prometida Faculdade de Letras, seguindo tradição feminina familiar há três gerações. Li anúncio: “...carta manuscrita e cópia digitada entregues na portaria deste jornal sob o número...” - moleza! Escrevi a tal carta e incluí a emancipação da mulher desde a II Guerra Mundial - sou metida a literata. Minha carta foi a sétima a chegar. Número cabalístico. Segundo Abrahão, patriarca hebreu e filósofo há mais de 4.000 anos atrás, são 7 os portais ou janelas da alma. E não é que EU fui a escolhida? Recepcionar clientes de uma advogada, digitar textos, arquivar papéis. Fui aprendendo na prática sobre divórcios, geralmente litigiosos, casais se atracando na presença de todos, criancinhas chorando, a ‘joaninha ternura’ aqui tendo que dar colo, depois a mulher arrastava o ex para o motel, esposas dondocas exigindo pensões altíssimas para cães e gatos, “nossos filhinhos de coração”... - enfim, escritório no mínimo divertido. Da minha parte, não trabalhava tanto assim. Bom, se esta lei de fato existe, não sei - pode ser opinião pessoal de algum juiz. Talvez para diminuir valor da pensão da ex, realmente não sei... Houve uma primeira experiência. Recebi três rosas vermelhas sem cartão, depois bombons e em poucos dias um cliente de idade um tanto passada beijou minha mão e se saiu com exótico pedido: “Quer se casar comigo semana que vem?” Na salinha de espera, duas mulheres bateram palmas e o cavalheiro saiu sorrindo. Recusei, devolvi as rosas, os bombons, não! A segunda experiência foi fatal. Temos um casal amigo fora da nossa cidade, filho de doze anos - Teko, Teka e Tequinho. O irmão caçula dele em situação de divórcio com aparência de complicado. ELES telefonaram e dei o endereço do escritório. O rapaz saiu da salinha particular da advogada um tanto cabisbaixo, acenou mudo para mim e durante mais de um mês não tive notícias. Até quase esqueci. No final desse tempo, a advogada encerrou o expediente mais cedo e me chamou para “lanchar na confeitaria”. Sou às vezes ansiosa e fantasista, assumo. Já me sentia demitida, a famosa ‘justa causa’, com bronca (“O-que-foi-que- você-fez-de-errado-neste-tão-pouco-tempo-de-trabalho?”) de pai, de mãe, de avó, de tio, de tia, de prima dois anos mais nova, do cão vira-lata da rua, enfim, de todo mundo... até o papagaio da esquina me sentenciava “Culpada!”; depois, todos me negariam ‘um trocadinho, um centavo de mesada............... E a terrível palavra que EU mais ouvira na tenra infância: “Castigo!” (Mas agora EU não cabia mais na cadeirinha de madeira.) Ficaria de novo sem sorvete e sem pudim?! Entender, não entendi juridicamente, mas a doutora veio com aquela conversa mole, perguntou minha idade (farta de saber!), minha solteirice, minha coragem de... tentar nova vida. “Como assim?” ELA explicou que um “certo” cliente precisava recasar o mais depressa possível. Pensei no quase velhote, mas era o rapaz que EU apresentara. Como não teve coragem de falar, pediu a ajuda de minha chefe. Quase imediatamente após o divórcio, quase-quase-quase concluído, às vésperas da publicação em diário oficial, ELE deveria casar-se novamente. Afinal, gente amiga de décadas, ELE não muitíssimo mais velho, a indicação mais lógica seria casar... comigo. Sim, não precisaríamos morar junto, obrigatoriamente. Colocar algumas roupas femininas no armário, aumentar o número de panelas (ELE só possuía uma frigideira e uma chaleira porque fritava a salsicha para cachorro-quente e fervia água para chá e café solúvel), pendurar uma cortina, espalhar alguns bibelôs pela sala... toques de feminilidade. Se houvesse necessidade, ELE registraria em cartório - sem prática sexual. No final de algum tempo, o “nosso” casamento poderia até ser anulado. ELE não ofereceu dinheiro, presente caro, “três rosas & bombons” para me hipnotizar. Na verdade, a verdadeira hipnose estava na altura dele, no físico atlético (muito pilates!), numa pele morena brasílica e num par de olhos castanhos claros como mel, mas não falei meu secreto entusiasmo. Prazo para EU pensar. Conversei em casa ponderadamente. Meu pai, oficial da farda verde, sempre reflexivo e calmíssimo, ouviu e sentenciou (adora provérbios até com os comandados): “Sua alma, sua palma. Vinte e um anos. Você tem idade suficiente para decidir. Gente séria, decente, honesta, conhecemos há duas décadas desde os pais e avós, mas é uma estória muito esquisita. Alguma nova lei? Recém-divorciado não pode ficar solteiro... e todinho feliz com a nova liberdade?” Minha mãe o beliscou raivosa, pelo ‘todinho feliz’, e repetiu o discurso com palavras parecidas. Minha avó, ex-hippie da década de 60 que adora andar descalça para sentir a energia da terra e ainda usa