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DISCRIÇÃO ACIMA DE TUDO



					    
ELAS se conheceram através de um suplementofeminino de jornal famoso, comprado nas bancas às quintas-feiras e aos domingos. Espécie de clube, leitoras-colaboradoras publicando sob pseudônimos. Aí, uma e outra trocaram endereços, sendo que a amiga da minha AMIGA tinha grave problema locomotor, duas bengalas, e só saía de casa para consulta hospitalar. Minha AMIGA é super educada e discreta nas horas certas: educada para bancar que “nem viu, não reparou” e jamais fazer perguntas indiscretas, isto é, respeitar a intimidade alheia. Comigo, bisbilhoteira e perguntadeira íntima. Bairro carioca da Urca, onde já existiram um cassino de fama internacional (auge entre 1939 e 1941: ave, Carmem Miranda!) e o primeiro canal de televisão do país; onde existem o Pão de Açúcar, alguns departamentos federais universitários, um instituto para deficientes visuais, “um quartelzão da farda verde” – linguagem dela, narradora para mim –, estátua de Chopin na praia............... Apartamento grande, mobiliário clássico, algumas peças tipo “herança de família” e /impossível não ver!/ uma parede com espadas prateadas brilhosas, nem todas embainhadas, nada parecido com mero “espadachim-enfeite de cavaleiro nos contos de fada” paquerando princesa de castelo medieval. Nenhum cavalo branco, no quarto da moradora havia mesmo era uma bicicleta ergométrica para dolorosos exercícios. Aí, o assunto passou a ser saúde. A dodoizinha gostava de dançar (tempo de pares, mão na mão, mão no ombro) e detestava carnaval. Num determinado ano endoideceu e pediu ao pai que comprasse entrada para os mais famosos bailes, de sábado a terça-feira. “Acabei-me de cantar e pular...” – na linguagem dela, narradora inicial para minha AMIGA. E acabou-se mesmo, porque em um mês foi diagnosticada uma rara virose óssea, menos rara na Inglaterra: lembrou-se de um baile formalíssimo na Embaixada. Possível! Muitos tratamentos fracassados e tentativa de solução seria uma cirurgia nos States. Neste momento da estória nada ficcional, surgiram os nomes de ‘seu’ João, que “papai” conhecia desde guri, nos pampas, e de ‘dona’ Maria Teresa, com quem casou. Ajudaram muito, ele facilitou certo empréstimo para a viagem, tudo dentro das leis. Estes nomes bateram fundo, minha AMIGA em meio minuto percebeu de quem se tratava, mas – deseducada é só comigo, atrevidinha sem palavras feias de xingamento! – não fez perguntas indiscretas. Este casal agora residia em outro país próximo, com os filhos ainda crianças. Também hipótese de mera coincidência de nomes, sabe-se lá?! Um diretor ou gerente de banco. Entendeu a amiga, sem ser interrogada, falar que a coleção de espadas, real aspecto histórico, provinha de “perdas e ganhos”, localizadas em mataria fechada, por certo guardadas e perdidas, de uma revolução – em terras de parente, achadas por acaso e herdadas pelo atual proprietário. (“Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, século XIX?” – pensou discreta.) Nada fantasia. O pai era um senhor de cara um tanto fechada, que raramente sorria. Ele, a mulher, a filha e a visitante conversaram alegremente assuntos superficiais. Lanche na sala, minha AMIGA entremeia sempre a conversa com estórias engraçadas, ele riu muito (fora de costume, soube depois), todos se sentaram e cada um pegou o que apetecesse: café, leite, chocolate quente, bolo, pães, uva dulcíssima e pêssego gigantesco, recém- trazidos da fronteira, e o ‘fatídico’ arroz doce que ela recusou. Minha AMIGA percebeu que as pessoas trocavam olhares, mas não maliciou (ela transgredira normas, inclusive nada poderia rejeitar, soube depois). Comeram, beberam e tagarelaram. Esclarecimento posterior. Hierarquia: primeiro o pai se servia, em seguida a mãe, os convidados, os filhos e os demais familiares. Ora, não havia nenhum mural indicando parâmetros, como saber? E para falar era a mesma regra. A “coitadinha”, que fala bastante., em ‘quase’ estado de choque (na atualidade, me envia gigantescos e-mails a que EU respondo, quando exagero na minha resposta, num máximo prolongado de 7 linhas), sentindo-se carioca exposta ao mundo. A partir daí, milagre dos 7 santos padroeiros das Missões no Sul – o general de tempos em tempos mandava um abraço respeitoso para a moça simpática que estivera ali numa tarde azul de sábado. Voltou ao apartamento da Urca e passaram a conversar sobre... cavalos. O militar montava, medalhudo em torneios, a filha montara anos antes e ELA desde criança freqüentava o hipódromo da Gávea, como espectadora. Só apostara uma única vez, bem pequena, antes de saber ler, escolheu no programa um cavalo com duas vogais, OUTONO: ganhou o suficiente para muitos doces e chocolates de fabricação belga. Aprendeu cedo – “quem muito arrisca, mais perde que petisca”. Claro que ele riu muito e aprovou. Presenteou-a com um livreto de provérbios, um ficou até hoje memorizado: “Gaúcho macho não come mel, mastiga abelha.” --------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR (pesquisa súbita): A Região das Missões – Rio Grande do Sul e países vizinhos – é turística. Ali foram edificadas, entre os séculos XVII e XVIII, reduções jesuíticas dos índios Guaranis, sendo que os Sete Povos das Missões ficam no lado brasileiro: Santa Rosa, Santo Cristo e São Pedro do Butiá sob maior influência alemã e as demais com forte presença italiana. F I M
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Comentários dos leitores

Sim, discrição acima de tudo, mas quem prestou atenção nas aulas de história, embora discreto, soube identificar o presidente e a primeira dama. Parabéns!

Postado por lucia maria em 05-10-2015

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