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DOMINGO DE FOLGA



					    
O ZOHAR, um dos livros da religião judaica, diz que dois anjos habitam dentro de cada pessoa – a boa e a má inclinação. Eu sinto sobre meus ombros dois pequenos seres, um anjo, com o camisolão branco e asas, e um demônio, camisolão vermelho e chifrinhos, que discutem entre eles e tentam me arrastar para o bom ou o mau caminho: famosa batalha travada entre o bem e o mal, e EU estou no centro do conflito. Necessário ‘traduzir’ qual o melhor impulso. Não sei quando estou sendo muito bonzinho, quase idiota, ou quando estou sendo justo, quase perverso. Simbolicamente, às vezes me sinto um pássaro livre de asa quebrada, não sabendo distinguir entre destino, o ‘está escrito’ (o ‘maktub’ árabe, a ‘moîra’ grega?), ou o livre arbítrio, algo me paralisando de agir por conta própria. Tirei um domingo de folga... Escapei da loucura que é a solidão. Exercício físico é que cuidei da casa, fiz jardinagem, separei as roupas de inverno das peças de verão. Exercício mental é que li coisa boa, não reli coisa boba, desfolhei um livro que fala dos anos 60 - EU em 1968 ainda muito pequeno para entender na ocasião a revolta dos hippies e dos parisienses: consta que SARTRE não apoiou porque não entendeu nada... Depois me restaurei com... sorvete, quando o certo seria procurar um restaurante, mesmo sozinho. Telefonou tocou. Entrevista. Minha opinião sobre......... Soltei um palavrão; é, estas coisas que nos fazem lembrar ameaças maternas, “...pimenta na boca”. Lá vem um dia em que nossa imagem vai para... o brejo... quando estamos mandando alguém para “outro lugar” (sempre desagradável e a outra pessoa retribui nos mandando ir na frente). Não sou um totem nem uma esfinge ou um príncipe, sou humano – humano e impaciente, do tipo não chateio, não me chateiem. Já me disseram que sou um carinhoso rude – casca grossa, coração doce. Gosto de conviver com pessoas, mas não me iludo com discursos de admiração plena. Tento sempre uma convivência amistosa. Tenho a qualidade ou o defeito do “não crer”... É isto! Ao final do dia, tentei juntar a energia de fora e a de dentro. Sentei num lugar tranqüilo da casa (na verdade, moro sozinho, EU mesmo “produzo” o meu silêncio), fechei os olhos e por minutos a consciência ficou pura, isenta de prazeres ou de pecados. Meu auto-conhecimento. Disse FREI BETTO que para disciplinar a mente, durante uma oração, devemos limpá-la de imagens. Um zen-budista, num rito para se aproximar de Deus, põe água num copo e percebe a sua beleza enquanto bebe, sem ansiedade. Do nada, me surgiu a figura de ORFEU, personagem grego, lenda muito antiga segundo a qual o filho de PRÍAMO desceu ao Hades, império das sombras, terra dos mortos, em busca de sua amada EURÍDICE, episódio mitológico repleto de simbologias que serviu de inspiração para artistas de todas as épocas, dando origem aos chamados cultos órficos. Muitas vezes, descer às sombras é nos conscientizarmos das nossas falhas. Ou, como em 1431, nos queimarmos e purificarmos na fogueira de JOANA D’ARC, Coincidência às vezes existe. Liguei a tevê, interferência gráfica nas minhas emoções, apareceu em cartaz de passeata uma frase, “tekovê-oribá”, que uma voz traduziu do tupi-guarani, ‘vida alegre’... E não entendi o que protestavam porque imediatamente apareceram as figuras circenses de malabarista, equilibrista, domador, bailarina, mágico e o divertido palhaço. Voltei a meus sete ou oito anos e ri sozinho. Salve “Terra Brasilis!” – cartaz final da passeata. Pois é. Infeliz EU não sou! F I M
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Comentários dos leitores

Muito bom nos avaliarmos e a solidão é grande conselheira, sempre. Parabéns!

Postado por lucia maria em 09-02-2015

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