Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


AULA DE BOTÂNICA, AVES E HINOS



					    
Porteiro de um prédio aqui na vizinhança. “Metido a sebo... – foi o que uma mulher mais velha falou. Exibido demais para o meu gosto. Gosta de falar difícil; acho que até em latim ele diz certas palavras......... Muito moço para ser um professor aposentado!” De fato. Máximo presumível de quarenta anos. Eu ia passando a caminho da padaria. Puxou assunto. Perigoso sotaque italiano. Fui discreto, sem perguntas... ainda. “Que coisa linda este ‘Delonix regia’ (flamboyant, ele traduziu)! Beleza flamejante das flores vermelhas (cor predileta deste narrador) e em contraste tanto lixo largado ao redor – a pracinha agora está virando depósito de entulho e descartáveis... Você sabia que, apesar do calor excessivo deste janeiro, 42 a 44 graus em muitas cidades, a ‘Ficus religiosa’ (figueira religiosa, acrescentou) aqui da rua está em plena floração, perdendo as folhas como se fosse outono?” Observei, olhei para cima. E era mesmo. Símbolo de transformação, numa mistura de vermelho e amarelo. Continuou após curta pausa: “Essa espécie foi introduzida aqui pelo paisagista francês AUGUSTE GLAZIOU (1833/1906) no século XIX. Muitas das nossas plantas vieram de fora... Também alienígena aquela ‘Palma Mater’ que Dom João VI plantou no Jardim Botânico do Rio (gostei da conversa). O coqueiro, mesmo cantado popularmente, não é nativo. A mangueira veio da Índia, estrangeiras a jaqueira e muitas outras árvores frutíferas. As amendoeiras foram introduzidas há mais de 200 anos, sombreavam nosso litoral e agora estão sendo eliminadas das praias... Já foi tempo em que o Brasil se chamou Pindorama, ou seja, ‘terra das palmeiras’... Estão sumindo, sumindo......... e lá se vão junto os pássaros gorjeadores... É – mesmo a ‘terra dos papagaios’ não somos mais (misturei memórias de imagens: pensei calado em Gonçalves Dias e em certos “louros” aos quais ensinavam bobagens, acorrentados nos botequins)... O ‘Ramphastos vitellinus’ (tucano-de-bico-preto, explicou), das florestas tropicais, ainda é visto nas árvores cariocas, em algum raro oásis de temperatura suportável, um parque ou reserva florestal, mas considerado extinto no estado de São Paulo. Lembrei: o abricó-de-macaco......... Ih, moradora chamando. Conversaremos melhor outro dia.” Vizinha reclamante com um pratinho coberto com guardanapo de papel – faz delicioso pudim de mandioca (aipim, macaxeira), inventa uma bisavó índia – não cederei a ela meu lugar de contista. Vim para casa com a frase em voz alta. “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.........” Comentei com minha mulher que lembrou ter lido sobre o Hino do Expedicionário, pracinhas na Itália cantarolando parte da “Canção do Exílio” – acrescentei o poeta maranhense intertextualizado antes disso no Hino Nacional Brasileiro. “A certidão de nascimento do Brasil é a carta de CAMINHA e a carteira de identidade, o registro geral, é este poema (segurou minha mão e suspirou fundo)... Se o crítico ANTÔNIO CARLOS SECHIN falou, então está falado (sorriu enigmática)!” Gosto de gente culta, mas aquela conversa me causou um certo arrepio na alma, desconfiança estranha. Não a clássica traição física, nada disso, mas lembrei algo, certos resquícios ainda não identificados, traduzidos, digamos assim. Não sou Sherlock Holmes nem Monsieur Poirot, mas segui pistas. Minha mulher adora recortes de jornais e revistas, lê, arquiva, desarquiva, relê, não quer esquecer, trelê, memoriza. Deve ter dividido com ele o conteúdo da “caixa de papelão cultural”... Caixa ficou magra de repente. Num outro dia, porteiro confidenciou (pediu segredo de macho) estar fazendo ensino médio não presencial, sistema de apostilas, testes quinzenais no colégio noturno. Faculdade breve, biologia. “Comecei a trabalhar num mercadinho com 14 anos... Nunca é tarde?!” – ouvi com sensação de solidariedade. Ah, e desta vez EU é que suspirei fundo. HQ – BICHINHOS DE JARDIM, Clara Gomes – 1 - 3 quadrinhos – Joaninha ao notebook: “De boas aqui, fazendo as contas... pra saber quanto custaria botar ar condicionado... no Rio de Janeiro inteiro!” // 2 - 4 quadrinhos – Joaninha vermelha deitada dentro de uma flor: “O ser humano destrói a natureza... destruindo a natureza, destrói a si mesmo... e fim! A humanidade é uma novela nonsense!” ----------------------------------------------------------------------------- FONTES: “Palmeiras e papagaios”, coluna de ANA MARIA MACHADO – “Porque hoje é sábado”, coluna de ANCELMO GOIS – Jornal O GLOBO, Rio, 13/12/14 -- 20/12/14 e 3/1/15. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2015
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 125 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Sem deificação, mas amo encontrar pessoas "naticultas", em especial aquelas com amor livros e superam todos os obstáculos. Parabéns!

Postado por lucia maria em 28-06-2015

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.