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É FAN-TÁÁÁS-TI-CO...



					    
(Dispensável a musiquinha...) 1--Em pleno século XXI, ainda a crença dos “sobrenaturólogos” de hoje em duendes, rituais de magia negra, anjo da guarda... e é enorme a tiragem de livros clássicos que margeiam esse domínio, ora místicos ora fantásticos. Assim, bem vinda a reedição de O DIABO ENAMORADO, de JACQUES CAZOTTE, autor francês nascido em 1719 e guilhotinado em 1792, cujas últimas palavras foram “fiel a meu Deus e a meu rei”. Enredo simples. Álvaro, o protagonista, assiste, um tanto entediado, a uma frívola conversa de rapazes sobre a cabala e resolve, movido por dois demônios internos, a curiosidade e a impaciência, se relacionar com os espíritos e amigos iniciados o levam a um local determinado para invocar Belzebu, que a princípio surge como um cavalo, depois uma cadelinha, um pajem e por fim como Biondetta, irresistível mulher – relação de sedução e entrega... (Não sei precisar quem se enamorou de quem. Foi só isso que este narrador aqui conseguiu pesquisar.) 2--Se outros lá fora fizeram, por que não nós aqui também? Vá lá que não seja nossa tradição literária, mas de longe em longe nos agrada... Como caviar e uísque: provar, comentar depois. REALISMO FANTÁSTICO, boa nomenclatura porque é a hesitação entre uma possibilidade, a realidade, e uma impossibilidade, a irrealidade, ou seja, ficção irreal ‘dentro’ da realidade. Fantástico é a zona periférica ou fronteira entre o creditável e o inacreditável. 3--Entre nós, MURILO RUBIÃO, em O PIROTÉCNICO ZACARIAS, conto que dá título ao livro, obra inteira de 9 contos, o narrador-protagonista de fato está ou não morto? A vida além-morte, já cogitada (ou não?) pela crença religiosa, é comum em literatura, e já a encontramos muito tempo antes na narrativa do mestre MACHADO DE ASSIS em MAMORIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS: autor-defunto ou defunto-autor? E justamente pela supernaturalidade neste reino do maravilhoso é que “acreditamos”. A morte é mostrada como liberação e realização e ao mesmo tempo, verdadeiramente, o ‘entender’ a vida. Interessante, não? Em Zacarias e Brás, a morte não os angustia como finitude, pois se sentem capazes acima dos vivos. --- E no conto ZACARIAS, surge a simbologia das cores – arco-íris ou espectro solar: muitas cores na sua pirotecnia viva (cromatismo), quase sem-cor no seu estado de morto-vivo, depois o branco (luminosidade como cor-síntese), absoluto-puro-essencial da morte, se aproximando ao concluir que agora está morto. A metamorfose – tradição filiada aos contos de fadas – surge no conto TELECO, O COELHINHO, personagem que se transforma em vários outros animais e de repente numa criança recém-nascida, morta – a antropomorfização do zoomórfico. Em BÁRBARA, ela gradativamente se agiganta e se torna cada vez mais tirana. Em O EDIFÍCIO, novos andares surgem do nada. Em O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA, o problema do homem sem infância e juventude, etapas necessárias ao crescimento do ser humano, que um dia se descobre senhor de poderes sobrenaturais e mágicos, torna-se prestigitador de circo, depois se sentindo vítima de sua própria capacidade e condição. --- Nem a transgressão das leis naturais e da lógica convencional nem a criação de um novo mundo irreal – apenas o jogo da ‘dúvida’, isto é, a contradição do próprio fantástico. A possibilidade do irreal é arbitrária e imaginária, psicologicamente aceita como nova relação entre os fenômenos do mundo – outras lógicas... 4--Ainda MURILO RUBIÃO, no livro O CONVIDADO, 12 contos. Em EPIDÓLIA, revolução da ordem espaço-tempo: num encontro de namorados, num zoológico, ele está de pijama, ela misteriosamente desaparece e o rapaz sai a procura, volta para casa e todas as suas coisas desapareceram, é informado que estão no colégio interno, de que saíra há tempos, e ela teria partido para o mar numa cidade sem mar, com a explicação que de repente três cidades se fundiram, uma com orla marítima, e logo em seguida não mais existe o mar. Em PETÚNIA, de um casamento forçado pela mãe do rapaz por interesses aparentemente materiais, nascem três filhas – após a morte da mãe, seu retrato na alcova do casal adquire poderes fantasmagóricos, as três petúnias são assassinadas, porém todas as