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APOSENTADOS...-PARTE II



					    
O primeiro dia do aposentado é a sensação de liberdade – não mais acordar cedo, está agora sem horários rígidos e pode passear livremente... Não objetivos pré-determinados. Pode ler, escrever, assistir tevê, dormir... Mas para quem era ativo, a doce paz enjoa. Dois cenários /seja na vida real ou na HQ que representa ‘a vida como ela é...’/ - o apartamento e a pracinha, amigos na mesma situação dele: carentinhos, não sei, desocupadinhos, sim. Seja um solteirão invicto ou um viúvo consolado... estima-se que haja pelo menos a serviçal que recebe salário pelos serviços domésticos e estes, à revelia, incluem o relacionamento humano, isto é, tiques, manias e principalmente sonhos ou desejos ocultos. Na irrealidade, traje de super-herói, capa, um pano solto nas costas que facilitaria o vôo, botas curtas e óculos, certamente de visão raio-x, tudo vermelho (cor de São Jorge e de Marte, valentes guerreiros), luvas curtas, cor branca (soco inglês no interior?)... camisa amarela com desenho-símbolo de alguma força sobrenatural, a mesma bermuda jeans do dia a dia... ZAP ZIIP ZAAAP! – e raios cruzam o ‘espaço aéreo’; na realidade, BZZZZ, interferência cruel da serviçal: “Vai passar o dia inteiro perseguindo as moscas com essa raquete elétrica?” São muitos os aposentados na mesma situação de (quase) fim da linha de produção. Verdadeiro grupo de apoio. Atividade física? Nem pensar... Tendência à gulodice. Ai, dona Marlene, décadas de professora, incontãveis anos de gramática-redação-literatura, ei-la que surge com uma bandeja coberta: “Querem experimentar o meu bolo de nozes?” Seu Urbano se entusiasma: “Claro!” Outro opina: “Hum! Ele tem deliciosa crosta de chocolate... montanhas de nozes... rios de geléia de morango...” Urbano apresenta: “O Diamantino é geólogo aposentado.” Mastiga, olhos fechados: “Nham! Nham!” Importante não parar no tempo e aceitar as novas tecnologias e comunicações. Urbano é no mínimo corajoso. “Chega de rangidos...” A antiga professora ouve e vê e, atleta sob estímulo forçado, foge correndo. Ele tranqüilo ante um disco-voador e um ETzinho verde, corpo minusculíssimo, cabeçorra e dois olhões ovalados: “Este óleo lubrificante é ótimo!” Espreizada PST! - sobre a junta metálica do veículo. Depressão afugentada no convívio social e na memória de um tempo feliz. Acima das cabeças, num retorno à infância distante, helicóptero mirim conduz um bebedouro, tradição de água com açúcar, dois beija-flores em volteio. VRRRR VRRRR! Um idoso sorridente, brinquedinho novo, controle remoto nas mãos. Urbano esclarece: “Piloto de helicóptero aposentado!” Ainda chegando à praça, uma voz feminina: “Tempo nublado durante o dia...” Urbano esclarece: “Apresentadora da previsão do tempo aposentada.” E a mulher, pernas admiráveis nos bons tempos e muitos admiradores, continua, ante uma ilustração de nuvem negra, pregada na árvore: “Possibilidade de chuva... Contra a depressão por inatividade, quem sabe uma nova atividade? Esse encontrou um passatempo lucrativo (será?), vendedor de bolas de encher, presas a um bujão de ar, nenhum freguês mirim, também resmungão: ”Humpf... Que tédio...” Quem diz que Urbano, lendo um livro, se deixa contaminar? Logo se metamorfoseia, de novo super-herói, A de aposent... (leitor já sabe!) ao peito: “É um trabalho para homem-almanaque e suas curiosidades sobre balões!” Exercício físico imaginário, ainda que fora da gravidade, ele morosamente flutua externo à espaçonave, capacete e traje de ‘estão-me-vendo- aqui-em-cima?’ – e escuta o som que vem da Terra, doenças imaginárias na idéia de ser o centro das atenções: “Dor nas costas, dor de garganta... Urbano?” E o grito-chamamento o faz voltar imóvel para o banco da pracinha onde o amigo queixoso, casaco de mangas compridas e cachecol, guarda-chuva fechado, em contraste com o céu azulíssimo, prossegue: ”Também estou com dor de cabeça, dor na...” – estrelas ao redor da cabeça. Falta de grana é geral. Perto do saxofonista careca, artístico rabo de cavalo em falsa cor pretinha, chapéu no chão, e na parede o cartaz ‘Colabore!” – tentativa de aumentar o mensalinho do INSS magro... Urbano e o amigo ‘colaboram’ num... coral de assovios. Metalinguagem do desenhista (HQ se mostrando HQ): O mesmo amigo das dores, mesmo banco, mesma pracinha, agora guarda-chuva aberto, Urbano com um único gesto interrogativo e o outro explica: “A tira de cima pode apresentar vazamentos.” É, pessoal, um dia serei um deles. Voltarei filosoficamente ao século XIII, como outros (não eram aposentados!) fizeram por falta de público humano. Certamente serei considerado um louco, 900 e tantos anos depois, mas irei para a praia ou para a montanha e lerei meus contos e crônicas para os peixes ou os pássaros. FONTE: HQ – URBANO, O APOSENTADO – de A. Silvério. F I M
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Comentários dos leitores

Pois é, final de vida para homem sozinho, se a empregada quiser aturar........... Parabéns!

Postado por lucia maria em 03-10-2015

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