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APARTAMENTO PARA ALUGAR: MISTÉRIO



					    
EU em visita rápida ao Rio. AMIGA receberia parentes de Manaus, residência agora de três anos, eternos “ciganos” sem rumo, novamente transferidos de cidade, que se arranjariam até em apartamento conjugado, desde que perto do centro da cidade. Vários recortes de jornal e fomos visitar o primeiro – porteiro nos olhou um tanto desconfiado pois muitos casais ‘fingem’ examinar local vazio para uma transinha rápida, sem despesa de motel, depois devolvem a chave, cara de felicidade... e descaradamente dizem que “adoraram” (adoraram ‘outra coisa’!) sem pedir cartão da imobiliária. Embora ELA diga que tenho ar cínico e debochado, EU, quase ‘santo’ inocente que desnudaria mulher em mútuo pensamento com olhar hipnótico, me “transmudei” em senhor muito sério de 47 anos e o porteiro não subiu junto. Apenas avisou: “Está muito sujo até hoje...”Imaginei uma poeirinha de nada. Pasme, caro leitor! Fosse 31 de outubro, cenário perfeito para Halloween. Grande quantidade de poeira braba no chão, folhas secas de amendoeira, teias de aranha nas paredes. Soubemos depois que o morador ocupara o espaço quase por dezoito meses, contrato de tempo mínimo. Nem para pegar uma vassoura? Nunca? Pequena mesa de fórmica bamboleante e um banco semi- quebrado – três pernas finas, compridas, um pau como conserto... de emergência?! Não agüentaria peso algum... Colchão novo sobre cama extremamente velha, não rente ao solo, um do pés (mesma coisa!) substituído por uma lata de pêssego em calda, rótulo um tanto corroído, bisbilhotei, leitor pasme de novo, sem ter sido aberta. Fogão do próprio apartamento, fixo na parede, nem muito novo nem muito velho, par de tênis dentro do forno. Imaginei noite de grande enchente, um homem tendo só “aquilo” para ir trabalhar no dia seguinte... Acordei do devaneio com o chamado de minha AMIGA. Grande armário de parede e ELA não conseguia abrir, chamou o Tarzan. Quase derrubados por uma avalanche de livros e papéis – EU a abracei instintivamente, protegendo minha Jane. Material misto e muito estranho. Livros de edições originais em inglês e alemão, uns novos, outros amarelados, desfolhei aleatoriamente, observações sentimentais (traduzi!) a caneta nos dois idiomas, letra miúda legível em algumas páginas. Muitíssimos folhetos explicativos de todos os departamentos internacionais da ONU, uns um tanto amassados e esticados (arrependimento e restauração?), outros impecáveis presos por um elástico, encimados estes por xerox autenticado em cartório do passaporte de um homem. Artigos recentes de revista especializada sobre dois filmes antigos do cinema norte-americano e outro de nossos dias: CASABLANCA, de 1942, que virou mito (o olhar angustiado-enigmático da sueca Ingrid Bergman), ADEUS ÀS ILUSÕES, de 1965 (Elizabeth Taylor eternizada pelos inéditos olhos cor-de-violeta), e GHOST, de 1990 (a volta do marido- fantasma). Estórias distanciadas – tempo, espaço –, tendo apenas em comum o amor interrompido... – não sei se exatamente isto ou minha misantropia surgiu de repente. Pequena mecha de cabelo bem fino parecendo de criança, fios amarrados em rabinho, penduricalho com uma argola, corrente para o pescoço. No banheiro, muitíssimas garrafas vazias com rótulos: bebidas variadas, estrangeiras, e outras coloridas sem identificação, como colecionadas – em vidro verde, azul e vermelho. Descemos. O porteiro contou sobre o antigo morador. O pouco mobiliário já chegou quebrado, colchão veio direto da loja. Roupas e livros abarrotados num táxi. Identificou-se como advogado (EU serei louco assim um dia???), solteiro e viajante. Nunca recebera visita alguma, apenas chegava uma carta da Holanda, mensal, sempre carimbada do dia 7, entregue a ELE embaixo da porta. Nunca visto embriagado, pontual no aluguel, simplesmente desaparecera (segundo testemunha insone, levara todas as roupas na madrugada: porteiro da noite cochilando?). A dois meses de terminar o contrato, ELE poderia voltar a qualquer momento; o proprietário está autorizado judicialmente a alugar para outra pessoa – apartamento será limpo quando aparecer novo inquilino. Devolvemos a chave. Estranho pressentimento de fantasmagoria (?) nos ‘avisou’ para não pedir cartão............... Pequeno edifício no bairro da Glória, frente de rua, vista para o Aterro do Flamengo com o Museu de Arte Moderna e o mar, brisa suave, muitas árvores, muitas cores. Em despedida, do nada nos surgiu um destes miquinhos quase citadinos, urbanos, que não assustam ninguém... Minha AMIGA ainda gracejou: “Chita, Chita!” Miquinho pareceu sorrir pornográfico e mostrou para ELA que era... um Chito!!! F I M
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Comentários dos leitores

Estória sentimental, muito linda. Ambiente com cheiro de mar, amendoeira e miquinhos. Quem foi o misterioso ADV que fala inglês, alemão e junta papéis da ONU??? Parabéns!

Postado por lucia maria em 18-10-2014

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