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CIGANOS



					    
Aprecio o povo cigano. Fiz pesquisas – muitas, muitas e muitas... No mínimo, se EU chegar aos primeiros passos deles no Brasil, já está bom......... por enquanto. Não há documentos gráficos sobre a história desse povo de língua agrafa, isto é, sem escrita; informação oral nunca pode ser comprovada. Em 1574, durante o reinado de D. Sebastião, o cigano João Torres veio degredado para o Brasil com mulher e filhos numa permanência de cinco anos. Somente no final do século XII generalizações sobre o degredo de ciganos para o Brasil – alguns bandos provenientes de Castela teriam entrado em Portugal, mas D. Pedro, rei de Portugal e Algarves, preocupadíssimo com a “inundação” de “gente tão ociosa e prejudicial, por sua vida, costumes e armas para cometerem assaltos”, determinou por decreto em 1685 ou 1686, além do degredo para a África, serem banidos do Reino também para o Brasil: em seguida, cancelou-se África, citou-se Maranhão, vejam só... Ora, a Metrópole despejou os considerados “criminosos” nas terras coloniais ultramarinas, particularmente na África e no Brasil, e a colônia, por sua vez, mandou os “elementos indesejáveis e gentes inúteis” para outras capitanias e continentes. Em Minas Gerais, presença cigana a partir de 1718, deportados de Portugal, vindos da Bahia para o leste. Na época, havia em Minas um movimento muito importante com o objetivo de progresso e ideais de independência e os ciganos, não interessados e participantes, foram considerados inúteis para aquela sociedade, vândalos, corruptores de costumes, só vistos de outra forma quando passaram a comercializar escravos pelo interior do país, atividade que lhes proporcionou maior aceitação e valorização social, agora no exercício de um “trabalho” reconhecido útil por grande parte da população – alguns ciganos tornaram-se ilustres patrocinadores de festividades na Corte. No Rio de Janeiro, nos anos de 1700, os ciganos se estabeleciam nas cercanias e ao redor do Campo de Santana em pequenas casas guarnecidas de esteiras ou rótulas de taquara, dando origem à chamada Rua dos Ciganos (da Constituição). Festejavam Santa Ana, a avó de Jesus, a quem chamavam de Cigana Velha. Nas últimas décadas, pesquisadores dos ciganos “brasílicos” os dividem em dois grandes grupos: Rom e Calon. O grupo Rom é dividido em vários subgrupos, como os Kalderash, Matchuara, Lovara e Tchurara. Do grupo Calon, cuja língua é o caló, fazem partes os ciganos que vieram de Portugal e Espanha, em maior número encontrados no Nordeste, Minas e parte de São Paulo. A Constituição de 1988 quase teve um artigo específico para os ciganos, estabelecendo o respeito à minoria cigana, mas o então deputado federal ANTÔNIO MARIZ propôs emenda proibindo discriminação étnica ou racial – a proteção a todos manda preservar, proteger e respeitar o patrimônio cultural brasileiro, constituído pelos modos de viver, se expressar e produzir de todos os segmentos étnicos que formam o processo civilizatório nacional. Como toda minoria étnica (religiosa ou lingüística), o primeiro direito importante é o da não discriminação por ser cigano. Ao final, é um povo fascinante, amante da natureza, que sabe respeitar seus anciãos e suas crianças, conservando origens e tradições... que merece respeito e conservação de sua raça. - - - - - POVO CIGANO – Alguns aspectos da vida e da cultura ciganas: 1-Povo nômade, errante, que vive de ler a sorte e barganhar, ou seja, trocar, negociar com astúcia, cavalos e também objetos em geral. Sobrevivência milenar. / 2-Origem desconhecida, talvez da Índia (do norte deste país, as primeiras tribos teriam sido expulsas pelo povo ariano ainda em 1500 a.c.), em seguida Egito no tempo antigo dos faraós e sua primeira grande dispersão pelo mundo inteiro, especialmente para a Península Ibérica – Portugal e Espanha. / 3-Origem lendária: teriam nascido sem o chamado “pecado original”, mito cristão de Adão e Eva expulsos do Paraíso, por isso ganharam de Deus o prêmio de serem livres de uma só pátria e seu governante. / 4-Acusados de bruxaria, perseguidos, escravizados, até assassinados em massa ao final do século XV (Inquisição) e nos campos de concentração nazista durante a II G M em pleno século XX. Discriminados e perseguidos porque não compreendidos pois uma cultura geralmente não aceita nem respeita a outra. Enaltecidos apenas em poesia, música e nas telenovelas como símbolo de liberdade. / 5-Primeiros ciganos teriam chegado ao Brasil em 1685 ou 1686, expulsos de