Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio Autores & Leitores

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


AS AZEITONAS...NO BACALHAU! QUE BACALHAU?



					    
Acordou cedo. “O que fazer para o almoço de hoje, domingo? Bacalhau!” Acordou o marido, este sorrindo muito, ‘sonho-por-certo-com- alguma-vagabunda’ (nada ciumenta...), abriu os olhos devagar e deu um berro, pois no sonho – sentimento de culpa e auto-alta-punição – ELA aparecia de repente com o maior trabuco, mirando certeira a testa dele... E quem o acordava era uma mulher com a vassourinha da pia na mão, cabo de madeira um tanto longo e fino como arma de... caçar camundonguinho... Caminhar na rua com o sol ainda bem fraquinho e depois comprar azeitonas para o bacalhau e as batatas que compraram juntos dois dias antes. Verdes. Azeitonas verdes. Lembrou-se de LORCA: ‘Vierde que te quiero verde’, “Romance Sonâmbulo”; misturou com ‘Ao vencedor, as batatas’, frase em MACHADO DE ASSIS. Esqueceu momentaneamente o nome do livro. Sacudiu a cabeça afastando pensamento muito pensado... Purê ou ensopado? Resolveria na hora. “Ande, Cigano (apelido carinhoso para ELE), preciso de azeitonas. Verdes. Com bacalhau, sempre verdes.” ELA era previdente – suco natural de laranja preparado desde a véspera, gelado, alternando com o café preto quentinho. Quando gostava muito de um livro, trazia personagens para sua vida, viravam amigos e amigas com grande intimidade. “Viu” CÉCILE, parisiense de 17 anos, ainda de pijama, férias na Riviera, sentada num degrau do terraço, mordendo a laranja, suco doce esguichando na boca, o café preto pelando, e de novo o frescor da fruta. Parou tudo e pegou o livro, achou logo a cena, capítulo III, memorizara direitinho. Ganhou de uma amiga e adorou. Secretamente, ELA tinha sido como a jovem francesinha: muito responsável dentro de uma quase total irresponsabilidade pela incerteza da idade e o início vago de questionamentos existencialistas, moda no pós-guerra europeu (livro antigo – ELA nasceu depois), mas respingos sempre chegavam ao Brasil. Naquela idade estreara num emprego ridículo, inicial, que não foi além de nove meses, aguentou até demais – embrulhar tecidos moles com papel mole também, barbante inútil, freguesa dava um passo, caía tudo. Deve ser por isso que valoriza empacotadores com ímpetos de vencer na vida. Refazer o embrulho, tudo igualzinho. Pacote continuava ruim. (Aprendeu que na vida a segunda vez de uma forma ou de outra, de um assunto ou de outro, acaba sempre repetindo a primeira, a pessoa automaticamente compara, e remendos nunca são bons.) Não era ainda o mundo sonhado. Gostava mesmo era de papéis... gráficos, escritos por outros, lidos por ELA. Trabalhar numa editora, livraria, biblioteca, mexer com livros o tempo todo... Café da manhã em paz. Roupa curta para ambos e rua! Nenhuma programação especial para o dia. Talvez carro veloz à tarde na estrada, visitar nada e ninguém numa qualquer cidadezinha próxima; ainda há cidades com sextavado coreto no meio da praça e às vezes banda de música, se bem que já agora não são toques marciais apenas e sim mistura com MPB. Tocariam Vinícius-Toquinho-Chico? Mas serve: não somos soldados. De farda, não – “soldados”, de solda, no casamento... ou não? Andaram bastante e chegaram a um mini mercado até distante de casa. Azeitonas. Só havia vidro grande, meio quilo. Vai assim mesmo. Em casa, foi aquele corre- corre usual. Gelar às pressas a cerveja (para ELA) e o suco de abacaxi (para ELE), arrumar cama, recolher a roupa do secador, dobrar e guardar no armário menor, varrer, sacudir a poeira (sem dar volta por cima: não é hora de samba!) do tapete... Falaram-se mutuamente para colocar o bacalhau de molho ou escaldar – nenhum dos dois fez de imediato. Cozinhar peixe é coisa rápida; inclusive em certas receitas tradicionais portuguesas dispensa-se até o “lume”, isto é, o fogo – bacalhau desfiado e temperado com o nobre azeite do Alentejo. Procurou-se o bacalhau – desaparecera!!! Mas como? Um pacote enorme. Incríveis lugares – armário de roupa, embaixo da cama, na mala do carro. Em que dia foi comprado? Entrou em casa? Como foi, como não foi, bacalhau sumira. Fim de ano, supermercado não muito perto, ir de carro, estacionamento demorado, ir só por um quilo de bacalhau (ou logo três?), muito sacrifício. Almoçar batatas fritas e pronto! Batatas, que batatas? Mais um desaparecimento? Impossível! Estavam juntos, na mesma sacola por acaso, não havia ainda cardápio elaborado. Pensaram assombrados. Acusaram-se mutuamente. “Foi você!” “Foi você!” Lembraram. Arrumando juntos as sacolas na mala do carro, ambos viram o bacalhau... e as batatas... que devem ter ficado na sacola esquecida no carrinho ou no chão do estacionamento. Em casa não notaram – ficou somente a ideia da compra. Aqui e desta vez não foram vencedores: batatas zero! Ficaram em casa e almoçaram só as azeitonas!!! Cruel dúvida feminina: azeitona tem quantas calorias? NOTAS DO AUTOR: ROMANCERO GITANO, do espanhol FEDERICO GARCIA LORCA - Obra poética dividida em 18 poemas e publicada em 1928, todos tendo um fundo comum, a cultura cigana, de um povo perseguido. BOM DIA, TRISTEZA, da francesa FRANÇOISE SAGAN – Livro publicado em 1954 aos 18 anos da autora, com sucesso mundial, romance leve com final trágico. Levado às telas pelo cinema norte-americano em 1958. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2014
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 213 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Perigo marido sorrindo no sono, mas se estrangulá-lo, a quem pedir bombons de cereja ao licor? Livros de Sagan, precoces, são eternos. Parabéns!

Postado por lucia maria em 11-10-2014

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.