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CONTOS MACHADIANOS-PARTE III



					    
Eta trabalhinho bom! Nestas horas me orgulho de ser brasileiro, conterrâneo de um grande escritor de nível internacional.. - - - - - *** BREVE ANÁLISE do conto “MISSA DO GALO” (livro “Páginas recolhidas”, 1899) Difícil classificar certas obras machadianas, em especial contos, entre o ROMANTISMO – sentimentalismo, imaginação como real, evasão, sonho, fantasia, poesia – e o REALISMO – pés-no-chão. Vá lá: diz-se modernamente ‘tudo junto e misturado’... NARRATIVA em primeira pessoa – Personagem-narrador. “Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos...” No texto, conceitos do “teatro da vida” – palco, jogo e ritual. O leitor se transmuda psicologicamente em espectador. 1-PALCO – Reconstituição de um momento casual, de ‘pouca’ importância, uma tagarelice rápida, porém onde se revelam emoções, impressões, mudanças e sentimentos despertados no jovem NOGUEIRA. Exposição teatral do apolíneo e do dionisíaco, ou seja, o real e o desejado, o racional e a fantasia, a censura e a liberação, inerentes ao dualismo do comportamento humano. INÍCIO – Pressa de NOGUEIRA em ir assistir à missa do galo, depois já hesita em sair. “...aqui há de haver mais luxo e mais gente também. (...) A Semana Santa na corte é mais bonita que na roça.” Deve-se a mudança de atitude pelo encantamento do jovem NOGUEIRA, 17 anos, por CONCEIÇÃO, mulher mais velha, 30, e infeliz no casamento – houve uma noite em que......... conversaram. Enigma invisível , apresentado visível sob forma de máscara/disfarce. O que permaneceu na penumbra? Muita coisa... Ele tenta encontrar brechas, entender, insinua, imagina e acaba por determinar (será?) a atitude de sua companheira. O desejo, irrealizável na realidade, planta sementes no inconsciente de NOGUEIRA através do sonho e da imaginação, evasão da vida real – a consciência não permite que ele venha à luz, criando-se o sombrio espaço do interdito. CARACTERIZAÇÃO DAS PERSONAGENS – 1-PROTAGONISTA – CONCEIÇÃO – Como ele a vê: de “era o que chamamos uma senhora simpática” e logo passou a “ficou linda, ficou lindíssima”... Mudança motivada por determinadas circunstâncias: projeção e disfarce do seu desejo. Confundem-se nele – reflexos de sua própria ambigüidade – realidade / aparência, mentira / verdade, ser real / ser criado. --- 2-OUTRAS REPRESENTAÇÕES - MENEZES – “Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro.” – palco livre para NOGUEIRA e CONCEIÇÃO. Mesmo ausente, marido é o representante da lei e int erdita o sonho de NOGUEIRA (tal como o castrador camundongo que rói em seu gabinete). NOGUEIRA, a propósito das saídas do marido de CONCEIÇÃO: “...o teatro era um eufemismo em ação”. Na verdade, visitava uma amante semanalmente. --- DONA INÁCIA – A m&atil de;e, representante da família, dorme em seu quarto, “está longe, mas tem o sono muito leve e pode acordar”. --- O AMIGO – Representante da sociedade: “uma pancada na janela, do lado de fora”, é o coro como nas tragédias gregas em que este se defronta (encarnando a opinião pública ) com o herói (cuja ação pode gerar crítica ou cólera nestes “cens ores”). O coro acusa-interrompe o sonho / desejo de NOGUEIRA. ESPAÇO – Ambiente e desejo – o palco e os bastidores. A narrativa, fruto de imaginação e ilusão, é a expressão do seu desejo – não reprodução da realidade e sim transfiguração de personagem para ao mesmo tempo ator-espectador e interpretação dos sentimentos dele, mesclado e iludido. Ele quer ser um herói com um ideal. NOGUEIRA, leitor ébrio de Dumas (“Os três mosqueteiros”), aventura-se como herói mítico, aventureiro, fora da realidade, ideais romanescos de adolescente e “recria” Conceição – passa a ser herói romântico, estudante ingênuo e inexperiente que faz do amor um *jogo, precisando de uma atriz que o seduza na sua imaginária aventura. // 1-O “palco” do conto é o espaço da conversão deles dois, numa esfera teatral que envolve todo mundo e estimula a sensualidade. A iluminação indireta de um candeeiro de querosene propicia jogos (outra vez esta idéia) de luz e sombra, claridade e escuridão: “o vulto de CONCEIÇÃO”, o mistério. Cenário – mesa no centro da sala, cadeiras, canapé, cortinas, janelas e portas, espelhos e quadros na parede /marcação teatral do conto/, idas e vindas marcadas pelo diretor no intuito de seduzir e envolver a atenção de NOGUEIRA: “...sentei-me à mesa” – “CONCEIÇÃO entrou na sala ” – “foi sentar-se” -- “ergueu-se rapidamente, deu alguns passos”. // 2-Bastidores – espaço do desejo e também da lei, do interdito, dos corredores, da