Portugal, e aqui, mais modernamente, passaram a lavar a terra e casar com brasileiros. / 6-Idioma próprio, o romani, que falam entre si, também usando o idioma local – não um povo único e homogêneo, mas grupos diferenciados por local de procedência, profissão, linhagem ou tendência à sedentarização, com tradições iguais em todo o mundo: por interesse, aprendizado com outros povos com os quais convivam temporariamente. / 7-Trabalho de fabricação/comércio/venda de utensílios de metal, principalmente cobre. Não aceitam trabalhos fixos e se subordinarem a não ciganos. / 8-Aceitam alguns princípios do cristianismo católico, porém criando rituais e cerimônias específicas de batismo, casamento e morte, sendo Santa Sara a padroeira católica dos ciganos. / 9-Os aculturados ou “ricos” moram em casas, freqüentam as escolas e os clubes locais, recebem convidados gadjés para suas festas. Os nômades ou “pobres” armam tendas moveis (ideologia libertária do não criar raízes’) e enfrentam muitas dificuldades para conseguirem água, vender tachos, até para permanência na cidade, vistos sob a ótica do medo e da desconfiança. / 10-Leais às tradições passadas oralmente pelos mais antigos: respeito ao velho (maior experiência de vida e mais perto da morte, isto é, do mundo espiritual), guardião dos costumes e das leis ciganas, mestre da magia e responsável pela manutenção de uma moral rígida e continuidade da raça; justiça cigana ministrada pelo Conselho de Velhos; entre os ciganos, o que é corriqueiro no mundo gadjé ou não cigano, como violar os direitos de outra pessoa, abandonar filhos, trair cônjuge, agredir com palavras... é para eles erro gravíssimo, julgado por um severo tribunal do grupo; certos costumes são secretos, como por exemplo a quiromancia, leitura das mãos, a cartomancia, leitura das cartas de um baralho especial, e o dom de ler imagens na taça de champanhe ou nas borras de xícara de café; todos se consideram uma única família, vivendo em regime comunitário com divisão de tarefas e responsabilidades; cada pessoa tem um nome oral secreto que só o grupo cigano sabe e outro nos documentos civis, sendo permitido ter padrinho/madrinha de batismo cristão fora do povo cigano (podem precisar no futuro...); rituais à moda cigana do nascimento até à morte; no batismo, presentes água para sua purificação e ouro para que tenha sorte e fortuna; escolha dos noivos é geralmente familiar, com preço da noiva, mas admitem o divórcio; casamento monogâmico é comemorado por até cinco dias, noivos comem pedaço de pão com sal e cortam os pulsos, unindo o sangue dos noivos; na primeira noite, o lençol é exibido às mulheres mais velhas do grupo como prova de virgindade da noiva (outros povos orientais também apresentam este mesmo costume); familiares da noiva expressam tristeza pela separação desta de seus parentes; atenção especial à mulher grávida, com muitas restrições supersticiosas; roupa da mulher – saia comprida, blusa decotada, muitas jóias e moedas de ouro como enfeite, lenço na cabeça para mulher casada; na morte de qualquer elemento do grupo, benzem o morto, oferecem alimento a ele e purificam os vivos e objetos que lhe pertenciam; essencialmente místicos, acreditam na reencarnação, carma e uma força superior á dos homens – violando costumes, temem castigo de antepassados mortos. / 11- Comunidade fechada – cigano casa com mulher não cigana, ela entra para a tribo, mas mulher cigana não casa fora da tribo ou será banida; mulher casada é subordinada a sogra, principalmente, a marido, cunhados e mulheres mais velhas do grupo. Mesmo filho de mulher cigana com homem não cigano (gadjé) será cigano por descendência do ventre materno (como entre os judeus e outros povos do Oriente Médio) e pode ingressar no grupo do qual a mãe foi banida. / 12-Na Espanha e na Inglaterra atuais, política social para eles – saúde, educação, habitação (permissão para acampar em locais adequados) etc., sem perseguição violenta e estigmática a ciganos nestes países. João Paulo II, o Papa da Paz, os recebeu fraternalmente em Roma. FONTE: “Os ciganos no Brasil” – Jornal POMBA BRANCA, Rio, ano IX, n. 54, 2004. “OS CIGANOS” – Bartolomeu Campos Queiroz – Ed. Miguilim, BH. 1982. F I M
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Comentários dos leitores

De fato, nômades ou não, é um povo fascinante e misterioso. Conheci um cigano especialíssimo, educado, fino, carentinho (gosta da solidão, pode?)... Parabéns!

Postado por lucia maria em 13-12-2014

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