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BANQUETE ÀS AVESSAS-PARTE II



					    
Reunião informal na sinagoga. Feira de livros, filmes curtos, conversas soltas. Não entendi nada quando o rabino, idade equivalente à minha, disse que talvez “naquele dia” não estivéssemos merecendo o alimento para o corpo por isso todas as panelas caíram ao chão. Dissertou sobre o maná, alimento milagroso enviado por Deus durante o êxodo – hebreus 40 anos no deserto... sob a liderança de Moisés, rumo à terra prometida. Adoro a palavra ‘líder’ e logo me imaginei num harém! Misturei os povos, assumo a vaidade, monogamia de uns, porém houve o tríduo Abrahão – Sara, a esposa estéril – a serva egípcia Agar que gerou Ismael, futuro patriarca dos ismaelitas, origem das nações árabes, e poligamia legal de outros, permitida até (só?!) quatro esposas......... “explicação” é que lendas sempre nos transportam a mundos de sonho e fantasia. A nosso favor, é claro. De repente, ele me perguntou se já amei alguém. Esta pergunta sempre me assusta, fiquei internamente descontrolado, pensei em muitos anos de vários relacionamentos curtos que nunca foram além de um terceiro encontro. Non plus ultra. Mais fácil seria dizer: “Não, nunca amei.” Contudo, permaneci calado e ele percebeu dores, sofrimentos e muitas decepções. “Romântico ou não, o amor existe ou não seria tão cantado. Amor pode ser um projeto de anos. Você vai ao teatro, ao cinema, lê autores judeus?” Fiz com a mão direita um gesto casual (esforço de memória para não falar bobagem): “Já li alguns contos de MÉNDELE, PÉRETZ e ALÉIKHEM.” (E se ele me perguntasse o exato autor de “Tévie, o leiteiro”? Engoli ANNE FRANK, temática de guerra e estava sendo ali e com ele uma tarde de paz.) Continuou: “O amor é muitas vezes constatar o dever cumprido. Em “O violinista no telhado”, há um velho casal e o homem pergunta se a mulher o ama... Ela faz uma pergunta similar e ao mesmo tempo inversa: “Se eu te amo?” Refletem e analisam juntos tudo o que fizeram unidos desde o leite para os filhos, anulações de personalidade, cuidado mútuo, paciência e impaciência, sorrisos e lágrimas... Quarenta anos juntos. Isto é ou não amor?” ANA SARA, num rápido olhar, me salvou numa fração de segundos, chamando para o lanche. Bandejas de suco gelado de tamarindo com mel e anis. Serviram um tal de falafel, famoso bolinho de grão-de-bico frito, disputado por árabes e judeus. (Modernamente, há quem use camarão como recheio, intertextualidade do acarajé.) Disputam o sabor da receita quase no tapa: quem inventou? Veio dentro de um pão redondo que me pareceu integral, com salada de alface-tomate-pepino e uma colherada de tahine, creme perfumado de gergelim. Entendi como versão judaica de um hambúrguer... sem carne. É o único diálogo entre árabes e judeus, a comida com origens comuns – cozinha da concórdia. Havia um balcão de preços baixíssimos onde se podia experimentar outras coisas em pequenas porções: arroz selvagem com grão de bico, ervas e groselha, de inspiração serfardita; batatas assadas com caramelo e ameixas, guizado asquenaze polonês; sopa de feijão branco e cordeiro; codorna assada com damasco e tamarindo; frango marinado e assado com alcachofras, limão e açafrão; marmelo recheado com romã, cordeiro e coentro; doce de pera ao vinho branco e cardamono; (meu já íntimo) bolo de nozes e mel. De repente, todos brindaram com um cálice de vinho doce e não pude ficar de fora. Saudação coletiva: Shalom! F I M
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Comentários dos leitores

Lembro. A comida caiu toda no chão, narrativa. Os povos do Oriente Médio são como irmãos disputando a progenitura, eu acho, daí tantas guerras até na invenção desta ou daquela comida. Parabéns!

Postado por lucia maria em 11-04-2015

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