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ENTREVISTA SEM...A ENTREVISTADA



					    
NOME / IDADE – Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, 1889/1986, nascida na cidade de Goiás, então capital, sempre em plena atividade literária: trajetória pessoal e artística, nenhuma filiação a corrente literária, voz única, solitária, singular. “Eu venho do século passado. Basta isso.” (Uma dica.) “Nasci com a República do Brasil.” PSEUDÔNIMO – CORA CORALINA, adotado aos 15 anos pois em Goiás Velho moças da família não “perdiam tempo” com manuscritos, mesmo assim amigas e eu criamos “A rosa”, jornal de poemas. Ousadia de fugirmos aos padrões de casadoiras... Já nasci com a minha poesia. A padroeira da cidade era Sant’Ana e eu não queria meus escritos atribuídos a outra, talvez “mais bonita”, diferença no pseudônimo. Até cheques assinei assim... PERFIL – Pobre, vagamente alfabetizada, apenas dois anos de estudos com a mestra SILVINA, mas abusava do ‘privilégio’ masculino de ler e escrever. Jamais incentivo familiar no campo literário. AINDA ANTES DA FAMA – Fui citada em 1910, no /ortografia da época/ “Annuário Histórico Geográphico e Descriptivo do Estado de Goiyaz” como um dos maiores talentos, temperamento de verdadeiro artista que não cultiva o verso, mas conta em prosa animada, linguagem fácil-harmoniosa-elegante, o que o mundo tem de bom. (Critica sadia, meus 20 anos incompletos.) CASAMENTO – No longínquo ano de 1911, em termos libertários para a mulher da época, fugi para São Paulo /cidade de Goiás, sisuda-conservadora, agora escandalizada/ com o advogado (...) BRETAS, 22 anos mais velho que eu, casado e separado da mulher, fomos viver no interior, casamos quando ele enviuvou. Não aprovava meu comportamento e proibiu de participar da Semana de Arte Moderna em 1922. Transgredi normas, publiquei artigos em jornais de Jaboticabal/SP, onde eu vivia e cultivava rosas na chácara – velhas raízes preservaram meu lado telúrico. Eu escrevia às escondidas, ele desestimulando e desprezando minha obra. Foi uma fase boa, a de contato com a terra, o homem do campo. FILÓSOFA - “Toda mulher precisa de um marido, por pior que ele seja.” CONSERVADORA & CONTRADITÓRIA – Conservadora, condeno o divórcio e sexo antes do casamento; contradição entre a libertária (rompi tabus), em defesa das prostitutas, das lavadeiras, do menor abandonado, fazendo deles ternos personagens, eu disse em poema que “lugar de mulher é no fogão” e declarei, condizente com o feminismo, que “as mulheres serão fortes no dia em que organizarem seu partido político, quando deixarem de fazer campanha pelo marido, pelo pai, pelo irmão”. Autoconstruí a imagem de mulher mítica, visionária, mas extremamente solitária. FILHOS – Foram seis. Viúva, fui para São Paulo, na busca para nosso sustento e bom estudo; inúmeras atividades e me tornei vendedora de... livros da JOSÉ OLYMPIO. VOLTA POR CIMA – Em 1956, filhos criados e com vida própria, aos 67 anos voltei para a velha Casa da Ponte do Rio Vermelho, onde nasci... enfrentar a cidade que me censurara. Ofício de... doceira – alternei bolos e poemas. SUA POESIA – Versos magistralmente sobre a vida e o cotidiano, minha terra e minha gente, minha infância, alguns problemas sociais: atualidade e muito grande profundidade, mostrei a transparência da vida e da alma humana de todos os tempos, em sua essência. PRIMEIRO LIVRO – Lançado em 1965, aos meus 76 anos, pela JOSÉ OLYMPIO, a quem eu confiara os originais à época em que morava em São Paulo, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias mais”, que ainda não foi sucesso absoluto de público nem de crítica, mas posteriormente rendeu elogios de DRUMMOND, daí eu gradativamente conhecida em todo o Brasil como “escritora que descobriu a poesia na velhice”, na verdade escrevia desde mocinha. De CDA, em 27/12/1980, crônica no JORNAL DO BRASIL – Rio: “Não tendo o seu endereço, lanço palavras ao vento, na esperança de que ele deposite em suas mãos. (...) Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a forma e a delicadeza das coisas naturais. (...) este nome, que começa em rosa e depois desliza pelas entranhas do mar (...)” Contestei: “...e quem foi que disse que Cora Coralina é marinho? Cora vem de coração. Coralina é a cor vermelha. Cora Coralina é um coração vermelho.” DEPOIS DA FAMA – Magnetismo, carisma ou incrível energia para uma mulher da minha idade, passei a ser requisitada para eventos, palestras e entrevistas. Em setembro de 1982, no encontro “Mulheres nas Artes em São Paulo”, hipnotizei a plateia, aplausos demorados, e em seguida publicaram muitas páginas nos jornais daquela cidade, o Sul-maravilha se rendendo à poesia dos goiases. HONRARIAS – Em 1983, título de “Doutora Honoris Causa” pela U. F. de Goiás – segundo a reitora, “doutor é quem tem conhecimentos profundos para transmitir aos demais”. Em 1984, um grupo de poetas de Santo André me lançou ao prêmio Juca Pato, Intelectual do Ano, promovido pela União Brasileira de Escritores, e fui vencedora, primeira mulher a receber o título aos 22 anos da instituição – 430 votos vindos de escritores de todo o país... desafio e ofensa insuportável para os outros nomes de envergadura, eu, ensino rudimentar, doceira numa velha e isolada cidade – para espanto geral, não reagi à ditadura de regras e padrões culturais. OUTRAS OBRAS – “Meu Livro de Cordel” (1976, Livraria e Editora Goiânia, praticamente edição restrita a Goiânia) --- “Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha” (1983, aleguei sempre que ninguém revela tudo, lançamento pela U. F. de Goiás) --- Livros póstumos: para adultos – “Estórias da Casa Velha da Ponte” (16 contos/crônicas breves resgatando com muita sensibilidade um Brasil de hábitos coloniais, através da fala dos personagens, habitantes da velha Goiás: crendices, procissões... e a mulher, meu tema predileto, a velha-moça que não casou, vida observada pela rótula da janela, e a casadoura, filha de coronel, frente à mãe castradora e frustrada, e a mulher-dama do beco do calabrote, visão de mundo que o cientista social e o historiador registrariam?!) --- infanto-juvenis – “Os meninos verdes”, “A Moeda de Ouro que um Pato Comeu” e “O Tesouro da Casa Velha da Ponte”. CONSCIÊNCIA CRÍTICA – Poesia é simplicidade. Ler muito. Dispensável conhecer técnicas literárias. Epígrafe do livro “Poemas...” – “Para a gente moça escrevi este livro de estórias. Sei que serei lida e entendida. Versos... Não. Poesia... Não. Um modo diferente de contar velhas estórias.” NOTAS DO AUTOR: 1-Episódio lendário, folclore local, mistura de ‘outras’ versões: fugiu com um homem por quem se apaixonara, o pai não gostava do pretendente; não podendo fugir com este, fuga espetacular a cavalo com um caixeiro viajante, todos dormindo sob o efeito de um sonífero no chá após o jantar; casou com quem não amava e, terminada a cerimônia do casamento, fugiu com quem verdadeiramente amava, saltando o muro da casa......... 2-Em 1977, Universidade Federal de Goiás atenta, segunda edição dos “Poemas...”, terceira edição em 1980 – um destes exemplares é que caiu em mãos de Drummond; quarta edição em 1983, outra editora. FONTES: “Cora Coralina: cem anos”, artigo de DALILA TELLES VERAS, poeta e ensaísta – D. O. Leitura, SP, ano 7, n.83, abril/89. --- “Uma escritora à frente de seu tempo” – Revista ESCOLA, dezembro/05. F I M
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Comentários dos leitores

Vida antiga a ser imitada em tempos modernos. Mulher não é apenas a serviçal e muitas estão à frente do que chamam "meu homem" - doçura nas horas certas. Parabéns"

Postado por lucia maria em 04-07-2015

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