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FAUNA AMBULANTE



					    
Final de dezembro, mais precisamente dia 23, já verão oficialmente na “pauta” de 3 longos meses. Nem cansado nem esperando alguém. Banco de praça no calçadão comercial. Sentei, fiquei. Invisível porque pela primeira vez na vida ninguém me deu “boa tarde”, nenhum sorriso feminino, pessoa alguma fez confidência íntima por desabafo e alívio de alma (a mim, um desconhecido!), não entregaram papeizinhos de mercadorias-crediários-religiões-videntes- cursos, ninguém pediu para “pagar um pão” (falso: cachaça eufemística), ofereceu droga ou sexo... Mais que um rato esmagado e seco, EU me senti inferiormente invisível. Nenhuma “ELA” Geminiana da minha casa para me dar na rua colheradas de sorvete de chocolate na boca ou se pendurar no meu braço e exibir o Bonecão até para desconhecidas. Muitas lojas. Cheíssimas de compradores e insatisfeitos. EU não tinha a quem presentear senão a mim mesmo... Fauna ambulante. Porque pareciam animais ferozes disputando o pouco alimento satisfatório. Anotei os tipos numa embalagem de biscoito largada ao chão. Por contraste, muitos exemplares (duplo sentido!) femininos em roupa bem curta, saias ou os tais shortinhos, andando em tagarelice de grupo ou sozinhas, e uma mulher madura, certamente virgem frustrada, saia reta e feia até perto do chão, clássico livro religioso de capa preta, olhares nas pernas exibidas, entre censura e frustração – não trocaram olhares... Lembrei bestamente de um título - “Mulher sem pecado”: não conheço a estória, pesquisarei. Muitos homens velhos solitários (serei um deles um dia?!), poucos em roupa da moda, outros com aspecto de carentes de aposentadoria curta, predomínio de sandália de borracha nos pés masculinos. Uma mulher idosa desmaiou – levaram para a farmácia. Um homem tocava um saxofone dourado e perto dele uma mesinha, folhetos e CDs, muita gente parando, pedindo tal e tal música... ele atendia por minutos, logo trocava o repertório farto (reconheci Gounod e jazz)... comprador único escolheu e comprou 6 discos – minha imaginação se dividiu entre bronca da esposa ou família feliz com a ‘surpresa’. Papais Noéis diversos, um pedindo moedas para orfanato – possível! Dois rapazes apressados, as pessoas logo davam passagem – roupas listradas, muita maquilagem branca e longuíssimas pernas de pau. Fumaça com cheiro de pipoca. Outros ambulantes com brigadeiro, algodão doce e maçã do amor. Um menino, tipo iludido e forçado machinho aos 5 ou 6 anos, primogênito ou filho único (não sei...), insistia com o pai, sorridente, e a mãe, cara fechada, para segurar um pacote, aparência muito pesada; vi depois que ele já carregava alguma vidraria na mochila às costas; caiu para a frente e rolou no chão; tumulto no meio de tantos passantes; não saí do banco de pedra, espectador anônimo; um guarda de rua foi ajudar – cacos de pirex, vários copos, tudo atirado ao cesto azul de lixo... A churrasqueira toda desmontada terá conserto? Adultos e crianças com camisa amarela “Ronaldo 9”... Na banca de jornais, “horóscopo – 2015”, inúmeros compradores (o Ariano aqui resistiu à curiosidade). Muitas moças com cabelo ruivo à la ninfeta ou total-diabolicamente vermelho (tevê dita o ‘império’ e o ‘astral’ da moda, sem dúvida alguma)... Imaginei a religiosa (que parou definitivamente na porta de uma sapataria, costas voltadas para a vitrine, sacudindo a cabeça de vez em quando) querendo cobrir as “pecadoras diabólicas” com o manto branco da... (dita, bendita ou maldita?) pureza. Uma loja oferecendo cafezinho e uma loteria distribuindo lápis-propaganda. Meditei sobre agnosticismo – como EU particularmente devo proceder nestes dias??? Alguém irá me convidar para.........? Pombos esvoaçando em todas as direções o tempo todo. Estes? Nem estes, pelo menos e desesperadamente estes (estou enlouquecendo?!), viram meu espectro – saí do local uma hora depois da chegada com traje incólume. NOTAS DO AUTOR: MULHER SEM PECADO – Primeira peça teatral de NELSON RODRIGUES, 1941, fundo absolutamente psicológico: marido, atormentado por ciúme, finge durante meses uma paralisia (“Não me conte o final!” – leitor pedindo) e imagina traições, porém é ele /na linguagem ambígua da dramaticidade/ quem “alerta” a mulher, até então sofredora e fiel, para ter aventuras......... LOLITA – Livro do russo VLADIMIR NABOKOV – escrito em inglês, publicado em Paris (1955), Nova York (1958) e Londres (1959), posterior tradução em russo (1967): o protagonista é professor de literatura, quase quarentão, obcecado por Dolores, ninfeta de 12 anos, com quem se envolve sexualmente após se tornar seu padrasto. O nome “Lolita” entrou para a cultura popular mundial... Várias adaptações para cinema e teatro. F I M
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Comentários dos leitores

Comigo dois momentos opostos: 1-sentada num banco de praça e a humanidade inteira veio perturbar; 2-mesmo banco, outro dia, eu invisível e louca de raiva. Parabéns!

Postado por lucia maria em 25-05-2015

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