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ESTRANHO TELEFONEMA



					    
Ambos se dizem não ciumentos, apenas cuidam com carinho do que lhes pertence. É... pode ser... talvez... quem sabe? À noite, ao se deitarem, assim como ELES, os dois celulares devem permanecer juntinhos, em mesinha um tanto distante da cama. Não iguais, apenas bem parecidos, e o toque de chamada é o mesmo, que ELE escolheu – “Quem é o chefe da casa?” – e ELA acatou: “Sim, m eu amo e senhor...” Feliz por ter acertado fazer pela manhã um bolo de amêndoas, sem farinha alguma, neste dia a mulher concordaria com qualquer coisa. Menos divórcio e pensão de 5%, é claro. Daí, na madrugada um tanto friorenta (finalmente o outono chegou!), numa que deveria ser rápida ida ao “pipisório”, lembrou-se de colocar a roupa lavada no secador e demorou um tantinho mais do que o esperado. Um celular tocou e ELE atendeu automaticamente. O aparelho dele ou o dela? Quase de olhos fechados, raciocínio opaco, sonolento, não adivinhou a voz feminina um tanto conhecida que rapidamente fez uma declaração de amor alucinado e marcou encontro, bem no horário de almoço dele, na porta de um motel, estrada a caminho da empresa. O que sempre lhe chamara a atenção era o prédio largo, dois andares, em estilo grego: colunas dóricas (pesquise, caro leitor) e esculturas de guerreiros heróis e suas amadas ou deuses e deusas... O Ulisses que, acabada a guerra, não resistia a tentações e levou dez anos até chegar a Ítaca? A Penélope do tapete eterno, símbolo de fidelidade? Ou o mulherengo Zeus, suprema autoridade do Monte Olimpo, e Hera, deusa do matrimônio, do parto e da família? Louco por mitologia. Imaginou levá-la de surpresa, mesmo sem ser data especial. Chegou a comentar (já não mais surpresa!) e depois o mão-de-vaca aparentemente “esqueceu”. ELA não mostrou muito interesse – preferia a cama king size de casa. Mas que mulher seria aquela, num telefonema às três horas da madrugada (um ridículo relojão na parede do quarto, números fosforescentes, presente do sogro) que nem lhe dera tempo de responder? ELA voltou, explicou as mãos frias pelo contato com tecidos molhados e dormiu de imediato. Para ELE o repouso acabou ali. Curiosidade masculina, sim, mas a inocente princesa da longa camisola de cetim azul não merecia ser traída. Pela manhã, dispensou-a de fazer café. Quase onze horas. Tenso, assustado. Até aquele momento o telefone não tocara uma única vez. Sem entender o motivo do impulso, fotografou-se. Implicou com seu próprio rosto – esse-não-sou-eu. E era quem? Saiu da empresa sem comer nada – estômago vazio causa irritabilidade e era isto que ELE queria. Coragem para ser o extremo da antipatia. Reconheceu o carro de uma amiga da mulher e escolheu dizer horrores, isto é, insultá-la. E foi o que fez. Que “nunca a olhara com interesse e jamais percebera nela malícia alguma”. Um blá blá blá comprido e irritante. A moça não conseguiu dizer nada. Voltou para a empresa sem saber se era um idiota, dispensar loura apetecível, mulher para mais de dez talheres (que personifica as fantasias masculinas), ou um apaixonado. Pior. E se o telefonema tivesse sido para Lúcia e não para ele, Ragnar??? Como saber sem interrogá-la com sutilezas? Trabalhou tranqüilo o resto do dia, jantou em casa com fome de leão do deserto e não sentiu o menor cansaço na faculdade noturna. Noite de amor. Em choque a amiga contou a ELA. Negara-se por muito tempo a um amor atrapalhado, sem definição, e que só lhe traria aborrecimentos e mágoas – o fulano era solteiro, porém galã envolvido ao mesmo tempo com muitas outras. Enfim, de partida para uma prolongada pós-graduação na Holanda, resolveu presentear-se com uma única tarde de amor. Telefonou para o tal, disse tudo o que estava entalado no coração, sem permitir que ele refletisse, respondesse, talvez até negasse. Precipitou-se, escolheu por conta própria um motel de estrada... Não sabia explicar, mas quem aparecera foi o marido da amiga, que a humilhou ao extremo. Sonho anulado. Não houve festinha de despedida. A amiga só voltaria (se voltasse...) três anos depois. F I M
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Comentários dos leitores

Fiel por vontade própria ou assustado? Foi bom ele não entender nada. Feliz! Bom auto(?)-retrato. Parabéns!

Postado por lucia maria em 22-05-2016

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