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BAHIA, TERRA DA MAGIA?



					    
Num país onde pouco se lê, milhões e milhões (verdade!) de livros vendidos, traduzidos para dezenas de idiomas, sucesso no cinema, no teatro e na televisão, dezenas de teses escritas sobre esta literatura, só podia ser obra de um baiano apaixonado pela vida... um tanto irreverente e sensível, de temperamento poético e romântico, reservado e quase acanhado, sensual e mágico. Escritor de público, isto é, de massa. O ‘pré-início’ como romancista foi a três, em 1929, junto com EDISON CARNEIRO e DIAS DA COSTA, novela “Lenita”, publicada em fascículos em O Jornal, de Salvador, cada qual responsável por 4 capítulos – pertenciam à Academia dos Rebeldes, “novela falsa e vazia”, na crítica de OCTÁVIO DE FARIA . Separou-se o trio, Jorge criou a liberdade na saga baiana, Edison revelou-se cenógrafo e Dias Costa publicou vários livros de contos. Obra essencialmente regionalista enredos concentrados na Bahia, tudo começou efetivamente em 1931: “O país do carnaval” (profecia???), seu primeiro romance, escrito aos 18 anos de idade no Rio de Janeiro, primeira viagem importante de sua vida, 1930, onde fora “estudar”, porém trabalhava como jornalista – as mil cópias da primeira edição se esgotaram rapidamente, o próprio autor gastando mesada que recebia do pai presenteando amigos com exemplares. (Após curso secundário, vestibular, quatro anos na Faculdade Nacional de Direito, hoje UFRJ, mas nunca foi buscar o diploma.) Frase de abertura do romance: “Entre o azul do céu e o verde do mar, o navio ruma o verde-amarelo pátrio.” Marco de comunicação visual da realidade brasileira, com flagrantes do homem e da terra . O mar em JORGE AMADO é uma entidade superior. Residência no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, na vizinhança das águas onde mora a rainha Iemanjá. “O país do carnaval”, considerado pela crítica o melhor romance do ano. Depois veio “Cacau”, tema da região de Ilhéus e forte conteúdo político, começo de uma longa caminhada, e os romances urbanos “Jubiabá”, denúncia de injustiça social no país, em particular na região onde nascera, poesia rebelde, e “Capitães de areia”, idéias revolucionárias, jovens tipos marginais – a Bahia sempre esteve presente no misticismo e na sensualidade, mesmo na tristeza e na miséria dos meninos de rua, mendigos e prostitutas. Grande preocupação em fixar tipos marginalizados, livros marcados pelo lirismo e pela postura ideológica. Até 1941, livros seus eram proibidos, queimados, vedadas colaborações em jornais, e durante onze anos vivia preso e solto. Saiu duas vezes do Brasil, exilado pela ditadura estado novista. Há segredo mágico para atrair o público? Não. Nenhum mistério. Basta ao escritor a serenidade e acreditar nos seres humanos acima do bem absoluto e do mal infindável, registrar-lhes os hábitos e caminhos. Só isto. O mais lido escritor brasileiro em seu próprio país e no exterior. Versátil entre a tragédia – “Capitães de areia” –, a política – “Os subterrâneos da liberdade” –, o humor – “Velhos marinheiros” – e o lúdico-infantil – “O gato Malhado e a andorinha Sinhá”. Personagens lhe surgiam durante o sono e depois mulher e filha revisavam o manuscrito e pulavam para a máquina de escrever em som de metralhadora. O ‘ideal’ sonhado e esperançoso de apenas 150 páginas crescia porque personagens se multiplicavam indisciplinadamente, ao contrário do escritor que desde jovem escrevia na madrugada, pronto para em seguida trabalhar em outra coisa. Mais velho, capaz de escrever entre cinco ou seis a doze ou quinze horas seguidas, no embalo da inspiração, narrativa originalíssima da terra baiana miscigenada sem sofrer influências da literatura de outros países. Ao contrário, de 1940 em diante, inspirador para muitos outros escritores da geração chamada neo-realista em terras lusas. Só faltava chorar quando um livro estava terminado. Informava, por exemplo, com ar de profunda tristeza: “É, desta vez Dona Flor foi-se.” Humor extraído do cotidiano. Entrou no quarto: “Zélia, Gabriela nos deixou. Puxa vida, tinha que ser logo numa noite de chuva.” Porque ele detestava tempestade e trovões. No caso deste livro, segundo ZÉLIA GATTAI (paulista, filha de anarquista italiano), dois anos de convívio, entre aventuras, alegrias, segredos, reações, “nossa amiga do peito”... e logo o domínio público, “intimidade violada”. Não chegado a um volante, possuía carro e motorista que era o primeiro a receber um exemplar de cada livro. Prêmio Stalin, o maior da União Soviética, em 1952; doutor honoris causa pela Universidade de Sorbonne, Paris, em 1998. Escritor sem preconceito de raça ou religião, numa linguagem livre. Contrário a qualquer tipo de censura. Pornografia espontânea no que escreve? Não. Palavras e palavrões apenas populares... Ligado ao candomblé desde menino, com o título de ojuobá /”os olhos de Xangô”/, confirmado pela mãe-de-santo, amigo de muitos pais-de-santo da Bahia, especialmente no Centro Cruz Santa do Axé Opô Afonjá (na época, Mãe Aninha, na atualidade Mãe Stela) para, colares no pescoço, fazer obrigações religiosas. Em “Tenda dos milagres”, destaca-se a figura exemplar do mestiço Pedro