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CONTOS MACHADIANOS



					    
Como tarefa do seminário sobre MACHADO DE ASSIS, grupos da assistência receberam apostilas transcritas de recortes diversos para estudo e exposição oral de trabalhos numa próxima oportunidade, o que de fato ocorreu um mês depois. Admito vaidade – EU me nomeei (eleito por unanimidade, opinião alheia nunca me interessou) relator (delator é “outra” coisa) do meu grupo – não sofri impeachment algum, na minha fatiota à lá século XIX, incluindo indispensáveis colete, relógio de algibeira, charuto (de chocolate) e bengala, conjunto alugado a preço de real. Ih, elas nos fizeram um show de selfies. - - - - - BREVES COMENTÁRIOS: 1-De 1870 a 1880, ainda na chamada ‘fase romântica’, MACHADO DE ASSIS publicou “Contos fluminenses” (1870) e “Histórias da meia-noite” (1873). Depois, na plenitude do seu realismo, sondagens morais, “Papéis avulsos” (1882), “Histórias sem data” (1884), “Várias histórias” (1896), “Páginas recolhidas” (contos e crônicas, 1899) e “Relíquias da casa velha” (1906). --- 2-Alguns dos contos mais citados e importantes, não importa o período da produção: “A cartomante” – não exatamente tragédia, mas melodrama: sátira à superstição, que é devidamente punida. / “Conto de escola” – baixeza já em criança dos motivos humanos: tentação, crime (a cola), denúncia, castigo e proveito / “Missa do galo” – adolescente em seus primeiros impulsos amorosos. / “O alienista” – aspectos expressionistas no sarcasmo da pena do escritor – triunfo da insensatez sobre a razão. / “O cônego ou a metafísica do estilo” – aula sobre estilo, expondo o sexo das palavras. / “Um apólogo” – a linha e a agulha – crítica à ambição e à inveja. / “O enfermeiro” – traços irônicos sobre a punição da virtude e o prêmio da ubiqüidade. / “Um apólogo” – a linha e a agulha – crítica à ambição e à inveja. / “Um homem célebre” – parábola da existência do artista desconhecido: desejo de escrever sinfonias e submissão pública escrevendo polcas / “Uns braços” – caso de psicologia sexual feminina. - - - - - BREVE ANÁLISE do conto “TRIO EM LÁ MENOR” (livro “Várias histórias”, 1896): NARRATIVA em terceira pessoa (narrador onisciente), sob o tema INDECISÃO – linear onde início e fim se encravam, isto é, se igualam, diferença no meio e ausência dos homens ao final. DIMENSÃO TRIÁDICA – Metáfora do verdadeiro trio ou triângulo amoroso. (Desde PIERRÔ, ARLEQUIM e COLOMBINA? Situação triangular voltará em “Esaú e Jacó”...) Por três vezes ela toca ao piano e ouve uma voz: “...ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá”... DIVISÃO em 4 pequenos capítulos com títulos de operetas italianas diversificadas quanto ao ritmo, a saber: 1-ADAGIO CANTABILE – Andamento musical lento. Ainda ausência de CONFLITO real, apenas exposição, relato das primeiras ações das personagens e índice da situação ambígua no triângulo amoroso: MARIA REGINA apresentada de modo direto. Sempre intervenções e retrocessos do narrador – moça desmiolada, “imaginação insaciável e avessa à realidade”, traço básico da sua personalidade, ruptura interna que oscila entre dois pólos opostos, eterna duvida feminina entre dois homens, MACIEL e MIRANDA. 2-ALLEGRO MA NON TROPO – Ritmo andante moderado. Surge MACIEL atuando – dinamismo da ação e associação com a narrativa é um acidente com a carruagem em que viajam “ela” e a avó, MOTIVO DINÂMICO: um menino atravessa à frente do veículo e “ele” o salva, admiração e atitude vantajosa perante o possível rival. (Não sabemos se a moça pensou “Meu herói!!!”) Em termos de TEMPO-ESPAÇO, acontece o primeiro DIÁLOGO da narrativa – uma ocorrência matinal na rua e outra noturna em casa de MARIA REGINA. Início do CLÍMAX (ponto culminante da ação dramática, TENSÃO no mais elevado grau, ponto de virada para o DESFECHO?). 3-ALLEGRO APPASSIONATO – Movimento rápido, animado e com energia. Neste ‘allegro’ majestoso e festivo, o confronto e CONFLITO das duas personagens masculinas. Surge MIRANDA e o “herói” vai gradativamente caindo até o enfado. Em todo caso, é estar com um e pensar no ausente. Acidente passa a ser MOTIVO ESTÁTICO, situação retorna ao início, clímax desfeito e o EQUILÍBRIO se restabelece. O atrito de Maciel com Miranda, mesmo rivais, não é violento, Maciel se retira à chegada do outro. Mas acontece que a pianista executa uma sonata ao piano para Maciel, o aspecto físico de Miranda não a atrai e escuta a voz de Miranda no corpo de Maciel: caráter lúdico de espelhamento, as pessoas se identificam pela diferença. Maciel se sobrepõe, retorna à posição primitiva, novamente os dois com igual valor, forças iguais no antagonismo. 