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CONTOS MACHADIANOS-PARTE II



					    
Outros contos... melhor vício que cigarro, cachaça e coisas piores! Mesma tarefa de ler e estruturar pequenos papéis amalgamados (às vezes, literatura é ‘química’ também...) num único trabalho. - - - - - ***BREVE ANÁLISE de “CONTO DE ESCOLA”. 1-NARRAÇÃO – ponto de vista do foco narrativo em primeira pessoa – narrador-personagem. 2-RECURSOS EXPRESSIVOS – predomínio de frases curtas, mais coordenação que subordinação; bastante narração e poucos diálogos. 3-ASSUNTO – episódio acontecido numa sala de aula – escola, realmente um lugar desagradável (aparece no texto): análise psicológica das personagens. 4-PERSONAGENS – 1-PRINCIPAL– menino PILAR, na rua da Princesa, indeciso entre morro de São Diogo e campo de Sant’Ana, ambientes de traquinagem. AÇÃO INICIAL – Ih, “melhor” ir à escola (sente-se preso no ambiente fechado, nível do formal... – evasão imaginária ou real que o alivia da sufocação do mundo adulto, cabulação na manhã; seguinte: ambiente exterior-aberto-livre como ideal) – ruim castigo do pai na gazeta, ou seja, falta à escola ou outra obrigação, da semana anterior, vara de marmelo. AÇÃO E TENTATIVA DE CUMPLICIDADE – apresentação gradativa, suspense para leitor (tomando partido, nunca de todo indiferente – narrador “conversar” com leitor, característica essencialmente machadiana): RAIMUNDO, filho do mestre, oferece uma moeda de prata em troca de serviço, uma explicação de ponto difícil de sintaxe. DELATOR – CURVELO, criança má e traidora, ‘dedura’ os colegas, a mais baixa das indignidades, e o professor bate nos ‘negociantes’ com palmatória; Pilar promete vingança, mas o covarde foge após a punição. ETAPAS OU NÚCLEOS DA NARRATIVA – 1-proposta (fala baixinha e indefinição; curiosidade/tentação de Pilar sobre a moedinha , hesitação entre aceitar ou não a negociata); 2-realização do negócio (professor absorto no jornal e no rapé, alvoroço de Pilar); 3-delação (ar maldoso de Curvelo, riso mau, impaciência, testa franzida, aspecto ameaçador, mau índice, preocupação de Pilar, coração bateu muito, espaço íntimo); 4-castigo (professor bufando de raiva, palmatória e sermão). CLÍMAX DA AÇÃO – castigo, solução do CONFLITO. DESVIO DE PENSAMENTO E AÇÃO – Num outro dia, Pilar sonha com a moedinha e se dispõe a procurá-la, cabulação realizada sem ressentimentos, atitude normal e sadia (?), mas no caminho é atraído por um batalhão de fuzileiros, nova motivação, aos quais acompanha até à praia da Gamboa; volta para casa sem a moeda e ressentimentos, de alma purgada. Já adulto, rememora o fato com Raimundo e o próprio Curvelo, seus primeiros mestres de CORRUPÇÃO e DELAÇÃO. // 2-OUTROS – Raimundo e Curvelo, colegas de classe; professor Policarpo. (Citado pai do narrador, não exatamente personagem, mas é o móvel da escolha do menino.) // CARACTERÍSTICAS DAS PERSONAGENS – 1-Pilar – “Não era um menino de virtudes”, um dos mais adiantados e inteligentes, nem pálido nem mofino, forte, boas cores, músculos de ferro, acabava a lição de escrita sempre antes de todos; não vendedor de saberes, mas tentado pelo brilho da moedinha... – brio, vergonha soluçante e mágoa pelos impropérios do mestre, desejo mesquinho de vingança contra o delator. -- 2.Raimundo – grande medo ao pai, molenga, aplicado, de inteligência lenta, duas horas em reter o que os outros levavam pouco além de meia hora, fraco, criança fina-pálida-doentiça, raramente alegre, só junto com outros sabia enganar o mestre, também temeroso de castigo. // Total oposição física e mental entre os dois meninos – em comum, apenas medo do pai, MOTIVO da AÇÃO das duas crianças. // 3-Policarpo – andar manso, chinelas de cordovão, jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa, colarinho caído, perto de cinqüenta anos ou mais, usa rapé e um lenço vermelho, ríspido-intolerante-severo e rígido na punição. // 4-Curvelo – com onze anos era mais velho que os outros, desconfiado com os demais, parecia atento (engano do narrador, nível do parecer), natural indiscreto, levado do diabo, inquieto, riso inconveniente, impaciente... delator, depois fujão covarde. 