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COMPRAS SOFRIDAS (e muito!)



					    
Isso de fazer listinhas não estava agradando ultimamente, porque algumas vezes o secretário-motorista-comprador, familiar da casa da frente, mesmo terreno, queria agradá-la e trazia algo que ainda havia em boa quantidade na despensa (talharim, por exemplo) ou esquecia e trazia algo odioso (caju, digamos) ou um exagero (vinte pacotes de biscoito de polvilho). ELA queria a liberdade da escolha e das quantidades. “Hoje irei também...” A cozinheira da casa forçou que almoçasse, minha AMIGA é educada, foi gentil com a moça, agradeceu, mas aborrecida consigo própria de ter que comer, ‘limpar’ o prato sem apetite algum. O primo de segundo grau, pouco além de cinqüenta anos, bem mais moço, idade para ser filho sem ser, estava aborrecido com assuntos particulares dele, e foi um monólogo desagradável no carro, mudinho, sem responder pergunta alguma (ELA se interroga sempre por que homem é calado em certos momentos) – a coitada desistiu de brincar levezas e tagarelar para não levar fora antipático. Que dia, mein Goten, que dia! No supermercado, ELE (sou homem e advogado: irei defendê-lo, inocentar, absolver) pegou o carrinho de compras e, talvez pelo hábito de ir sozinho, no que ELA pegou folhetos na entrada, à direita, o cara não deu a menor satisfação... e sumiu na direção esquerda. O que ELA fez? Começou em frente, linha reta, pelos sabonetes, pegou oito, odores dois a dois, as mãos já ficaram lotadas (não tem três!), tentou embrulhar com os papéis. Ainda olhou para os lados, caminhou sozinha, parecia que todos os homens naquela tarde usavam camisa branca, corpo na altura de 1.80 – não o avistou ao longe. Há um provérbio antigo, ‘vergonha-é-roubar-e-não-poder- carregar’... ELA estava com-pran-do, mas carregar e continuar comprando, como? Aproximou-se de um tabuleiro com pacotes gigantescos fechados de papel sanitário, “leve-16-pague-15”, clientela geralmente prefere pacotes menores, arrumou num intervalo os sabonetes e ficou parada. Foi ruim, muito ruim. Um funcionário imaginou que estivesse passando mal, ofereceu ajuda, “...copo d’água, minha senhora?” – estava se sentindo bem, recusou, agradeceu, mesmo assim veio a água geladíssima, bebeu a contragosto. Enfim, o homem tinha sido gentil. Agradeceu novamente. Começaram a passar muitos casais – foi uma tortura (escrevi “tortura”, não tontura, tonteira). Os casais moços com filhos pequenos sentados num certo espaço do carrinho e ELA conscientizou que jamais lhe acontecera isto: filhos – filhos na barriga - filhos no carrinho do mercado... Praticou um verbo emocionalmente ruim: devanear. Indireta culpa minha que – moro sozinho – às vezes devaneio romanticamente, até já saí nu do banheiro pedindo a uma esposa imaginária que me trouxesse a toalha e vi mulher de camisola azul deitada a meu lado, mais tarde, “Boa noit, Cigano!”... – confesseo em e-mail esta fraqueza. EU não sabia em que dimensão a atingi e me choquei ao saber que às vezes ELA também devaneia o impossível. Naquele ambiente, sentiu-se com vinte e quatro anos, morando na minha cidade do interior paulista (onde nunca esteve), EU, o marido enjoaaaaado, caminhando junto, implicando à toa e injusto com as escolhas dela nas prateleiras, os preços – ah, os preços cada vez mais altos! -, o menino encarapitado no carrinho, a menina quase na hora de nascer. A cena ia se repetindo a cada trio ou quarteto que passasse e ELA pôde escolher personagens entre toda aquela gente, famílias que passavam ante seu campo de visão: a mãe era sempre ELA, o pai era sempre EU – tipos físicos variando a cada minuto......... – estacionada no mundo do sonho. E o primo sem aparecer procurando-a! Saiu daquele local e começou a andar, sabonetes mal e mal enrolados no tal folheto grande. Parou aqui e ali, e em cada local sem querer ficava na frente de várias mercadorias que alguém estava querendo pegar naquele momento ou ELA estava no caminho dos carros repositores de mercadorias – caída na realidade. Todo mundo mal humorado, minha AMIGA pedia desculpas, mudava o rumo. Distraiu-se e “me” esqueceu... e a “nossos” filhos também (fim deste sofrimento). O primo estava pegando frutas, carrinho com várias compras rotineiras para as duas casas. ELA conferiu, conjeturou, completou com escolhas pessoais e resolveram ir para casa. Carro no estacionamento térreo, uma mulher barrigudíssima trocando as fraldas de uma criancinha. Sorriram-se, ELA engoliu a seco. Em casa, EU enviara e-mail não muito amistoso, planeta Marte me deixando atacadinho, na hora envergonhou-se de me contar o devaneio – relatório digitado somente na noite de domingo, lágrimas internas. Temos encontro marcado para casamento na próxima reencarnação – ano 2200. ELA acredita, ao passo que EU sou agnóstico. ELA continuará romântica-realista (isso existe?); EU continuarei impulsivo e machista-implicante (isso existe!). Felicidade é unir forças, não medi-las em confronto. F I M
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Comentários dos leitores

Estória linda e comovente, não sei se de pessoa física ou personagem da sua criação. Como é que uma simples ida a mercado podem causar tantas emoções na mulher e depois na hora da leitura? Parabéns!

Postado por lucia maria em 15-11-2014

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