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CINCO PASSOS



					    
ELA afirma que descobriu isto por acaso numa pesquisa e somente inverteu a cultura alheia (disse que é filosofia “de vários países, por mares nunca dantes navegados...” – desculpe, senhor Camões): homem sai andando, mulher cronometra cinco passos dele e somente então está autorizada para segui-lo na rua. Se isso de fato existe, porque minha mulher às vezes é ficcional e criativa (mentirosa, nunca!) , não sei, mas sou escravo dela desde esta vida e tenho que respeitar, muito principalmente o-be-de-cer! Devo sempre falar “amém” e estar disposto ao que ELA quiser, a qualquer momento. Ai que eu me rebele?! Escolher entre independência ou morte, isto é, divórcio imediato. Ter depois minhas próprias despesas, pagar pensão, ficar sem pudim de leite. Desde o primeiro dia caminhamos lado a lado. E se ELA se perder (de propósito, garanto!) na multidão? Fui expulso do leito conjugal sem ter cometido pecado algum, EU, um ‘quase’ santo... mais inocente que ADÃO no Paraíso, antes da maçã. (Há uma versão de que ELE e a serpente eram a mesma pessoa, nasci milênios depois disso, não testemunhei.) Sou o mais honesto e fiel dos maridos em todo o território paulista, digo, nacional, digo, no continente, digo, no planeta Terra, digo, no Universo... Em verdade, existe na nossa cozinha amoladíssima faca serrilhada que corta sem piedade embutidos congelados. Felizmente não me chamo ABELARDO nem minha doce (doce?!) amada é a HELOÍSA, não moramos na Paris medieval; estamos muito além do século XII. (Leitor já leu? Romance de dramático terror...) Excelente promotora que derrota qualquer defesa. Fazer justiça acima de tudo. “Lavre-se a sentença! Cumpra-e o veredictum!!!” Não bate o martelo (ou bateria no meu cocoruto?), mas usa latim (EU particularmente adoro sofisticar, falar e ‘ter-que’ traduzir... para ouvinte), pode? Trinta dias, contadinhos um a um, no sofá da sala. Vi em vários filmes de prisioneiros e náufragos, e de pirraça desenhei com esferográfica vermelha, minha cor predileta, no lençol novinho (que EU paguei /homem é sempre bicho bobo/ e estreamos juntos), antes só usado uma vez, 30 quadrados com as datas do meu castigo. “É, por enquanto apenas esta quantidade” – ELA sentenciou calmíssima e sorrindo, porque castigo pior será ter que comprar e novamente pagar outro lençol exatamente igual, importado, se antes disso minha pena não aumentar para 60 dias. Juro que não “zoiei” as moças enfeitadinhas no salão de refeição do shopping da nossa cidade, especialmente aquela morena redonda de cabelos lisos compridos e shortinho jeans azul-marinho com o desenho de uma âncora vermelha (nem vi!)......... e muito menos segurei o braço de loura magrela alguma (um máximo de 50 quilos, medrosa, trêmula, coitadinha), vestido colorido, no último degrau na subida da escada rolante......... e também não passei óleo nas costas de outra, também desconhecida, rosto de nissei ou sansei, uns 25 anos ao máximo (foi a moça quem se ofereceu e pediu: sou um cavalheiro!) na praia que visitamos num único dia......... e muito menos falei perto de outra, grandona, quase da minha altura, cor sedutora e perfume de baunilha, que o Brasil deveria estar ainda em 1887......... e muito menos encostei a ponta dos meus dedos (unhas com brilhoso esmalte cor-de-rosa com florzinhas brancas) na mão da moça da caixa, uma ruivinha de jasmim natural no cabelo, por baixo do minúsculo cartão eletrônico, ao pagar as compras da minha mulher que pela vigésima vez “esqueceu” a carteira de dinheiro em casa – na bolsa apenas batom, perfume, lenços de papel, lista de compras (isso ELA não esquece de verdade nunca!!!), escovinha de cabelo, grampinho de cabelo, agendinha, biscoitinho (tudo com ELA é no ‘-inho’ porque se diz educadinha e delicadinha)......... centavinho nenhum. Acho que ELA me ama... ...porque mesmo assim, com estas agravantes (sem a menor das atenuantes), ELA me propôs casamento (de novo?) na próxima reencarnação, faca braba de serra até lá esperançosamente enferrujada – somente civil, sem a ridícula aliança de metal que minha mulher detesta. Serei seu único escravo (bonito, Gigante, no mínimo trilíngue, advogado, intelectual, escritor novamente) e terei que usar coleira.. Na minha atual condição de “sofazeiro”, concordei, assinei sem ler o contrato que ELA redigiu. Tentei corrompê-la, hipnotizá-la com meu charme, irredutibilíssima antes de receber contente sete bombons de cereja e a caixinha azulada com orquídea lilás. Sorriu, agradeceu, balbuciou “...talvez”. Alguma notícia-surpresa? Tempo de aumentar a família? Ou revogação da pena após o jantar de hoje? O que ainda não está feito, será feito hoje. Será? NOTA DO AUTOR: Por favor, não confundam, não misturem: 1-o NARRADOR-CONTISTA é um (solteiro, galã, simpático, educado, sério, “zoiúdo”, fantasista, solidão por escolha, descompromissado, carentinho, abandonadíssimo, tadinho de mim!!!); 2-o PERSONAGEM é outro (casado, eterno “zoiúdo”, malandrão, um galinho ou cachorrão sem-vergonha, candidato a sofrer as agruras do divórcio: sem mulher a pagando pensão). F I M
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Comentários dos leitores

O cínico inocentinho sabe todos os detalhes das outras. Estória de um Abelardo sem-vergonha no século XXI. Parabéns!

Postado por lucia maria em 02-11-2014

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