Archanjo, paisano e pobre, sábio e ojuobá escritor do candomblé, contra a arrogância da cultura acadêmica, inspiração num amigo na vida real. Para JORGE AMADO, “amizade, sal (tempero) da vida”... Em 1993, chorou emocionado com a inauguração das obras de restauração do Pelourinho, em Salvador, e escreveu longa carta ao então governador da Bahia, ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES, amigos embora adversários políticos, ambos com o mesmo conceito democrático de vida, elogiando o trabalho – após reforma, restauração histórica de grandeza magnificente, recuperada a beleza original – e agradecendo. A fundação que leva o seu nome, no Pelourinho, é o casarão onde morou, quando muito jovem, retratado no romance “Suor”. Falava pouco de si mesmo e de sua literatura; preferia conversava sobre futebol (seu livro “A bola e o goleiro”, para o público jovem), moças bonitas (atrizes de suas obras) e as coisas da Bahia. Ah, e rasgava-se em elogios sobre os livros de ZÉLIA GATTAI, sua mulher. A carnavalização literária, segundo o teórico MIKHAIL BAKHTINE, “no mundo de baixo” (palavras deste), é dada nos livros deste baiano pelo anárquico, a inversão, o humor, a ironia, a sátira picante, o pitoresco e o grotesco, entre a charge e a caricatura: a mais absoluta sátira menipeia em “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água”, onde o personagem ‘escolhe’ a maneira melhor de morrer; também Vadinho, inconformado de perder sua bela Flor, volta à vida... Duas mortes – a gloriosa de Quincas, bebemorada pelos amigos de copo, e a oficial do cidadão Joaquim, chorada pela família. Palavra-chave que perpassa toda a obra de JORGE AMADO: liberdade, tanto no plano individual como no social – maior exemplo na novela obra-prima “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água”. E o carnaval, propriamente dito, aparece quando Gabriela, símbolo do povo, fase menos ideológica e mais populista do escritor, puxa o cordão dos festeiros e sai na frente com o estandarte na mão, e é num carnaval, sambando, que morre o alegre erótico Vadinho, cuja vida foi um eterno pagode. Durante toda sua vida JORGE AMADO soprou um fogo forte na vida dos personagens que narrava – fosse gente do cacau, coronéis-bacharéis-camponeses, jagunços e pistoleiros do sertão com mortes plantadas nas tocaias, vagabundos ou malandros de beira-do-cais ou prostitutas das ladeiras de Salvador. O povo miúdo, sofrido e marginalizado, as classes populares, não os figurões e mandões, é privilegiado em “Terras do sem-fim”, “São Jorge dos Ilhéus” e “Tocaia grande” – povo infeliz, mas há sempre um fio de esperança e não se deixa vencer. Mistura de realismo e romantismo, senso vivo do pitoresco, amplo painel de motivos humanos. Com 7 anos, sua primeira aventura política, ao assistir com o pai, no Tribunal de Ilhéus, ao julgamento de camponeses que ocuparam terras... O juiz o chamou para sortear os jurados, fato narrado 25 anos depois em “Terras do sem-fim”. Eleito deputado federal por São Paulo em 1945, mandato curto, cassado (impeachment?) em maio de 1947 junto com toda a bancada do PCB, partido colocado em ilegalidade... Na opinião dele, só dá certo a união de socialismo com democracia... NA Academia Brasileira de Letras, que contraste! Cadeira tendo como patrono JOSÉ DE ALENCAR e como fundador MACHADO DE ASSIS. Numa entrevista em 1958, auto declarou-se: “Sou apenas um baiano romântico e sensual.” Um quase cantador de feira, um poeta do A B C, legítima expressão da cultura brasileira. Em 1941, escreveu “ABC de Castro Alves”, louvação e biografia de outro baiano ‘enfant terrible’ nada inocente... NOTAS DO AUTOR: 1-LEIAM meus trabalhos “Dois em um: o homem Castro Alves” e “Você já foi à Bahia?” (Jorge Amado também). 2-Consta que há uma rua em Campo Grande, bairro da antiga zona rural, zona oeste do Rio de Janeiro, com o nome de “Tieta do Agreste”. Nenhuma pista. Não localizei. 3-Segundo a crítica especializada, obra compartimentada (somente alguns exemplos) em: a-romances proletários, vida urbana em Salvador, forte coloração social – “O país do carnaval”, “Jubiabá”, “Capitães de areia” / b-ciclo do cacau, força econômica da região, fazendas de Ilhéus e Itabuna, exploração do trabalhador rural, exportadores – “Cacau”, “Terras do sem fim”, “São Jorge dos Ilhéus” / c-depoimentos líricos e crônicas de costumes – “Jubiabá”, “Mar morto”, “Gabriela, cravo e canela” (aqui, zona cacaueira como cenário). 4-No teatro, “O amor de Castro Alves”, reeditado como “O amor do soldado”. FONTES: “A sensual estréia de Jorge Amado” (sem indicações) --- “O homem amado” – Revista REALIDADE, SP, n.5, agosto/1966 --- “Contra o elitismo” – Revista VEJA, SP, 17/8/77 --- “Jorge Amado, o clímax onírico” – Suplemento Literário de Minas Gerais, BH, n.682, ano XIV, 27/10/79 --- “O País do Carnaval de Jorge Amado” – D. O. Leitura, SP, 12/1992 --- “A grandeza restaurada – Jornal O GLOBO, Rio, 10/12/93. F I M
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Comentários dos leitores

Das duas, um? Não! Das duas, duas! Advogado reúne sempre maluquices e excesso de imaginação, "meu rei"... Parabéns!

Postado por lucia maria em 22-05-2016

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