penumbra, do não visto pelo espectador. DIÁLOGO – Dissimulação, intenções ocultas, mulher mascarada; mostra-se enganosa, a própria aparência disfarçada, mimesis com os objetos que a cercam – gestos-olhares-palavras, eterna ambigüidade e obscurecimento. Santa, sedutora, trapaceira, calculista ou simplesmente mulher? Branca e pura como seu roupão ou “preta” e impura como suas chinelas? Aqui, leitor-espectador torna-se cúmplice da representação e entra no mundo do irreal, alivia tensões e experimenta a catarse. NOGUEIRA transfere para ela o seu desejo como representação num espelho, extensão dos sonhos do seu próprio “eu” narcisista, sentimento que deve ser interdito, mascarado. Reconcilia a representação com a realidade. 2-JOGO (ludismo) – Revestido de mistério – na sua esfera, leis e costumes da vida cotidiana não têm valor pois somos e agimos diferentemente: abolição temporária da realidade, revestida com fantasias. Jogo, representação de movimentos, idas-vindas, peripécias, alternâncias, encadeamentos e desfecho. Nas idas e vindas, nos gestos e falas (símbolos que parecem máscaras) de CONCEIÇÃO, NOGUEIRA “vê” um jogo dissimulado, misterioso... uma representaç ão – ela, ‘outra’ pessoa, mistério que ele não pode entender. Como arrancar-lhe a máscara, decifrar símbolos e enigma, interpretar o visível diferente do invisível? Regras do jogo violadas, este universo desmorona-se, realidade tomando seus direitos – infrator rompeu com o estabelecido, isto é, a lei, e deve ser eliminado. // JOGO DE ADÃO E EVA – Eva, criada de uma costela de Adão; Conceição, sedutora-jogadora-insinuante, produto do desejo, do sonho e da imaginação de NOGUEIRA. O desejo é a serpente e entre este e sua realização /infração demoníaca/ , a barreira, o espaço do interdito, a lei... NOGUEIRA e CONCEIÇÃO, tentados pelo desejo a romper com as leis do matrimônio, entram no espaço do sonho, ela “devaneando”, ele, numa “espécie de sono magnético’, acordados pelo roer de um camundongo (Deus castrador simbólico, auto-censura, consciência que corta-rói-inibe e interdita o desejo) –, representante da lei, juiz que os expulsa do paraíso – justamente no gabinete de Menezes. No sonho, realizados os desejos, serão violados os interditos... 3-RITUAL (cerimônia) – O ano litúrgico dos cristãos é dividido em ciclos, sendo que o advento, quatro semanas que antecedem o Natal, é um tempo de arrependimento, fraternidade e paz; um ritual entre o fim de um ciclo e mudança para outro. Daí, a missa do galo. NOGUEIRA, num ponto de transição, ainda ‘frango’, “nunca tinha ido ao teatro”... e ao fim do advento três chaves ou rituais abririam para ele a porta do eu “natal”, isto é, seu nascimento como homem ou “galo”. “Tinha três chaves a porta”; --- “uma estava com o escrivão” – o teatro de MENEZES – “mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo”. --- “eu levaria outra” – a missa do galo na corte – “eu já deveria estar em Mangaratiba, em férias. Mas fiquei até o Natal para ver a missa do galo na Corte”. --- “a terceira ficava em casa” – a missa de CONCEIÇÃO – “todas as missas se parecem” – “falou de duas gravuras que pendiam da parede. (...) Um representava “Cleópatra”, não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres.” – “...em casa de família é que não acho próprio”. Essas três chaves lhe abririam o espaço do simbólico, propiciando passagem para a vivência do social e da lei, de que MENEZES é o representante. Saindo para o “teatro”, ele subverte a lei do matrimônio e fora de casa é a lei “do galo”. “do macho”. Se deposto, NOGUEIRA seria o novo rei, entronização feita por CONCEIÇÃO que o concebe e faz nascer como homem, filho de seu desejo, nele despertando a sexualidade e, como rei, fazendo-o reproduzir o papel de MENEZES, o marido . CONCEIÇÃO, caráter duplo, ambíguo: -- sagrado - N. S. da Conceição, sua madrinha -- profano – Cleópatra, sacerdotisa, rainha, sedutora A entronização é sacralizada na missa do galo, figura de CONCEIÇÃO interposta mais de uma vez entre NOGUEIRA e o padre. PREOCUPAÇÃO MAIOR E IRONIA DO AUTOR – Contar uma estória ou fazer um estudo psicológico? NOTA: *A intriga em “A moreninha”, de J. M. de Macedo começa com um jogo que é a aposta feita entre dois amigos. FONTE: “Missa do Galo – uma reapresentação de uma representação” – REVISTA LITERÁRIA, UFMG, BH, ano VI, n.16, nov./1981. F I M
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Comentários dos leitores

Você já é irônico, sarcástico e debochadinho. Vai agora viciar nesse escritor??? Parabéns!

Postado por lucia maria em 15-05-2016

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