4-MINUETO – Quase uma dança, estilo barroco (origem aristocrática francesa na corte de Luís XIV, o Rei Sol, reinado de 72 anos, opulência nunca vista antes...) que pode ter caráter humorístico: a definição da realidade. Espera-se a decisão de MARIA REGINA, passam-se uns oitenta dias, situação perdurando, os dois homens de caráter antagônico, exclusão mútua e também por disputarem (em vão) a mesma mulher /traços de TENSÃO instalada no conto/, com igual valor para ela, se detestando e sofrendo, desconfiando-se mutuamente... e se foram embora para nunca mais......... DESFECHO inusitado, estranhamento – Imagem da duplicidade reiterada três vezes, mais uma vez caráter lúdico da narrativa: quando ela se conscientiza do fim, noite lindíssima, não descrito e portanto desconhecido o estado emocional, se triste ou feliz, lera que no céu há estrelas duplas que parecem um único astro, olha então para cima, porém não o acha no céu; com grande esforço, fecha os olhos e enxerga dentro de si própria a “estrela dupla e única”. Abre os olhos e vê no muro da chácara os olhos de um gato, sublimação dos fatos, projeção externa de seu pensamento. Breve insônia: vê imaginariamente duas rodelas de opala presas à parede. Dorme e sonha que, morta, sua alma encontra no céu um astro duplo e voa de um para outro; de repente, uma voz a censura que seu castigo será oscilar por toda a eternidade entre dois astros incompletos. Sua dualidade. Cenário triádico, sentido simbólico, ícone de sua ruptura interna: astro duplo, olhos do gato e rodelas de opala. PERSONAGEM PRINCIPAL – Rígida sem transformações relevantes, fio condutor da narrativa, meio de encadeamento de MOTIVOS, dualidade (caráter diádico até no nome, MARIA + REGINA). Personagem dividida que engloba TESE E ANTÍTESE, duas coisas simultâneas, dicotomias, e se apresenta da exposição até o desfecho indecisa sem decidir-se por um ou outro, convívio apenas virtual, nenhuma opção assumida. // PERSONAGENS SECUNDÁRIAS E COMPLEMENTARES – Eles, duas forças opostas e iguais, ANTÍTESE, pólos antitéticos, a escolha de um elemento implicaria na eliminação-exclusão do outro, nada de ‘sociedade amoral’ e posterior auto-destruição. Nunca um convívio a três em tempo indeterminado. No NÍVEL DAS PERSONAGENS, até que ponto são antitéticos, um negando o outro ou na realidade semelhantes, personagens na TENSÃO de semelhanças e diferenças? Maciel e Miranda, ambos opacos, ações desconhecidas (faziam o quê na vida?), não transparentes; opostos como direito-avesso, apenas ambos, unidos-desunidos, interessados na mesma mulher. TIPOLOGICAMENTE – Ambos englobados. MACIEL, 27 anos, belos olhos e mãos bonitas, fisionomia franca-meiga-boa, porém fútil, vaidoso e vazio – porém ao NÍVEL ACTANCIAL, “Com perigo de si próprio”, salvou uma criança, dá notícias da sociedade X MIRANDA, 50 anos, velho e feio, “...olhos pequenos sob a vasta arcada do sobrolho, que às vezes centelhavam de mocidade”, fisionomia dura e gelada, cabelos grisalhos e rugas, completo espiritualmente – ao NÍVEL ACTANCIAL, nada faz que corresponda, pede que toque uma sonata e fica ouvindo. RELACIONAMENTO – Três fases distintas: eles alternados dentro dela, busca de um ‘terceiro’ homem (soma das qualidades) e simbolicamente a escolha de duas estrelas englobadas e assumidas. ASPECTOS DUPLOS ao longo da narrativa – Moça “esquisita e desmiolada” / “dois homens ao mesmo tempo” “Coração excelente e claro espírito” / “sonho e devaneio” / “conjurá-lo ou diminuí-lo” / “discretamente e esquecidamente” / “dançou e conversou” / “um dito... uma alusão” / “Espadilha e manilha / um rei e dama de sopas” / “olhando para UM e escutando o OUTRO de memória” / “escutava ESTE com o pensamento nAQUELE”......... / “grande é o desconsolo, certa a blasfêmia” etc. etc. etc. 1-No PLANO SINTÁTICO, claras construções de substantivo + adjetivo ou dupla/tripla adjetivação: “música moderna e antiga” / “fisionomia franca, meiga e boa” / “noite clara, fresca e luminosa”. 2-Nos PLANOS MORFOLÓGICO e SEMÂNTICO, idem: “...mas parece que ele estava menos preocupado com a ferida da mão que com o amarrotado dos punhos”. IRONIA MACHADIANA – Tirando a questão das idades, 27 versus 50 (aritmeticamente, 50 – 27 + 23), nenhuma outra diferença nítida entre MACIEL e MIRANDA, não entidades rígidas, estanques, inatingíveis e auto-suficientes como deuses, e sim justapostos e insanamente separados, avanços e recuos. A sociedade, em bases ideológicas, só sobrevive às custas da rigidez de oposições. porém reversíveis a critério de cada um. FONTE: “Trio em lá menor”, de Sílvia Palma Sampaio Ciccu – JORNAL DA UNIMEP, Piracicaba, Nov.-dez./1978. F I M
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Comentários dos leitores

Muito exibido! Seu tempo de ficar na porta da Colombo, com o Olavo Bilac e O Emílio de Menezes, e não pegarem nenhuma. Parabéns!

Postado por lucia maria em 14-05-2016

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