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DONA GREGÓRIA É "DE MORTE"...



					    
No trânsito da estrada para o Rio de Janeiro, barulhada infernal, lembrei acontecimentos recentes, ri por dentro para não envaidecê-la mais ainda, chamei minha mulher de DONA GREGÓRIA, ELA escutou “gregária”... “EU, hein?! Não vivo em bandos. Ser de morte é ter garra, instintos, ser muito forte. Intuição ou acaso, minha sogra e minha mulher falam coisas de arrepiar, melhor dizendo, pelo caminhar de certos fatos, elas intuem o que virá a acontecer e raramente erram: as “Boca de Bruxa” da família. “Vai dar certo ... não vai dar certo ... não será surpresa alguma para mim ... castigo brabo ... abandono ... separação ... nascimento.” EU as comparo sempre a um poeta brasileiro a quem nada escapava, não admitia certos abusos de autoridade e satirizava todo mundo. Poeta GREGÓRIO DE MATOS, alcunhas “Boca de Brasa” e “Boca do Inferno”. Nome GREGÓRIO, significado “o acordado, o vigilante, o alerta”. Soteropolitano de 1633, em 1652 foi estudar leis em Coimbra, formou-se advogado (aqui EU me identifico), teve cargos de magistratura em Portugal até 1681, fez poemas satíricos, inimigos o perseguiram e fugiu semidefinitivamente para o Brasil. (Minha mulher não foge e diz que sua atual invenção é a sutil “técnica esopiana” pois a Grécia é “o ovo” da intelectualidade.) Na Bahia, foi tesoureiro-mor da Companhia de Jesus (a tesoureira da minha casa tem as iniciais LM que coloca até em listas de compras), advogado sério, mas fez novas sátiras, polemizando sempre com os poderosos; ameaçado de morte, foi preso como medida de segurança e desterrado para Angola, onde participou de rebeliões políticas em Luanda, porém voltou em 1695 (bom, LÚCIA MARIA somente mudou de cidade porque casou, não tinha inimigos figadais e deixou saudades, sim, entre amigos e os vagos desafetos que discretamente sempre a aplaudiram caladíssimos); proibido de voltar à Bahia, fixou-se em Recife, onde não obedeceu ordens de calar-se (quando a rebelde “Gregoriazinha” me acata?!) - morreu no ano seguinte. Biografias do século XVIII o retratam mais velho, como poeta popular, circulando pelos engenhos e vilas, viola em punho, exímio repentista. (A ex- mocinha amadureceu bastante e virou filósofa. Discursa homericamente, feminista como Antígona. Às vezes, em reuniões familiares, de amigos ou no clube do sindicato, dá-lhe um impulso repentino, ELA veste uma saia vermelha ou multicorida /leva na bolsa às escondidas/, pega o pandeiro que guarda desde criança, carnaval antigo, parece receber o espírito de uma enlouquecida cigana, dança efusivamente, a platéia se contagia no “olé” e depois improvisa ler as linhas das mãos de quem exatamente esteja precisando ouvir “certas verdades” que minha mulher sem fantasia jamais teria coragem e audácia de falar. Geminiana astuciosa. Resposta diplomática a desacatos e agressões, conselhos ou lições de moral, dá no mesmo...) Não lenda física, mas o poeta foi todo o retrato de uma época, ‘zeitgeist’. (ELA também será matéria viva por muitos anos, garanto.) Contradições o situam perfeitamente na escola barroca – estilos cultista e conceptista, jogos de palavras ao lado de raciocínios sutis e uso abusivo de figuras de linguagem – metáforas, hipérboles –, trocadilhos e conceitos. (Desde criança ganhando livros, ELA analisa os fatos, as diferenças, incrível memória e grande improvisadora, baixa então o espírito milenar de ESOPO, compara satiricamente pessoas e fatos contemporâneos, reúne o mini auditório e joga em cima de todo mundo as fábulas modificadas do cordeiro, da raposa, da coruja... Não agrediu, não xingou, não puxou cabelo, mas a carapuça encontra sempre a cabeça certa e ninguém grita: “EU?!...) Satirizou o brasileiro, o português, El-Rei, o clero e, numa postura moralista, os costumes da sociedade baiana do século XVII. Patente um sentimento nativista (nas estorinhas, ELA elegeu como nacionais a arara, a tartaruga e o tamanduá) e rejeição à exploração lusitana (há um bravio lusitano que se aquietou após uma improvisada “fábula do bacalhau nadador”). Ampla produção, a princípio manuscrita e circulando de mão em mão, somente em 1969 é que foi produzida uma edição abrangente, incluindo poesia lírica e religiosa, poemas satíricos e os sonegados ao público, ditos obscenos. Na poesia lírica e religiosa, certo idealismo renascentista, ao lado do conflito entre pecado X perdão, pureza da fé X necessidade de viver a vida mundana. (Não muito chegada ao ‘sacrifício da santa missa’, mas era o primo padre ao altar, minha mulher se inspirou para escrever “Frases de alcova ou ladainha” e ganhei a obra prima, um estranhíssimo e exótico poema de amor), DONA GREGÓRIA é uma barroca anjinha doce. ----------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: GREGÁRIA – pessoa ou animal que vive em bando ou grupos, referente a multidão, instinto de se juntar. F I M
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Comentários dos leitores

Gosto muito desse autor - crítico e que não perdoava ninguém, especialmente os maus patriotas. Parabéns!

Postado por lucia maria em 01-09-2015

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