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DOIS DIAS DE "PINTO NO LIXO"...



					    
Para quem trabalhou durante décadas, cruzando o município de um bairro a outro, distantes, horas e horas na condução e no trabalho, a “tranqüilidade” nos últimos seis anos tem sido ‘quase’ um martírio. Escritórios, depois faculdade e escolas... Aposentada, sair de casa, improvisar temas divertidos para tagarelar na rua com desconhecidos, andar andar andar... Pinto no lixo em dia de li-ber-da-de! Jeans escura de tecido macio, camisa branca do Vínicius – ‘poetinha’ /na verdade, consagrado e inesquecível poetaço!!!/ sentado, cabelos semi longos, pequena mesa redonda de botequim pé-sujo, na mão copo baixinho com o destilado a meio, cigarro no cinzeiro e a frase: “O melhor amigo do homem é o uísque, cachorro engarrafado”. Corrente prateada com medalhão de um elefante (indiano?) e uma faixa colorida nos cabelos cinzentos – pensou em mim, cor vermelha. Rasteira de tirinhas pretas. Bolsa é a eterna sacola de pano claro ao ombro, ali cabe “o mundo”... Shopping multifuncional. No banco, mais uma entre mil tentativas de solução, não saque algum há long long long time, talvez defeito no “chifre”, ELA em criativa linguagem irritada (ou irritada em linguagem criativa?). Novo cartão eletrônico? Não ata não desata. Exibiu-se, palavras difíceis, sotaque teatral indefinido. Sugestão do atendente foi uma nova senha – 4 algarismos, 3 letras – e apresentou um papel, “cola” com modelos de trios. “Detesto cola.” “Professora?” “De português...” “Ahn.........” ELA nunca entusiasma interlocutor. Anotados os dados, voltar outro dia ou aguardar o carteiro em casa. Uma circulada nos corredores, que a tal da crise esvaziou – tentação das vitrines de sandálias (lojas vazias!), tentação das vitrines de doces (clientela em dieta-regime?), tentação das vitrines de......... Na loja de variedades, um passeio pelas prateleiras de brinquedos, lembrou de não ganhar desejada boneca italiana, grandalhona, feia, corpo de pano, cara estranha, mas em moda, pai-mãe-tia-madrinha – das outras – compravam direto no navio. As meninas de mais posses riram dela. “E EU lá vou querer uma boneca estrangeira?!” As meninas de mais posses se sentiram formigas esmagadas e engoliram o riso. Não desaforada, mas auto defensiva. (EU que o diga: sou vítima de longuíssimos discursos filosóficos.) Ah, mas possuía 36 soldadinhos de chumbo que as idiotazinhas recusavam e a corte ao redor dela era – fingindo não notar o interesse – de muitos guerreiros mirins da vizinhaça... Circulou pela lingerie – cabide com duas calcinhas elásticas: “Só custa isso?” (freguesia pouca, é a crise, preço lá embaixo)... Circulou pela papelaria, canetas e dois cadernos para o primo que resolveu em idade tardia, 54 anos, cursar veterinária (ELA foi a primeira pessoa a saber da ‘novidadérrima’: forte emoção)... Circulou pelo chocolate, algumas barras para congelar; mais adiante, biscoitos de sabores novidade. Almoçaram ali mesmo. Suco de pêssego. Cabeça em eterna atividade: “Fruta nativa da China e do sul da Ásia. Primo do damasco?” Lembrou de um AMIGO que se julga um galã máximo e adora desfilar com a bandeja na praça de alimentação, a espera que figura feminina o chame para partilhar a mesa (minha orelha ardeu) – ganha muitos olhares, porém nunca chamaram, tadinho! “...que seja infinito enquanto dure...” Encheu 4 vasilhas de aluminito com pequenas porções versáteis de comidas para o almoço ou o jantar em dia de preguiça. A incomunicabilidade é impressionante: na sorveteria, pediu repetidamente milk shake de coco e não se fez compreender – desistiu – entregaram um copo com brancão, sabor baunilha. Estava muito feliz... Neste momento, ficou sozinha. Bom, ELA e o sorvete gigante sugado através de um canudo. As pessoas passavam para lá e para cá, olhando e algumas sorrindo para ELA. Impossível ser pelo tamanho do sorvete... Celebridade instantânea. Segundo ANDY WARHOL, década de 60, profecia de “15 minutos de fama” – discutível a relação público & ídolo-celebridade... “Vai ver, estou irradiando alguma luz. Não sou a Lúcia Maria, luz imantada que seduz todo mundo...” Pólo de atração? Não entendeu. De repente, idéia: Vinícius de Moraes! ELE e a frase antológica atraindo olhares......... Claro que também olhava as pessoas. Muitas moças em trajes sumários, corpos felizes expostos à vida – shorts curtíssimos, bustiês diminutos. Sorriu internamente. “Rio, único lugar do país onde a alegria e a simpatia são naturais, contagiantes.” Orgulha-se de ser carioca. O primo retornou com algumas compras finais – papel A4, tinta para computador... (ELA pensa em mim, orelha do Gigante arde a cerca de 580 quilômetros) e a notícia de que o carro estava prontinho, lavado no pátio. Fim da festa? Pinto voltando à gaiola. No segundo dia, traje diferente, agora menos perceptível, ecolheu cuidadosamente cores neutras claras, testar pessoas. Em todo caso, assume vontade de ‘aparecer’, pulseira metálica em prateado mesclado a dois tons de verde, faixa no cabelo num terceiro tom. Chinelo de tiras prateadas e douradas. Desnecessário hoje ensaiar vocabulário especial, sotaque seria mesmo de Rio de Janeiro. Menos andanças, cardiologista de rotina, remédio de rotina, indicação para exames de rotina. Anonimato agora? Almoçaram perto da clínica. Um curioso cartaz – “Taxa de desperdício: 3 reais.” Não a olharam como na véspera, sucesso findo? Ainda muito antes de casa, primo entrou numa loja de fogões industriais e ficou sozinha, neste momento. Uma mulher idosa desconhecida (mesma necessidade de conversar?!), passou com a filha e dirigiu-se a ELA (“Até que enfim!” – pensou) – “O seu motorista onde está? Muito calor... Poderia ter parado aqui na sombra...” Duas frases curtas de cada uma. Bom, VM ficara em casa, dentro da máquina de lavar. Agora, nenhuma frase chamativa na camisa de malha. Enjoado e inevitável regresso. ‘Tentar’ arrumar (EU: rsrsrsrsrs) em casa a eterna bagunça de papéis, lavar e estender roupa, etiquetar congeladinhos, corrigir textos literários do único aluno online (consultoria gratuita) que nunca manda orquídea lilás, recortar em jornais e revistas alguma raridade interessante, assunto pré-moldado como inspiração para os meus trabalhos literários............................................... Pensou em DRUMMOND, poema singelo interiorano “Cidadezinha qualquer” (Alguma poesia, livro de 1930) – “Eta, vida besta, meu Deus.” Ponto final de monotonia, exclamação ausente. Cenário ainda igualzinho em seu bairro no extremo da zona oeste carioca......... onde as janelas olham, cães, burros e bois ainda passam devagar nas ruas. LEIAM meus trabalhos: LÚCIA É LUZ – estilo literário novela - partes I a XII / LÚCIA MARIA – conto. F I M
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Comentários dos leitores

Brilhante análise de uma pessoa enciclopédica e super ativa que aposentou do trabalho, mas não do mundo. Parabéns!

Postado por lucia maria em 18-10-2015

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