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ESTÓRIAS DE RÃS E FAMÍLIAS



					    
1-O menino nasceu em casa pelas mãos de uma parteira chamada às pressas. Coincidência ou não, ao início das tais (nunca senti!) contrações, mãe segurava uma garrafa de vidro com leite – ELE nasceu branquinho, branquinho: nada do “outro mundo”, pois os pais, que eram primos de primeiro grau, tinham nascido louríssimos. ELA cismou que o menino era doente, fraquinho. Meses depois, pediatra pesou, mediu, não viu nada errado; por muita insistência da mãe, em todo caso indicou caldo de rã, sem fornecer a receita culinária. Descobriu um açougue muito longe de casa, tomava ônibus, e duas vezes por semana ia comprar um único “bichinho” que (não é lenda!), morto, se sacudia (contraía) na panela de alumínio. Isto é física - há uma tese sobre dois metais diferentes e energia armazenada... Onde o “segundo” metal na panela, EU de fato não sei explicar, mas que mexia, mexia. Rã já limpa, aprendeu por conta própria a ferver com água e servir apenas o caldo na mamadeira. Garoto crescido, vizinho, soube, perguntou quanto ELA pagava (preço altíssimo!) e se ofereceu para pegar no brejo local, matar e limpar. Aceitou... No outro dia, garoto chegou bem cedinho com muitas rãs: muitas, muitas, muitas... Neo fornecedor cobrou a mesma quantia, ELA pagou sem pestanejar, como se diz popularmente. O que fazer?! Um suculento refogado. Cozinhou macarrão, cobriu com farto molho de tomate, cebola e... rãs. O marido recusava marmita e vinha almoçar em casa – tomava o trem perto do emprego e pulava um muro da via férrea, encurtando caminho no bairro de casa. Prato em cima da mesa, era só tirar o pano que cobria, mastigar as garfadas e voltar às pressas para o centro da cidade. Nesse dia, mal teve tempo em perder alguns segundos: “Mulher maluca! Pinto de um dia...” ELA não esperava tal reação – ficou calada. Comeu, saiu correndo. À noite, ELE jantou e... elogiou. Futebol pelo rádio, torceu pelo time, dormiu tranqüilo. Numa reunião familiar qualquer, comentou a ‘inocência’ do menininho em não protestar sobre o que a mãe “maluca” dava para beber; ELE – marido – jamais beberia ou comeria tal barbaridade... O adjetivo revoltou-a e revelou que ELE, inocente-adulto, almoçara e jantara... rãs. Gargalhada geral. Machão não pode ser enganado. “Bem que passei mal no trem, mas atribuí ao calor... À noite, passei mal de novo, pensei que fosse emoção com meu time jogando!” Contudo, recusou-se a uma terceira refeição. 2-O português veio de Angola para férias curtas. A AMIGA brasileira cursava faculdade pela manhã e simultaneamente biscateava num escritório nos dias e horas de folga. ELE, que viajara por muitos países na Europa e na África, sabia muito bem se virar; arranjou folhetos e passeou aparentemente sozinho. Sábado, folga geral, ELE sugeriu teatro de vedetes. Domingo, almoço em restaurante, culinária exclusivamente brasílica. Desagradável até lembrar......... Perto do hotel, um restaurante não luxuoso, porém de cardápio farto, na porta um quadro com nomes e preços em giz renovável. Começaram pela típica feijoada – não chegou a sete garfadas, ELE já conhecera e mandou recolher tudo – sobras e louçaria. Veio vatapá, idem, recolher tudo. Veio cozido de legumes e carnes, ibidem, recolher. Veio moqueca... existe “tri-idem”? Misturas fortes e desconexas, mesmo em pequenas porções. A acompanhante já estava ficando nervosa, nem querendo prever em si própria uma tragicômica e desastrosa reação intestinal. Aí, o fulano perguntou o que era “rá”. “Rá?” De fato, em lugar do til – de rã –, estava um acento agudo. Será que ELE entenderia ‘anfíbio, anuro, batráquio’? Besteirol consciente, mas ELA – que jamais comera tal petisco – falou: “Rã é a mulher do sapo.” Vieram as rãs, fritinhas, perninhas bem separadas, parecendo um homenzinho no prato... ELE comeu com gulodice, ELA com naturalidade. Desarranjo apenas emocional – em seguida, Maracanã, time do Almirante, oposto ao dela......... 3-Anos depois, ELA foi residir numa antiga zona rural e trocou as corujas /símbolo grego da sabedoria/ de louça e outros bric-à-brac (coleção de objetos pequenos, nem sempre de artesanato) por sapos/rãs/pererecas, em décor numa prateleira mínima da estante de livros. Foi assim. Mudança instalada, armários de metal ainda não suspensos na despensa, o jeito foi colocar as panelas provisoriamente sob a pia. Da cama, escutou um som estranho-estranhão-estranhíssimo. Enorme sapo coaxante sacudindo um alumínio contra outro... Expulsou-o delicada, batendo com o cabo da vassoura no chão, em dueto. Por certo ele não gostou e bateu em retirada. Mais algum tempo, meses... um som agudo prolongado, em especial na cozinha e no banheiro, paredes de azulejo, locais mais frios da casa. Procurava, não achava, alguém informou sobre uma pererequinha de 2cm, macho procurando fêmea para reprodução – pesquisou: de setembro a março. Acostumou-se. Mudou até o teor da coleção em que agora predomina o verde ecológico. Há pouco tempo descobriu restaurante especializado perto de casa – o prato mais pedido é o de coxas de rã, servidas grelhadas, assadas, cozidas, com molho, seja thai ou provençal. Ambiente afrancesado – opções de galette, coq au vin, magret de canard, charlotte au chocolat, tarte tatin. Interessante... Ninguém aceita acompanhá-la a este lugar. 4-Entre 1978/1979, uma telenovela em que um idoso sonhador, nostálgico de Copacabana anos 40, smoking e que tais, abre um restaurante com esta especialidade. Grande dúvida existencial – não existirem restaurantes porque as pessoas não conheciam/comiam rã ou não conheciam/comiam rãs por não existirem restaurantes na especialidade??? Último capítulo da estória televisiva. “Obra aberta”, como definiu o lingüista italiano UMBERTO ECO. O comércio deu certo ou logo faliu? F I M
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Comentários dos leitores

Gosto de rã... contraditoriamente, no jardim e no prato. E você escuta estórias particulares, sai ecrevendo. Parabéns!

Postado por lucia maria em 04-04-2015

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