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BRASILEIRO ADORA UMA FESTA-PARTE II



					    
A psicologia revolucionou e agitou o início do século XX... e deu à luz os trabalhos do francês MARCEL PROUST (1871 / 1922) e do irlandês JAMES JOYCE (1882 / 1941), logo reconhecidos como inovadores radicais. Paralelo literário em muitos pontos marcantes. --- Em “À La recherche du temps perdu” e “Ulisses”, técnicas inusitadas de entender comportamentos de personagens e uma poética inesperada. Os dois autores se encontraram uma única vez e pelas más (ou boas?) línguas só falaram de... doenças. Pode ser! Diferentes, mas algo em comum: 1-Nasceram em momentos de crise política partidária em seus países, que ignoraram, mas não fecharam olhos às utopias. Em aguda percepção da vida, verdadeiro mosaico em “Recherche” e quadro pontilhista em “Ulisses” – unir a leitura para entender a literatura. 2-PROUST, superprotegido pelos pais, médico de renome e judia bela e rica, asmático e durante anos encerrou- se num quarto forrado com cortiça; o pai de JOYCE, alcoólatra, arruinou a família, e James exilou-se no continente, voltando à Irlanda apenas para negócios, porém, estressado numa vida material precária, perdeu parte da visão e teve úlcera. 3-Quando jovens, ambos escreveram muitas obras (algumas em publicações póstumas), preparação inconsciente para futuras obras-primas. “RECHERCHE”, total de 7 volumes, surgiu antes – o primeiro, ‘No caminho de Swann’, publicado em novembro de 1913, às custas do autor – somente quatro volumes em vida do autor, o último em 1927. Alguma inspiração no inglês RUSKIN. A verdadeira viagem do descobrimento: ter novos olhos sobre o antigo. Num certo sentido, autobiografia ficcional, ambiguidade gerando bipartição (por exemplo, caminhos de Swann e de Guermantes), não um exato maniqueísmo e sim gerando uma espécie de dialética – busca da recuperação do tempo desperdiçado criando no romance o resgate do tempo perdido. Biografia construída em etapas sucessivas: ‘No caminho de Swann”, infância na pequena Combray, “A sombra das moças em flor”, adolescência na vida mundana, “Sodoma e Gomorra”, mergulho na inversão sexual, “A prisioneira”, desilusões, juntos “A fugitiva” e “O tempo reencontrado”, perda amorosa – em toda a obra, ações externas e psicológicas de ‘subsolo’, personagens em desafiadora complexidade; repetições, reiterações e digressões num desorganizado conjunto, porém simetrias coerentes, planos circulares enfraquecendo as forças dispersivas – ao final, retorna-se ao ponto de origem. “ULISSES” foi quase uma oposição, aprendizado de um jovem que leu e entendeu a sobriedade de FLAUBERT. Autor teve contos originais rejeitados por vários editores, publicação destes em junho de 1914 e 1917. “Ulisses” publicado em fevereiro de 1922, autor quarentão, vida material cuidadosamente descrita e vida interior objetiva dos personagens. Fontes cristãs e conceitos de filosofia moderna – é a “Odisseia” grega retomada em termos modernos, forte incidência humorística. Incluiu enigmas e charadas que por séculos ocuparão o leitor, garantindo a imortalidade de Dublin e da obra. Em HOMERO, o herói Ulisses, após a guerra de Tróia, viaja dez anos de volta à casa; no escritor irlandês, o tempo é compactado num único dia, 16 de junho de 1904 (dia em que nasceu Nora, sua futura mulher; o Bloomsday, dia de Ulisses-Leopold Bloom, anualmente é celebrizado por milhares de admiradores no mundo todo). Não o enredo tradicional, porém episódios da narrativa grega reaparecem no texto irlandês, re-expostos e reinterpretados um tanto cômicos e meio soltos entre si – não heróis ‘gregos’, mas personagens dublinenses comuns com probleminhas do cotidiano. Aqui, Ulisses é Leopold, nada de rei – judeu pobre, andarilho pela cidade tentando angariar anúncios para um jornal de segunda. Criaturas condenadas ao silêncio por sua condição social, estes personagens ganham voz própria como dádiva do criador literário: cada capítulo é um diálogo e um monólogo, com perguntas e respostas, pessoas vulgares adquirindo grandeza poética, em símbolos e feitos significativos e utópicos. Escritores tangentes, na medida em que ambos admitem um ‘terceiro olho’, para ver o que há de mais inimitável e rico no fundo do eu – angustioso, o olho interno de PROUST capta o mundo com a amplitude de uma grande angular e vê a existência tecida por fios inumeráveis; o olho externo de JOYCE, como um raio, abre caminho verticalmente até onde o essencial é sinônimo de epifania (manifestação ou aparição divina). FONTE: “Em busca da epifania perdida” – Publicação em capítulos, inserida no jornal O GLOBO, Rio, 2000. F I M
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Comentários dos leitores

Tudo na vida acontece em duplicata ou em paralelo. Grande comparação. Tenho um amigo distante, minha metade, e somos intuitivos. Mensagens mentais. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-09-2015

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