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BOTEQUIM CARIOCA



					    
O “happy hour” começa costumeiramente ao entardecer da sexta- feira... A perder-se no tempo o comércio de secos & molhados (pouco depois de Cabral e Estácio de Sá?!) nas mãos de comerciante português, camiseta branca sem mangas, bigode retorcido nas pontas, logo virando botequim, boteco, na parede uma prateleirinha com São Jorge, galhinho de arruda no copo d’água (outro atrás da orelha esquerda) para espantar o mau-olhado e em algum lugar nunca faltando o time futebolístico do coração, o Vasco da Gama. Referência na vida cultural e boêmia do Rio, sem dúvida alguma. Em memória “mais recente” (!!!), consta que D. Pedro II fechou por decreto os arredores da rua do Ouvidor, no centro do Rio, deixando-a apenas para pedestres – intelectuais, músicos, simpatizantes... Os traços arquitetônicos eram de inspiração europeia, primeiras décadas do século XIX, tempo dos engravatados, enchapelados e bengalados – enluvados em minoria. Boteco às vezes visto com preconceito ou iam às escondidas. Visual despojado é talvez a partir da República. Belle époque, início do século XX. Cafés, bares, botequins, tascas ou casas de pasto... pouco importa o nome. Fazem parte da história da cidade. A partir daí, a capital federal influenciando culturalmente o resto do país. A ordem era in-for-ma-li-da-de e re-den-ção: esquecer problemas e socializar. “Pé-sujo” ou “copo sujo”, por conta da higiene duvidosa – o tamanco do lusitano que mais deixava o calcanhar do Manuel- Joaquim-Antônio roçando no chão mal lavado ou copo que disfarçadamente ia da cerveja de um freguês a outro, sem gastar uma só gota de água. A graça é a de botequim antigo - mesas de madeira com tampo de mármore (fórmica ou plástico hoje), cerveja bem gelada coletiva na garrafa de vidro (passou a latinha individual) e bolinhos de bacalhau – ainda outros petiscos: tremoço, lingüiça picada, azeitona, iscas de fígado, ovos de casca colorida em azul ou rosa, sanduíche de pernil em pão francês cortada em diagonal... Garçom sabia o nome de cada freguês. Como preservar a identidade do local, ainda na mesma família, gerações sucessivas? Investir hoje em decoração ‘clean’ é descaracterizar toda uma filosofia boêmia. Contudo, era feinho, mas com boa bebida, petiscos baratos, conversa sem compromisso. Na década de 50, era o Café Nice, no centro da cidade, onde se reunia a nata da música brasileira – sambistas e compositores, muitos negociando a venda das músicas. E quem disse que Villa-Lobos não participava também desta efervescência cultural? Há botecos antológicos, apesar de renovadas a clientela e o comando das casas. Os mais representativos de um Rio antigo, já fechados ou não, seriam: Bar Brasil, de 1907, no ritmo frenético da Lapa -- Bar do Jóia, mais de 100 anos de existência histórica, pé-direito alto, portas em arco, geladeira de madeira, cerveja gelada, feijoada. -- Bar Luiz, mais de 100 anos, art déco e culinária alemã. -- Belmonte, 54 anos, balcão de mármore, cadeiras de madeira, banheiro limpo, chope bem tirado. -- Casa Pardellas, misto de quitanda e botequim bem tradicional. -- Casa Villarino, de 1953, decorado com objetos antigos, como cinzeiro, relógio, rádio, telefone e máquina de escrever; ambiente de Ary Barroso para um ‘uisquinho’ no final da tarde e ali o jornalista Lúcio Rangel apresentou Tom Jobim a Vinícius de Moraes, em sua mesa de “uiscritório”, e montaram o espetáculo “Orfeu”... -- Cosmopolita, de 1926, apelido de Senadinho, por ser ponto de encontro de políticos, na parede foto de Osvaldo Aranha, político, diplomata e amigo de Getúlio Vargas, criador de um filé especial (alto, servido com muito alho, arroz branco, farofa e batatas portuguesas). -- Armazém Senado, mais de 100 anos, itens de armazém, petiscos, cerveja, cachaça. -- Paladino, mais de 100 anos, armazém de produtos finos e importados, sanduíches suculentos, omeletes, chope claro e escuro. -- Adega Pérola, com balcão de acepipes portugueses. Recém-criado turisticamente o Pólo Praça XV, ponto de encontro. Sem marcar hora, é chegar e encontrar os habituais para um bom papo. Muitos bares. FONTES (pesquisa): “O boteco da vez” – “Dança da garrafa” – “Os centenários” – “Histórias de botequim” – “O mapa da diversão” – Revista O GLOBO, Rio, 26/10/08, 7/12/08, 15/2/09, 27/11/11 e sem indicação de data. --- “A alma do Rio forjada nas mesas dos botequins” – “Bares servem chopp e nostalgia” – Jornal O GLOBO, Rio, 18/6/06 e 17/12/06. F I M
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Comentários dos leitores

Charme do Rio para quem gosta de um bom chopp ou uma boa cerveja!!! Boa pesquisa. Parabéns!

Postado por lucia maria em 19-02-2015

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