5-ESPAÇOS – 1-escola – espaço núcleo, predominante, isto é, onde a personagem permanece mais tempo; apresentada no início, núcleo espacial interno onde ocorreu a primeira AÇÃO da narrativa. // 2-lugares bons para brincar – locais de opção para onde ir em gazeta, espaços da liberdade e da alegria do brinquedo, fosse o morro ou o campo (presença f& iacute;sica na escola, mas transporte imaginário para outros lugares) – caracterização exterior. // 3-Rua da Princesa, rua do Costa, rua São Joaquim, ruas em geral, bairro da Saúde, praia da Gamboa – caracterização exterior. // 4-Botica, casa de Pilar – caracterização interior. 6-FECHAMENTO – a tristeza da escola X ABERTURA – a alegria sonhada pelo menino. 7-COMPORTAMENTO espacial dele – 1-ESCOLA, sala de aula – interior – “sobradinho de grade de pau” – “ficava preso” – “E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos” – “Fui um bobo em vir”. // 2-MORRO OU CAMPO – exterior – “espaço rústico mais ou menos infinito” – &ld quo;adestrado de lavadeiras, capim e burros soltos” – “ardia por andar lá fora” – “recapitulava o campo e o morro” – “pensava nos outros meninos vadios (...) a fina flor do bairro e do gênero humano” – “vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel (o voo da pipa, símbolo máximo da liberdade), alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma ‘cousa’ soberba” – “E lá fora, por cima do morro, espaço aberto, o mesmo eterno papagaio, guinando a um lado e outro, como se me chamasse a ir ter com ele. Imaginei-me ali, com os livros e a pedra (lousa) embaixo da mangueira...” 8-CONFLITO – oposição de cenários e tipos diferentes de atividade entre o dever e o desejo. 9-TEMPO passado em relação ao momento da leitura – época presente cronológica do narrado: primeiro dia de aula após folga dominical, impossível alegar cansaço numa segunda-feira, maio de 1840 – “...no fim da Regência, que era grande a agitação pública. Policarpo tinha decerto algum partido (...)” -- Na época, escola excessivamente rígida, professor como autoridade de usar e abusar, aplicando até castigos corporais. -- DURAÇÃO DO RELATO – da manhã de segunda à tarde de terça; na escola, manhã e tarde de segunda; núcleo – manhã passada em aula. -- TEMPO DOS FATOS NARRADOS – época longínqua, mundos opostos – tudo ocorreu no mundo infantil, agora mundo adulto, daí capacidade de julgar e opinar: “Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola (...) dos mais inteligentes (...) escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção.” -- “Não é que eu possuísse da virtude uma idéia antes própria do homem (...) não fosse fácil empregar uma ou outra mentira de criança. (...) enganar o mestre estava nos termos da proposta na troca de lição e dinheiro (...)” -- “...tanto se ilude a vontade!” // Nestes diálogos com o leitor, narrador é crítico ao que escreve. 10-TEMPO CRONOLÓGICO - hora matemática, 60 minutos, porém há momentos – TEMPO PSICOLÓGICO – em que o tempo parece mais lento ou mais rápido: TENSÃO de Pilar, temeroso, com medo do castigo. “...eu ficara em brasas, ansioso que a aula acabasse; mas nem o relógio andava (...) nem o mestre f azia caso da escola...” 11-SUPERAÇÃO E EQUILÍBRIO – a série de oposições é superada pelo equilíbrio do menino que faz do sonho uma forma de evasão... e “esquece” o que sofreu. Aprendeu na vida real, não nos livros, a CORRUPÇÃO e a DELAÇÃO. É pela convivência que se conhecem os homens e os meios que empregam para vencer e sobreviver. F I M
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Comentários dos leitores

Espero que você jamais cruze com corruptos e delatores, se bem que está "em moda" ser cúmplice ou beneficiado, delatar depois por covardia. Parabéns!

Postado por lucia maria em 15-05-2016

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