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ETA MENINOS LEVADOS! PARTE III



					    
RIMBAUD, Jean Nicolas Arthur. Nasceu em Charlesville, em 20 de outubro de 1854 / morreu em dezembro de 1891. Fascinante personalidade de um jovem burguês francês e um dos primeiros mitos da modernidade. Conturbada relação do poeta com a mãe. Modo arrogante, um tanto calado, passos rápidos pelas ruas estreitas, esbarrando em mercadores e guerreiros, variando entre acessos de fúria – sujo, acabado, desiludido – e noites de um certo número de ouvintes para sua poesia, antecipando o simbolismo e a poesia do sub-consciente dos surrealistas. Sucessivas frustrações, imaginárias perseguições desesperadas, ansiosa sede de viver e destino trágico que o levou mais rápido ao desenlace da própria existência aventuresca. Autor de “Uma estação no inferno” e do soneto “Les voyelles”, materialização da obra de BAUDELAIRE que o influenciou fortemente. Influenciou novos poetas –compare-se de RIMBAUD “Oração da tarde” com “Soneto de intimidade”, do nosso VINÍCIUS DE MORAES. Abandonou a poesia em 1875, calou a linguagem hermética, andou pela Europa, conhecido como “o homem das sandálias de vento”, e a partir de 1880, sujo e febril, foi em auto-exílio para a África, entreposto comercial de Aden (para seus olhos viajados, era “o fim do mundo ... uma rocha assustadora ... um buraco”), onde passou os 11 anos seguintes entre idas e vindas – viajou à frente de caravanas, sob as ordens de dezenas de cameleiros, vivendo como mercador de marfim, pele, algodão e instrumentos, depois foi traficante clandestino de armas na Abissínia (atual Etiópia), atraído pela promessa de lucro fácil, em existência obscura no outro lado do Mediterrâneo – fiasco na caravana encarregada de contrabandear cerca de 2.000 armas até a Etiópia. Apenas espírito aventureiro? Obcecado por idiomas, logo dominou o árabe, estudou o Corão, vestia-se como muçulmano, para passar despercebido nas caravanas comerciais, carimbava documentos com “Abdoh Rimbo”, ou seja, Rimbaud, servidor de Alah. Não foi saqueador nem pirata ou traficante de escravos, não manteve um harém orgíaco. Rotina mais pacata que as lendas sobre ele, descrito a sério como taciturno (calado, triste), dado a rompantes de raiva, mas preocupado com os negócios, generoso e ocasionalmente bem-humorado. Documentos precários sobre viagens entre o Oriente Próximo e Médio, onde se entedia no mar Vermelho. Intempéries da vida o desgastaram – acinzentados os famosos olhos azuis, cabelo precocemente grisalho. Constantes publicações falsas sobre sua morte. Escreve por conta própria sua biografia, “aos 32 anos em viagens pela Ásia, onde se ocupa de trabalhos de arte”, sem sequer chegar aos 40. Errante e solitário, lamenta não ter concluído os estudos (ser um engenheiro de renome), não ter casado e constituído família, o que seria uma volta aos valores burgueses. Retornou para a França em tratamento de um câncer ósseo, dores que o perseguiam desde 1887 por um acidente a cavalo, insuportáveis quatro anos depois, sendo-lhe amputada a perna direita – ironia da vida, andarilho longos anos... – agora agonia acompanhada pela mãe e pela irmã; convalesceu no interior do país, delirava com freqüência , devorado por uma infecção, ‘mercador’ africano gritando pelos funcionários e despachando ordens imaginárias; corpo depois transportado de Marselha à cidade natal. Mais tarde, ali, dois museus em sua homenagem, um com fotos, cartas sem teor literário, relatórios comerciais e objetos trazidos da África, também manuais de mecânica, fabricação de instrumentos de precisão e carpintaria, outro na antiga casa da família, quase vazia, apenas projeções nas paredes. Sem a tríade BAUDELAIRE, MALLARMÉ e VERLAINE, precursores e transgressores, não haveria a poesia moderna escrita em todas as línguas cultas do Ocidente. O caso específico de RIMBAUD começa no brevíssimo período em que escreveu toda sua obra, dos 14 aos 18 ou 19 anos, precoce poeta adolescente que escandalizou Paris com versos visionários e modos extravagantes. A primeira fuga do camponês malvestido e abusado foi da cidade natal e chamou a atenção do refinado PAUL VERLAINE, poeta que admirava – abandonou a mulher grávida e foram juntos circular pela Europa, num início de caso turbulento até VERLAINE dar-lhe um tiro no pulso. O parisiense amargando na cadeia e o outro escrevendo em 1873 sua obra-prima, “Uma estação no inferno”, como matéria-prima o caso recém-encerrado. Depois, o poema “Adeus”. Por que tão jovem considerou acabada sua obra e emudeceu? Em seguida, o ‘mistério’ de muitas fugas e viagens. Um mito verdadeiro! FONTES: “O tráfico no desconhecido” – Jornal LEIA, SP, ano XI, n. 103, maio/87 // “Luzes sobre um mistério da literatura” – “Cerimônia do adeus para Rimbaud” – Jornal O GLOBO, Rio, 14/1/07 e 17/10/15 // “A estação no Oriente de Arthur Rimbaud” e “As estações poéticas de Rimbaud” – Jornal O GLOBO, Rio, sem indicação de data. F I M
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Comentários dos leitores

Outro peralta! Aventureiros loucos, pré-hippies. Pesquisa detalhada. Parabéns!

Postado por lucia maria em 12-03-2016

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