noites brincam de roda. Em AGLÁIA, o casal se compromete a não ter filhos, após algum tempo ela é fecundada mesmo sem contato sexual e ocorrem partos sucessivos, e numa situação intolerável o marido abandona a mulher. Em O CONVIDADO, a personagem é misteriosamente convidada a uma festa de fantasia (por quem e onde?), terrível incomunicabilidade entre as pessoas, a festa se torna incomodativa, ele tenta voltar para casa, mas se perde no caminho, uma das convidadas se propõe a ajudar, mostrando-lhe o caminho de um possível relacionamento. Em OS COMENSAIS, a personagem freqüentava há tempos um restaurante onde os misteriosos comensais estão eternamente à mesa, os pratos são renovados e eles nada comem nem se comunicam uns com os outros – surge uma adolescente, imagem das lembranças de uma antiga namorada a quem ele negou o verdadeiro amor e abandonou, a moça recusa as flores e ele, projetado ao espelho, vê sua própria imagem aos vinte anos, remoçado como punição. 5—Em MOACYR SCLIAR, a cosmovisão comprometida com aspectos sócio- políticos-religiosos, contos que oferecem muitos elementos insólitos e absurdos, influenciado pelos mitos bíblicos da religião judaica, em tom profético e cabalístico de não muito fácil compreensão – é pegar ou largar... O livro O CARNAVAL DOS ANIMAIS, do início de sua carreira literária, sugere fábulas a partir do título, mas ironicamente são alegorias com a criação de um mundo animal anímico – intenção satírica de criticar, com fins morais, a sociedade humana. O autor discute aqui o negativo do poder mítico da criação e preservação, com possibilidade não-criação ou destruição, constituindo um mito ao reverso. Segundo a tradição judaica, a própria criação traz em si o germe da sua anulação, ou seja, um constante conflito entre forças destruidoras (mal) e criadoras (bem) que atingem o homem na eterna busca do aperfeiçoamento espiritual – a cabala é uma advertência. No conto AS URSAS, o profeta Elizeu, ridicularizado por um bando de meninos, lança-lhes uma maldição em nome do Senhor e o castigo vem pouco depois, quando fantástica e misteriosamente aparecem duas ursas que comem os quarenta e dois meninos – no interior da ursa maior, trinta são digeridos imediatamente, e no interior da menor, doze sobrevivem e constituem uma cidade, com hábitos e instituições sociais, têm filhos, um dia aparece um profeta que os atuais meninos também ridicularizam, o profeta os amaldiçoa, aparecem duas ursas que os devoram e tudo se repete ‘ad infinitum’. A partir da premissa da destruição, o autor cria o mito do eterno retorno, binômio destruição- criação como forças anímicas da Natureza que no conto é indicado como vontade divina. Em A VACA, personagem perdida numa ilha deserta, surge uma vaca e, sem recursos, devora paulatinamente o animal. Em O CANIBAL, duas mulheres perdidas num desolado altiplano da Bolívia após um desastre de avião, repartem as eventuais provisões, porém a mais desesperada de fome, começa a comer seu próprio braço, e morre. Em CÃO, a mutilação é total e imediata, o cão ironicamente treinado para devorar. Em TORNEIO DE PESCA, mutilação parcial, com um dos participantes, indignado com o sucesso abundante de um estranho, mutila os seus braços. Em SHAZAM, num plano mais simbólico, a mutilação-destruição atinge o mitológico, alegoria do homem que destrói seus próprios mitos de modernidade, quando o herói das HQ perde status e se despersonaliza. Em ECOLÓGICA, o tema da destruição compulsiva da Natureza, um casal procurando pela filha, que vem a ser uma árvore, a simbólica árvore da vida. --- Em SCLIAR, ausentes bondade e condescendência, presentes os reflexos de uma teologia moral na concepção de um Deus punitivo como o de Abrahão? Ou o desengano do povo judeu sem promessas e ainda a espera de uma reveladora e transcendente salvação messiânica? 6—“É FAN-TÁÁÁS-TI-CO.........” Não há uma verdadeira análise conclusiva. (Agora pode tocar a musiquinha!!!) FONTE: “O fantástico no conto brasileiro contemporâneo” (Partes I, II e III) – BH, SUPL. LITER. MG, ano XIV, n.763-764-765 - 16, 23 e 30/5/81. F I M
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Comentários dos leitores

O fantástico seduz para gera pesadelo e medo. Parabéns!

Postado por lucia maria em 19-02-2015

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