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ELEMENTAR, MEU CARO WATSON!



					    
A mãe pediu que ELA comprasse papel para moldes da aula de costura. “Muito, muito, muito...” Estava indo resolver um assunto particular em bairro de farto comércio, entrou na loja e pediu. Repetiu o que a mãe dissera... O vendedor perguntou se ELA estava de carro. Pergunta estranha. Pedido de carona? Não. Viera e voltaria de ônibus... O rapaz sacudiu os ombros e tirou a notinha... Era um rolo de papel amarelo extremamente grande e pesado, bobina de papel contínuo usada em gráfica, possivelmente. Nada de embrulho, somente um barbante grosso amarrando... Foi dificílimo chegar à calçada, apavorou-se, apenas lembrou que uma prima trabalhava numa loja de roupas “mais ou menos” perto, não teve ideia de chamar um táxi... Tentou rolar a bobina deitada no chão, não deu certo, a ‘bandida’ se soltou e rodou sozinha, botou em pé, rodava poucos centímetros. Por acaso, passou um homem que riu muito, mas se ofereceu para ajudar. Ele de costas, segurando um lado da bobina com a mão para trás, ela de frente, segurando também o outro extremo. Nunca a tal loja lhe pareceu tão distante... Agradeceu, entrou na loja com o ‘monstro’ amarelo – por muita sorte a prima residia bem perto, hora de fechar e lá se foram as duas a pé com o ‘pacotão’... Como levar para casa depois? ELA poderia ir cortando pedaços grandes - 5 metros, 10 metros......... Viria buscar de tempos em tempos. O namorado da prima aparecia assim de raro em raro, uma vez por mês ou em período maior, dizia estar estudando e ELE mesmo não definia o que estudava... Aulas particulares – esquecia, ora professor particular vinha à casa dele ora ELE ia à casa do professor, muitas vezes dizendo não saber onde o professor morava. Muitos outros antecedentes de conversa fiada. Sempre cheiro de mentira pesada no ar. Mulher apaixonada nunca percebe o que todo mundo está farto de saber... Ora, a fulana da bobina e o namorado da outra residiam longe dali, sim, mas no mesmo bairro, embora em ruas diferentes. Por muita sorte, nessa noite o fujão apareceu com um carro de carregar material do trabalho. Jantaram, conversaram, a namorada pediu que ELE levasse a prima em casa com o ‘pacotão’ pesado. Até aí cordialidades... ELE “explicou” sempre ocupado com as aulas, perto de fazer provas, não esclarecia que provas, a namorada dizia que compreendia etc. etc. etc. Provas com o tal professor particular??? Muito estranho! E certificado?! De um bairro, quase centro, a outro, subúrbio, a distância é muita – há uma avenida bem larga, com o nome de avenida, porém é praticamente estrada, 58 quilômetros de extensão... Avenida Brasil, Rio de Janeiro. Ninguém viaja em total silêncio. Havia o mistério sobre o que ELE exatamente estudava e o assunto surgiu. No Brasil, certas palavras se eternizam. De tempos em tempos os governos estaduais oferecem oportunidades para que as pessoas prestem provas do ensino fundamental ou ensino médio (ou porque abandonaram, interromperam a escola, ou que estudem por conta própria, não importa...) com certificado de validade nacional - já se chamou artigo 99, madureza, suplência, o sistema ainda é vigente, mas qual o atual nome? Não vem ao caso. Aí, o cidadão resolveu dizer que fazia o 99, elogiou o professor que ensinava todas as matérias (“Filhote de Einstein?” – ELA só ironizou no pensamento), muitas......... ELA teve momentânea dúvida no quantitativo das tais provas – mínimo de 6, descobriu mais tarde na certeza. Já não gostou, ainda quieta, quando o português disse que admirava o professor, muito culto, apesar de ser /fez descarada pausa/... “um negro”! O coração dela esbravejou. Mas olhou para fora, estrada com muitos veículos possivelmente lotados, a bobina gigantesca, engoliu o ataque por minutos sem reagir. O assunto continuou. ELE estudara no país dele, era um “garotote”, mas ainda lembrava muita coisa: história DE Portugal, geografia DE Portugal, para este professor voltara a decorar CAMÕES e mais outro autor que o cérebro da enfezadinha bloqueou e fez com que ELA nem “escutasse” direito... A raiva subiu à cabeça. Enganar a namorada, uma imbecil, e mentir para ELA que também se preparava para os mesmíssimos exames? Não contou de 1 a 10, muita coisa, no 3 já explodiu. Se era “verdade que” (linguagem até muito diplomática) o professor dava aulas particulares, que emendasse a tempo, visto que aqui as matérias eram brasileiras e não havia necessidade nenhuma de decorar letra de poema algum... E não acreditava que alguém, fosse branco ou negro, conhecesse a fundo aquelas matérias todas, com capacidade para lecionar. Teoria dela e de muita gente: matemática e português, juntos, na mesma cabeça? E com que audácia ELE debochava da pele do professor que nem devia existir... Colonialismo outra vez?! Foi uma lição de civilidade com o risco de ser expulsa do veículo......... Não deu brecha para o fulano improvisar. Mas chegaram (ELA, “sã e salva”) com a tal bobina. É?! Pior a emenda que o soneto? Quem disse? Na noite seguinte, ELE foi à casa da namorada, contou o que sucedera, sendo que apresentou tese contrária: o “professor” dele estava ensinando as matérias certas; a moça é que estava complemente equivocada, não iria passar nas tais provas. ELE, sim, e em dois anos já estaria se formando em “doutor adEvogado”, nas Arcadas do Largo de São Francisco......... É, a paixão embrutece e a pessoa fica cega e surda. Impressionante! NOTA DO AUTOR: Arcadas é o apelido tradicional da faculdade de Direito em São Paulo- capital, Largo de São Francisco. Atual USP. Muito citada em telenovela histórica: filhos de fazendeiros do café, geralmente assumidos abolicionistas e acadêmicos nas... Arcadas. No Rio, embora havendo também um largo de São Francisco e um prédio em arcos, ali jamais existiu curso de Direito. F I M
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Comentários dos leitores

Os tempos não trazem humanidade, amor universal. Gosto das pessoas pelo interior delas... Por fora, pode ser um Gigantão, "bela viola (ditado antigo), incompatível com "pão bolorento". Falei bonito? Parabéns!

Postado por lucia maria em 06-12-2014

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