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ARAK OU ARAQUE?



					    
“Mister Árabe” estivera no Brasil para a passagem de ano, imaginaram no hotel super granfino que o traje branco fosse fantasia e ensinaram samba nos festejos da noite. Daí, empolgou-se e voltou para o carnaval na ‘pele’ de um... sheik. Desfilou no alto de um carro, cercado por sete odaliscas de diferentes cores e nacionalidades. Disse ao microfone do repórter que era como “estar em casa”. Ora, a música-enredo falava em “cachaça das Arábias” (apelido inadequado pois cachaça é originalmente aguardente de cana ou mel) e ELA nos primeiros minutos de conversa o imaginou um empresário, turista comum em férias. Sim, porque sabia tudo (cultivo e colheita da matéria prima, industrialização e armazenamento) sobre a tal bebida, ARAK, que vem do árabe ‘suor’ e estava se tornando mais conhecida e procurada, bebida forte para as noites frias, deixando todo mundo nas nuvens. Versão popular era que beber tal líquido inebriante – exótico licor milenar no Oriente Médio – tinha por conseqüência quase imediata falar bobagens e contar estórias de... araque: mentiras, lorotas, falsidades. ELA o conheceu num restaurante árabe, atendentes brasileiros e estrangeiros todos em trajes típicos. No mínimo, interessante... Tradição sempre agrada – conhecer novas pessoas e diferentes costumes. A garçonete o serviu e de não muito longe deu para perceber no copo alto dois terços de água e um do concentrado incolor. Por sua vez, na outra mesa, ELA pediu com gelo e esta alquimia tornou o líquido turvo, quase leitoso. ELE se aproximou da ‘sozinha’, paquera é universal, apresentou- se como Ibrahim, foi o que a brasileira entendeu, falou de seus dias momescos e “ensinou” produção também com tâmaras, ameixas, damascos ou maçãs. (Cada povo tem versão própria para a sedução, a conquista e o amor.) “Os primeiros a produzirem o ARAK há quatro mil anos foram os egípcios, com as sementes do anis, a bebida ficando assim com o sabor de alcaçuz. Séculos depois os libaneses o tornaram popular na região médio- oriental. É conhecido pelos seus poderes de cura contra dor de dente e resfriado. Sou médico.” (“E o que eu tenho com isto?” – a moça pensou.) ELA sabia que, desde o século VII, por questão religiosa o ARAK caiu no ostracismo porque os muçulmanos não ingerem álcool. Sim, mas agora estava renascendo para os árabes cristãos e outros religiosos......... pois é... Estava ali, diante de um homem que falava um misto de português e inglês, com sotaque estranhíssimo. Alto, espadaúdo, tom moreno bonito, olhos acastanhados que lembravam tâmara. Notou um perfume amadeirado (cedro ou sândalo?), um anel com esmeralda e na gravata mini símbolo do signo de Áries. O cara foi direto: “Quer casar comigo?” Na verdade, frequentava certos lugares comuns na esperança de conseguir um namorado, não um marido repentino. Deixou que ELE falasse. Já era casado seis vezes (huuummm...) e precisava de uma sétima esposa, condição do testamento de um tio para receber mais uma herança, “negócios com petróleo”... (“E eu que nunca recebi nenhuma...” – pensou.) Descreveu a casa, enorme, com um pátio central descoberto e um chafariz. Mulheres ocupavam parte da casa, os homens ocupavam outra, enumerou a criadagem e funções, refeitório e dormitórios coletivos, esposas agendadas para as tardes ou noites de sexo com ELE. Mostrou fotos de filhos/filhas adolescentes e crianças. (“Fotos-montagem ou tiradas numa escola” – pensou.) Muitas vezes faziam sessões de música e literatura, as pessoas cantando e contando estórias. (“Mil e uma noites”......... – pensou.) Improvisou alguma coisa no guardanapo de pano, escreveu, entregou ao garçom com uma nota de cem reais e que ficasse com o troco. Em minutos, ELA recebeu uma orquídea lilás e, no que o cavalheiro se propôs explicar o significado, ergueu-se da mesada educadamente para “chorar de emoção na varanda”. Fugiu. No outro dia, no jornal que ELA nem chegou a ver, a entrevista rápida com um poderoso sheik (ou príncipe ou sei-lá-o-quê) – viajando às pressas para casa em seu avião particular, por uma desilusão amorosa no Rio de Janeiro. Blá blá blá......... ELA contou e recontou as moedas para o ônibus e o metrô – secretária perfeccionista de advogado mal humorado, salário magro e ainda tem que abrir o escritório! NOTA DO AUTOR: ARAK – Destilado de uva clara mediterrânea e anis ou erva-doce, com altíssimo teor alcoólico (47%), servido ora com folhas de hortelã ora em drinques (que lembram a nossa caipirinha) com limão ou damasco. Apelidado “leite dos leões” e “leite de camelos”, no Líbano, na Síria e na Jordânia, disputando o título de campeões do coquetel. FONTES: “Alto teor alcoólico” – Revista O GLOBO, Rio, 4/8/13. “Noites quentes de arak” – Jornal O GLOBO, Rio, 9/2/13. F I M
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Comentários dos leitores

Meu chefinho é o meu príncipe - mal humorado, caladão, "inconfidente" (que nunca diz as dores nem as alegrias), que não troco por ninguém. Abstêmio com boa pesquisa e composição de conto. Parabéns!

Postado por lucia maria em 25-01-2015

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