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A VELA DA PAZ



					    
O PAI enviuvara cedo, ainda bem moço, e ia criando a FILHA com certas dificuldades. Financeiras, não, e sim de relacionamento. Difícil, pois era uma CRIANÇA arredia, desconfiada, um tanto medrosa também. A MOÇA da farmácia morria de amores pela quase MOCINHA (ou pelo PAI?) e passou a freqüentar a casa discretamente na ausência dele - começou assim: baixar a febre, sanar dor de ouvido... aos poucos olhar os cadernos da escola, estudarem juntas matemática, desenhar mapas em parceria, ensinar a pregar botão bem firme, fazer um bolo, enrolar cachinhos com chá preto e os tais papelotes de jornal, flor fresca na jarra (rosa vermelha que trazia de casa, símbolo de paixão)... coisas típicas de mulheres. Enquanto era “só isto”, sentiam-se amigas sinceras e a MOÇA passou também a ir à escola em dia de assinar boletim, evitando que ELE faltasse ao trabalho. Houve uma festa no bairro, feriado municipal de 13 de junho, Santo Antônio padroeiro da cidade, com fogueira e o que havia de mais característico, inclusive casamento de roça. O PAI não era muito dado a festas de rua, mas um amigo instigou, resolveu participar mais ativamente e até se candidatou a noivo. Não fez por malícia ou interesse – cada inscrito contribuiria com pequena quantia para obras da escola e pronto! Se alguém ‘aprontou’ no sorteio do outro lado da vida, nunca iremos saber, a verdade é que ELE e ELA, o pai e a moça da farmácia, foram sorteados como noivos. Uma semana de preparos – trajes e ensaios de teatralização à noite. A MENINA felicíssima, pois sua amiga iria casar com o PAI, casamento “de mentirinha”, como nas brincadeiras de casinha e boneca. Ajudou até a arrumar a noiva, emprestando a mantilha de renda que pertencera à MÃE. Se esta veio ‘ajudar’, nunca iremos saber. Noivo ampliou o texto por conta própria – ajoelhou, colocou a aliança no dedo da noiva e fez votos de eterno amor e fidelidade, com a frase- clichê “...até que a morte nos separe”, repetindo gesto e palavras do passado não muito distante. Daí para a frente, fácil adivinhar. Acabaram enamorados de verdade, apaixonados, amorosos, aí veio o casamento, com lua de mel e tudo, a GAROTA não tinha com quem ficar, e viajaram os TRÊS... o CASAL num quarto grande e ELA em quarto coletivo com outras crianças também hospedadas no hotel e com quem fazia brincadeiras e refeições. Nestes dias ainda não sentiu o ‘peso’ de ter uma madrasta. Estava acostumada com a MOÇA, passou a chamá-la de “tia”, na intimidade, e para as outras pessoas da estação de águas minerais falava “a mulher do meu pai”. Sorria. “Vai ser minha mãe.” Voltaram para casa e a MENINA caiu’ na realidade. Havia um ditado popular: “Madrasta o diabo arrasta’, sem significado muito claro, vizinhança má dando palpitarias estranhas, e ELA tornou a ser a antiga menina arredia, desconfiada, medrosa... Moravam num pequeno sítio, PAI gostava de bichos, havia inclusive alguns jabutis de tamanhos diversos. A casa era grande, terreno com muitas árvores frutíferas, um balanço de pneu pendurado na mangueira e gangorra sob um telheiro, a MENINA agora se refugiando ali, sem explicação. Ia para o telheiro com a mochila, garrafa de chocolate quente, alguns biscoitos, pequena manta de flanela e pronto! A “tia” começou a engordar, barriga cresceu muito e a MENINA logo percebeu que um irmãozinho ou irmãzinha estava a caminho. Engoliu o inicial ciuminho ridículo, aceitou primeiro com resignação, depois com amor e se imaginava levando o BEBÊ para mostrar às amigas, agora boneco de verdade. Trocar fraldas, não! Banho, talvez! Mamadeira, sim! Isto só no pensamento, na tentativa de esconder a felicidade crescente. Inconsciente conflito de sentimentos dúbios. Vivia afastada, conversando cada vez menos, o apetite diminuiu (recusava-se a repetir bife e doces!), até emagreceu um pouquinho. Trovoadas ao longe, escutou. Antes que a chuva caísse, reuniu o material escolar, deixou o telheiro às pressas correndo na direção de casa. Tropeçou, se esborrachou no chão com violência, “tia” veio em auxílio e a levantou do chão com certa dificuldade, barriga enorme, já identificados gêmeos. Lavou os joelhos com tablete de sabão do tanque, enxugou e fez ligeiro curativo como a MÃE fazia, igualzinho, ELA lembrou. Agradeceu com uma única palavra – a MOÇA sorriu, aceitou, bem calma. Não choveu e a noite chegaria devagar. Sentaram para o jantar ao finalzinho da tarde. Aí a “tia” observou que, no tombo, a GAROTA perdera o anel que usava na mão direita. Bobagem, nada de ouro. Um destes aneizinhos que vem como brinde: era um mini grão de feijão, em plástico preto, e ELA dizia a todos que era presente de Dom Ratão. (Leitora conhece a história?) Tentaram, juntas, acharem o anel antes da chuva, andaram pelo gramado, a “tia” não estava se sentindo bem, entrou, já ia escurecer, a MENINA derreteu a parte inferior de um toco de vela e equilibrou (tarefa dificultosa!) sobre uma grande pedra, um tanto curva, no chão. Continuou olhando em volta, procura inútil, deixou para o outro dia bem cedo, quando amanhecesse, e esqueceu de apagar a vela. Entrou em casa, três minutos, do nada surgiu uma discussão boba, ultimamente era assim, ou muito silêncio ou brigalhada súbita, a GAROTA saiu com aquela malcriação há algum tempo esperada – “Você não manda em mim porque não é minha MÃE...” e se sacudiu toda. A “tia” tentou argumentar: “Ajudei você agora mesmo a procurar o anel...” A MENINA dirigiu-se ao quarto, bateu a porta simbolicamente com um estrondo e na mesma hora voltou para a sala, sem mesmo saber o real motivo de sua fúria desesperada. Porta da sala aberta. Escutaram um barulhinho bem leve, um estalo suave, como alguém pisando fora da entrada da casa uma folha seca, algo assim. E viram!!! Viram simplesmente uma vela acesa. Inteira, alta, não: era uma vela baixinha, um pedaço. Pior: a vela... andou! As DUAS se agarraram de frente, mesmo com barrigão atrapalhando, trêmulas, muito assustadas sem saber que aparição estranha, que fenômeno (física quântica?) era aquele. E agarradas ficaram por alguns minutos até conscientizarem e se desprenderem. Inimigas hoje, as amigas de antigamente?! Os BEBEZINHOS se mexeram, “concordando” preocupados também. AMBAS tiveram certa vergonha da reabilitação súbita, em poucos minutos. Sorriram-se, meio tímidas, meio cúmplices, afinal eram familiares há quase um ano. A vela se afastou para outro ponto do terreno. Se o sobrenatural esteve presente, nunca iremos saber. O medo suavizara. Voltara toda a cumplicidade antiga. O PAI chegara sem ser notado e entrou rindo. “DUAS crianças, vocês! Por que colaram e acenderam um toco de vela no casco da Zefinha?” F I M
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Comentários dos leitores

Tenho especial carinho pelo conto porque o narrador conseguiu repetir ambiente onde estive muitas vezes. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-09-2015

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