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A BOTA (ITALIANA?)



					    
“Não ser ciumento, mas cuidar de tudo o que nos pertence...” – e passei a infância ouvindo minha avó filósofa. Cresci assim. Não – não sou ciumento, violento, jumento agressivo. Acontece que estamos no inverno e sem querer quase fui parar no inferno. (Da “Divina Comédia”?) Temos, entre outras roupas de cama, um cobertor verde e por acaso uma colcha de chenille (que material é este?) da mesma cor. É o que estamos usando no momento. Bom, de repente ELA me acordou sem querer, movimentando-se, e disse que sonhara estar calçando meias curtas verdes, “Muito lindas!!!” – não possuía nada assim, balbuciei que seria tão somente influência das cobertas e índice de frio nos pés. Adormeceu novamente. Saí de casa para trabalhar pouco além de seis horas, zona industrial um tanto distante, neblina pesada, estrada friorenta. Trânsito atrapalhado. Alguém, como fazem no país mediterrâneo com feitio de bota, me xingou de “cuco” – não sou marido traído... Dei passagem para a moto escandalosa, barulhenta. Ora, todo mundo é geralmente herdeiro de alguém. Louça familiar, um jarro antigo, cálices para licor. EU não a percebera herdeira de......... dicionário... menos ainda de bota importada. (“Herdei” uma colher de pedreiro, uma fivela de metal, uma caneca de ágata e uma agulha de crochê, embrulhadas e guardadas secretamente: minhas relíquias familiares!) ELA saiu sozinha e achou no centro da cidade as tais meias parecidas com as do sonho – influência de Morfeu ou invenção sobre um desejo, desejo e sonho de olhos abertos, impossível adivinhar numa mulher. Meias bonitas, mas verdes, uma flor vermelha, folhas... brancas. ELA geralmente compra qualquer coisa sem maliciar detalhes. Tricolor! As cores “daquele” país! Não gostei, mas sem base para reclamar. À noite, EU a encontrei com um papel amarelado e um dicionário pequeno que consultava sorrindo. A bota pertencera à avó e ELA encontrara uma carta oculta sob a palmilha – estava traduzindo as palavras menos conhecidas. Giulio Cesare, conquistador sem ser general. Carta de... paixão. O “ELE” da carta a conhecera comprometida, paixão unilateral (pode ser) e não insistiu. Todo italiano – conheci alguns de baixíssima instrução – sabe estórias das óperas e descreve minuciosamente as estátuas de seus heróis antigos (amo mitologia!), mesmo jamais tendo circulado em Roma ou Florença. Muita lábia! Conversavam alguns minutos quase diariamente, na hora da compra do pão... Assim, desempregado no Brasil, embora entendendo tanto da cultura vinícola como de carros (na época, menor número de telenovelas em que basta a um figurante sem muita fala ser alto e bonito!), a troco de cama e comida ajudou um patrício na venda de jornais, logo preferiu fazer a mala (única, possivelmente) e voltar para a Europa. Em segundos, entendi onde (bom, deveria ser ditatorialmente proibida a união de pães e jornais) e em que circunstâncias se conheceram, curta duração da paquera inútil em que confessava aceitar ‘molto felice’ o mínimo ‘buon giorno, giornalaio’ da desejada. No papel dobrado, havia uma etiqueta comercial, tamanho de um selo, nas cores da bandeira italiana, talvez a marca da bota granfina. “Então, já havia um atravessador jornaleiro naquele tempo... E no Rio de Janeiro?” – apenas pensei e associei a um suposto rival da atualidade (o paulista aqui se garante muitíssimo bem), o jornaleiro italianado da porta da padaria que seduz o mulherio com poemas de DANTE - fiquei apenas escutando o relato. Em absoluto, “não sou” vingativo, absolutivo, investigativo. No sábado seguinte, resolvi queimar – literalmente – papelada velha, incluí embalagens pequenas de cartolina, e consegui convencê-la que as botas eram muito antigas, havia arranhaduras, prometi comprar outro par muito mais bonito... Queimei tudo, ou seja, “não sei” explicar como aconteceu, mas EU – anjinho “inocente” – deixei cair o mini dicionário dentro da bota esquerda, lado do coração, e à direita as tais meias. ELA, a meu lado, não viu ou – diplomática e espertíssima geminiana – fingiu não ver, sem a menor lamúria. Certamente, à tarde, tive que pagar bombons de cereja, botas novas e entrada para o teatro, ironicamente “A mandrágora”, com pessoal de telenovelas. Pior teria sido o castigo (“i”-merecido?) de dormir a noite inteira no sofá. ------------------------------------------------------------------------- ------------------------------------------ NOTA DO AUTOR: CHENILLE – Em francês, significa ‘lava de borboleta’, a face felpuda do tecido parecendo um emaranhado de fios dessa lagarta. Trabalho artesanal foi feito pela primeira vez em 1895 por Catherine Evans, repetindo uma relíquia de família, efetiva indústria somente em 1917, maior interesse mundial cerca de três décadas depois. A MANDRÁGORA – Peça de teatro renascentista, escrita em 1518 pelo italiano NICOLAU MAQUIAVEL, publicada em 1524 – enredo sobre a conquista amorosa de um embusteiro sobre uma ingênua (?) mulher casada através da mandrágora, tida por planta afrodisíaca. F I M
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Comentários dos leitores

Todo homem se diz não ciumento e implicam com inocentes jornaleiros como estes fossem malvados. É que você ainda não decorou Bilac para os ouvidos da mulher amada. (Quero uma bota nova hoje mesmo!!!) Parabéns!

Postado por lucia maria em 29-11-2014

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