Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


CARRANCAS DO VELHO CHICO



					    
Reza a lenda que os maus espíritos têm medo de cara feia... Eis porque é comum em muitos países o hábito de enfeitar a proa das embarcações com figuras assustadoras e ao mesmo tempo tornar reconhecível o barco ao longe. A CARRANCA chegou ao Brasil de carona com os grandes veleiros que aportaram aqui nos séculos XVIII e XIX. Espalhadas pelo litoral, porém foi na região do Rio São Francisco que ganharam destaque e a produção foi mais significativa, principalmente até a segunda metade do século XX. Única entre os povos ocidentais, a carranca é o que há de mais original na imensa arte popular da Bahia – revela o espírito inquieto, a superstição e a mística de um povo plástico por excelência. CARRANCA, figura estranha – Mistério em torno da origem – arte fenícia? razões religiosas? Certo é proteção contra os perigos do rio. Aspecto grosseiro, cabeça humana, corpo de animal e aparência de dragão, esculpidas ou entalhadas em madeira (geralmente cedro), as carrancas são figuras disformes colocadas na proa das barcas do Alto São Francisco, para afugentar, segundo os barqueiros, o diabo, o caboclo-d’água, e assustar os maus espíritos ou assombrações, “essas coisas ruins” que habitam as águas e querem fazer naufragarem as embarcações. Para o estudioso e folclorista GUSTAVO BARROSO, o característico das carrancas é a expressão bovina, havendo no entanto uma justaposição de elementos zoomórficos e antropomórficos de várias espécies. Podem ter a boca aberta (com a língua à mostra), fechada ou escancarada: os dentes podem ser de ofídio, animal carnívoro, sáurios ou eqüinos. RIO SÃO FRANCISCO – genuinamente brasileiro: nasce na Serra da Canastra (MG) e se dirige para as terras do Nordeste. --- Conhecido pelos nomes: NILO BRASILEIRO (porque atravessa o sertão do Nordeste, deixando suas margens férteis para a agricultura) / RIO DA UNIDADE NACIONAL (porque seu vale faz ligação entre o Nordeste açucareiro e o Centro-Sul minerador) / RIO DOS CURRAIS (porque ao longo do seu vale havia muitas pousadas para o gado). Também chamado afetivamente de VELHO CHICO. No Rio São Francisco, ficam três hidrelétricas: Três Marias (MG), Paulo Afonso e Sobradinho (BA). --- A bacia do Rio São Francisco é formada pelo próprio rio e afluentes, a saber: margem direita, Rio das Velhas e Rio Verde Grande; margem esquerda, Rio Carinhanha, Rio Paracatu e Rio Grande. --- Portos: Pirapora e Juazeiro. - - - - - FRANCISCO GUARANY (Ariano de 2 de abril de 1882 – morreu aos 103 anos em 1985) foi um artista que está na história do rio e no romance “Porto Calendário”, de Osório Alves de Castro (pesquise, caro leitor), único homem do mundo vivendo apenas da profissão antiga de carranqueiro. Era filho de CORNÉLIO BICUÍBA, um dos primeiros carranqueiros, que gostava mais de fazer imagem de santo e por sua vez aprendera a esculpir com JOÃO IMAGINÁRIO, artista de arte fina. Aprendeu tão bem que em certa ocasião fez dois Cristos e, cada um num prato de balança, pesaram igualzinho. Descobriu depois que carranca era mais negócio, toda barca usando; em 1899, fez a primeira para a barca “Americana”, de Juazeiro, espalhando fama pelo rio inteiro. Nos anos 30 surgiram barcos a vapor......... Pena! Restou GUARANY, com carrancas em museus da Alemanha, da França, da Argentina e dos Estados Unidos. Depois dele, apareceu em Juazeiro um artista importante, não vivendo exclusivamente da profissão por ser marceneiro da Companhia de Navegação; carrancas sob encomenda, nas horas vagas. GUARANY só vivia disto, sem dar conta das encomendas pelas galerias de arte. Pequenino, magro e curvado, dias e dias cavando a madeira com um formão... Um mágico! Revista REALIDADE, SP – março/1972. - - - - - O VELHO CHICO (canção-poema de Correia Neto e Téo Azevedo) La vai o barco descendo o rio! Este meu rio nasceu mineiro; de leite inteiro, só brasileiro. Com jeito manso, leva energia a Três Marias, Sobradinho e Paulo Afonso. / Em longo traço, levando abraços, vai deslizando as águas ao nordestino, que é nosso irmão. O Velho Chico afoga as mágoas daquela gente lá do sertão. / Ó canoeiro de São Francisco, não corra o risco de ver um dia o rio secar e se acabar. Você não deixe ninguém cortar a mata virgem que faz a origem até o mar. / O Velho Chico em pesca é rico. Por natureza, é só beleza. Nasceu primeiro, só brasileiro. Com jeito manso, leva energia a Três Marias, a Sobradinho e Paulo Afonso. FONTE: “Quem tem carrancas os males espanta” – Jornal O GLOBO, Rio, sem indicação de data. NOTA DO AUTOR: Exposição “A viagem das carrancas” – Instituto Moreira Sales, Rio de Janeiro – 42 fotos do franco-brasileiro MARCEL GAUTHEROT, que em 1946, junto com o também fotógrafo e etnólogo francês PIERRE VERGER, percorreu o VELHO CHICO, registrando populações ribeirinhas e carrancas das grandes embarcações. Publicadas as fotos na revista carioca “O Cruzeiro” um ano depois, chamando a atenção de historiadores e críticos, estes agora paradigmas na discussão sobre arte popular brasileira, mudança na década de 40. – Jornal O GLOBO, Rio, 6/12/15. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2016
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 123 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Lindo trabalho de assunto atualíssimo! Tenho uma carranquinha na estante de livros. Parabéns!

Postado por lucia maria em 10-04-2016

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.