flor natural no cabelo, suspirou nostálgica, só gosta de extravagâncias, e literalmente aplaudiu a novidade. Começamos a acertar os detalhes. O apartamento alugado em outro bairro desde que a mulher o abandonara e foi morar na Europa, ah, praticamente redecorado em tempo rápido, os móveis novos apenas trocados de lugar, só chegou cama grande, enfeitamos um pouco. Levei somente algumas roupas que EU quase não usava, poucos calçados, velhos patins, um jogo de damas, uma forma de bolo, recortes de receitas culinárias, e o detalhe de um guarda-chuva e óculos de sol......... A ex acabou dispensando a pensão, juntara-se a um nobre decadente da Toscana e foi morar num palacete de senhor feudal com dezenas de quartos, agora hotel de luxo. Mas aí o louco projeto para o “nosso casamento” continuou. Cada um de nós teria férias no emprego. No dia “D”, casamos no cartório, pequeno grupo almoçando no restaurante, bolo branco de confeitaria com bonequinhos, e partimos em... lua de mel. Foram dez maravilhosos dias de praia azul, como dois amiguinhos ou primos queridos. Teve cinema, passeio de mãos dadas no shopping local, olhávamos vitrines de todo tipo, praça de alimentação, briguinhas - “Para quem você está olhando?” - e reconciliações em minutos. ELE ria da minha falta de jeito para dançar e depois nos dizíamos ‘boa noite’, ‘boa noite’... Geralmente céu escuro, sem estrelas nem lua. Pela manhã, sol forte. Houve uma noite em que trovejou muito, a pequena casa cedida por amigos parecia tremer, fui dormir perto dele na sala, o sofá não dava para dois, ficamos juntinhos no tapete, de mãos dadas. A toda hora nos perguntávamos um ao outro: “Está tudo bem?” Total estado de choque pela surpresa. Amanhecemos na maior sem gracice... Na noite seguinte, briga num bar próximo, som de tiros e depois de carro de polícia, ELE veio ao quarto perguntar se EU estava com medo, estava, mas o homenzarrão me acalmou, fizemos chá, acabamos indo para o mesmo tapete, outra vez de mãos dadas durante algumas horas. Amanhecemos na maior sem gracice. Na noite seguinte, nada acontecia de extraordinário, rua deserta, bar tinha sido lacrado. Ah, palavra, ficamos os DOIS em agonia. Nada? Não dormiremos... juntos? O três é também número cabalístico: soma do 1, princípio masculino, com o 2, princípio feminino - aprendi com um rabino amigo e sua jovem esposa. Conversamos horas seguidas, lembrando quando e onde nossas famílias conviveram mais intimamente, amizade firme anterior, estrada a caminho de Campos de Jordão, encontro casual, EU bebezinha indo de colo em colo, ELE lembrou que todo mundo me fazia cócegas, EU só sabia me encolher e dar risadinhas de bebê, tremenda xixizada na recém-estreada jeans dele, menino já crescidinho que assumiu a culpa sozinho (EU ainda nem falava), bela apresentação de uma “futura esposa”. Como prever? Contei estórias do escritório. Rimos bastante. Perigo sério quando uma mulher faz um homem rir! Não sei quem seduziu quem. Tentação súbita. ELE me olhou firme e acariciou meus braços, parti para o ataque e o beijei primeiro, ELE só conseguia dizer repetidamente “Desculpe...” e repetidamente EU mandava continuar... Arrastamos o sofá aberto para o quarto, juntamos com a cama estreita e... casamos agora de fato. Foi lindo! Amanhecemos no maior felicidade. Ao regresso, recolhi da casa de meus pais todas as minhas roupas e objetos, e comuniquei terem agora um genro de verdade. ELE se revelou aos poucos um grande cozinheiro e doceiro para rivalizar comigo. Aprendeu com meu pai que: No casamento, o homem tem que dividir com a mulher as despesas: “Nunca a impeça de trabalhar fora...” --- Também certas tarefas domésticas: “Mostre que é macho e empurre com facilidade a geladeira cheia, o freezer lotado e o carro...” --- E na cama: “Não tenha ideias próprias - melhor você aparentemente obedecer à senhora generala ou será capado antes mesmo do sol surgir no horizonte.” NOTA DO AUTOR: “CABALA significa ‘receber’. A CABALA é uma sabedoria que nos ensina a receber tudo de bom em nossas vidas. O desejo é o receptor que contém a Luz. Quando o desejo desaparece, a Luz desaparece junto. Isto explica vários dos padrões negativos de nossas vidas. Temos um vazio que estimula nosso desejo. Nosso desejo atrai Luz e plenitude. Perdemos o estímulo e o anseio, acabamos voltando para o vazio. Mais uma vez, nosso anseio é ativado, e por aí vai.” - Rabino SHMUEL LEMLE. F I M
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Comentários dos leitores

Na minha vida não acontece isto de "pegar ou larga"................. Linda estória! Parabéns!

Postado por lucia maria em 11-10-2014

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